quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Saudade

A alta temperatura me acorda no meio da noite. A grande janela está aberta, as cortinas balançam devagar com o vento que entra e invade o meu quarto. O ventilador velho, que já enfrentou muitos verões, tenta resfriar o meu corpo que está quente por fora, frio por dentro.

Saudade. Sinto saudade. Muito mais saudade do que calor, aliás. Acordo no escuro e procuro alguma coisa sem enxergar nada. Bato com a mão no colchão e vou avançando, explorando cada centímetro do lençol. Eu estou com saudade de tê-la ao meu lado.

É uma saudade que sufoca, que dá sede, tira a fome, tira o sono, incomoda, me imobiliza. A procuro nos cantos da casa, na rua, no carro, nas fotografias, na memória, nas mensagens recebidas. Não a encontro.

São mais de quinhentos mil metros de distância. São mais de setenta e uma mil calçadas iguais a que existe em frente à minha casa, uma ao lado da outra. Todas elas nos separam.

Acordo à noite. Acordo mais cansado do que quando fui dormir. É difícil sorrir de forma completa quando não se tem por perto quem amamos.

É uma distância passageira. Em breve esse muro gigantesco que nos separa será derrubado e nossos peitos irão se encontrar. E o som do coração será, novamente, um só.
Enquanto isso, ó meu Deus, a procuro em vão.

Que saudade.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Perdi o bonde

Só que ainda quero sentar ao lado da janela. 

A 41ª Feira do Livro de Pelotas terminou há poucos dias. Ocorreu no Mercado Público ao invés da Praça Coronel Pedro Osório, onde normalmente acontece todos os anos. A mudança dividiu opiniões e parece que em 2014 a feira retorna à praça, mas não é disso que falarei.

Envolve a feira, os livros, o público e principalmente os lançamentos. No último dia 17, um domingo, a professora Loiva Hartmann lançou o CD "Poesias". O disco foi produzido por ela e traz poemas de dois livros também lançados pela professora. São eles "Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?". 

Recebi o convite para conferir o lançamento. A própria produtora do CD que enviou a mensagem. Revelou que o fundo musical carrega o som do piano do impressionante Richard Clayderman. As palavras foram escritas por ela, e como ela mesma mencionou, trazem veracidade. As poesias são declamadas por Otávio Soares, homem bastante conhecido na cidade.

No entanto, apesar do convite para o lançamento, mesmo sabendo que lá estariam amigos, teria autógrafos e muitos textos verossímeis, não pude comparecer. Eu, definitivamente, perdi o bonde.

Por tal razão, publico aqui neste espaço o meu apreço pela obra. Ouvi trechos do trabalho e com certeza está encantador. Minha ausência sempre é física, mas nunca é de alma. De alguma forma eu compareço, mesmo que por pensamento. No entanto, lamentei não ter ido ao lançamento. Motivos maiores do que eu.

É engraçado pensar também na forma como conheci a professora Loiva. Foi no Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), local que abriga a história e mantém vivo o maior escritor pelotense. Casa que sempre me acolheu de braços abertos como se eu fosse um personagem vivo das histórias do Capitão. Foi lá que a vi pela primeira vez. Conversei um pouco e fui presenteado com livro, DVD e ata do Núcleo de Estudos Simonianos (NES). A partir dali originou-se uma agradável entrevista que foi publicada na Folha do Instituto. Desde então a professora Loiva me convida para eventos - como o lançamento de seu CD - e liga até para desejar feliz Natal e um próspero ano novo. 

Pessoas assim, como Loiva, encontramos no varejo, não no atacado. Quando chegamos ao pequeno armazém, que comercializa produtos da terra, cultivados próximo dali, precisamos apontar ao vendedor o que queremos levar para casa. Às vezes é difícil e é preciso olhar com considerável persistência. Diferentemente do atacado. Produtos iguais, de fácil manuseio e descarte. Não duram muito em nossas vidas.

Por fim, outro fato a distingue. Tomei conhecimento de que a professora sempre presenteia o IJSLN com erva-mate da marca Barão. Ela se preocupa até com o mate na Casa do Capitão. Fica a dúvida: teria o conto O Mate do João Cardoso alguma influência nessa história interessante?

É. O bonde já está a quilômetros daqui. Tentei correr para tomá-lo de assalto, mas não obtive êxito. Fiquei ali, no ponto, esperando o próximo. Persistente que sou permanecerei firme à espera do bonde e do assento ao lado da janela.

sábado, 16 de novembro de 2013

O tempo e o inverno

Se a nossa história escrita a lápis se apagar com o tempo e os rigorosos invernos o que eu posso fazer? 

Tudo começa com todo o gás. O segredo é distribuí-lo de forma correta. Não muito rápido como o tempo nem muito lento como o bocejar de um bebê cansado. 

Nós recebemos objetivos no momento em que respiramos pela primeira vez. Não tem nada a ver com religião. É que a vida assim prossegue.

Nada terminou. Depois de tudo estruturas foram montadas. Muitas delas para a vida inteira. Ensinamentos infinitos, estes sim escritos à caneta. 

Comparando o antes com o depois é fácil perceber que és uma nova e ainda mais forte mulher. Teus olhos transmitem mais confiança e o verde está ainda mais verde. O reluzir de tu'alma alcança céus inalcançáveis às almas comuns. Caminhas determinada a chegar ao destino. Estás mais relaxada, mais feliz, mais tu mesmo. Aquelas velhas feridas e brechas ainda não foram totalmente preenchidas, e talvez nunca serão, mas elas estão mais quietas. Não se manifestam tanto nem com a mesma intensidade de antes.

Muita coisa mudou.

Os altos e baixos se foram. As decepções ainda compõem o cenário da tua vida, pois todos convivemos com elas, mas não são constantes. De vez em quando surgem, mas há braços sinceros dispostos a abraçá-la e confortá-la, pois as decepções - sabes bem - não virão de quem te abraça.

Muito ficou para trás. Agora queres o que vem à frente.

Nossa história, boa parte dela, já foi passada a limpo. As novas folhas receberam as nossas lembranças. Pouca coisa foi modificada e tudo o que foi escrito nestas linhas é à caneta. Tinta preta na maior parte do tempo. Vermelho para as coisas do coração.

Se a nossa história vai ser totalmente escrita à caneta e vai enfrentar o tempo e os rigorosos invernos o que posso fazer? Bem, eu pensaria primeiramente em preparar um chocolate quente...

domingo, 3 de novembro de 2013

Vencemos!

O sol está indo embora e nós estamos aqui. O exército de duas pessoas balança a bandeira da vitória. Aqui, no ponto mais alto da Terra. Eu e ela, lado a lado, de mãos dadas, celebramos a nossa conquista.

Foi uma luta complicada, que espalhou a nossa alma pelo chão e fez jorrar sangue de nossas feridas, mas ainda assim resistimos, lutamos e vencemos!

Os inimigos eram muitos. Invisíveis, cruéis e utilizavam táticas friamente calculadas em porões obscuros do bairro. Rodearam os nossos amigos e tentaram nos atingir através deles; escreviam com a intenção de ferir com palavras como se estas fossem flechas advindas de um arco maligno; arquitetaram por diversas vezes discussões que, na verdade, não eram nossas; e contrataram, por fim, mercenários para ganhar a nossa confiança e, na trincheira, desferir o golpe fatal.

Vencemos, apesar de tudo. 

A vitória foi justa nesta injusta guerra. 
O suor de nossa luta se transformou em lágrimas.
No fim o maior prêmio foi o nosso beijo ao nascer do sol, iniciando um novo dia.

sábado, 2 de novembro de 2013

O silêncio é sempre maior

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
O silêncio é sempre maior. Engenheiros do Hawaii
Muitas vezes me peguei ansioso esperando por aquele dia que demora a chegar. Momento para relaxar um pouco mais do que o normal, escutar uma boa música, ler um livro, ficar com quem a gente gosta. O problema é quando esse dia chega e o silêncio toma conta do ambiente de uma forma inexplicável. A boca fica seca, os olhos atônitos e as mãos suam frio. Não há o que dizer, definitivamente.

Geralmente busco respostas nas músicas, mas nem sempre elas têm as palavras certas para dizer. Ouvi Engenheiros do Hawaii e eles foram sinceros: por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior. 

O que mais incomoda - e que paradoxalmente me deixa inquieto - é o barulho desse silêncio. É ensurdecedor. Parece que estamos em um estúdio sombrio. Não há som externo. Só ouvimos porque estamos dentro de tal sala. A qualidade sonora é alta, mas o que escutamos não é bom de se ouvir nem dizer.

Não há o que dizer.

Eu confio na humanidade, apesar dos pesares. 
Eu confio em mim, apesar das incertezas. 
Eu confio na vida e no que ela pode proporcionar, mesmo sabendo que coisas boas e ruins vêm e vão.
Agora, não posso confiar por dois.

Pensamentos invadem o meu crânio sem anestesia. Estes cortam a minha pele e empapam a faca com o meu sangue. Tento gritar, mas quem deve ouvir está tentando dormir com a luz acesa.

A quem pedir socorro?

Às vezes penso em malhar, aprender alguma outra língua, mas sei que é perda de tempo. A grama do vizinho é sempre mais verde, mas isso num mundo de aparências. Merda, este é o nosso mundo.

Tento exercitar ao máximo a minha sinceridade, mas nem sempre consigo falar a verdade. Minto com o meu sorriso, mas meus olhos, janelas de minh'alma, denunciam o sofrer de meu peito.

Eu ainda vou dar um voto de confiança para a vida. Sei que depois de toda tempestade vem a calmaria, a paz tão desejada e quiçá, Deus queira, as atitudes de se entregar ao outro como se estivéssemos há mais de 700 dias juntos. Tempo suficiente para olhar nos olhos e sorrir. 

Quero saber com quem divido a cama, o lanche da tarde e, num futuro próximo, talvez, a vida. Por enquanto os muros e os inimigos estão vencendo... e o silêncio é maior.

O inimigo conhece o campo tanto como eu. E isso sangra.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Com a horta e Deus

Hey, vocês aí que contemplam o Sol. Como é a sensação?

Aqui na minha ilha só há nuvens e chuva. Os navios que por aqui deixam suas mercadorias levam também as nossas riquezas, mas não podemos fazer nada. Nossa terra foi tomada para que vocês aí possam contemplar o corpo celeste que cospe fogo. 

Não podemos impedir o roubo “legal” feito por eles. O Rei, afinal, ordenou e assim será. Peço aos Deuses que tenham piedade de nossas almas e peço também que Ele nos proteja, evitando que nos transformem também em mercadoria. Já ouvi histórias macabras, de pessoas que daqui saem para trabalhar forçadamente em algum campo longe daqui. Outros foram designados à produção de uma carne, que dizem ser salgada, chamada, eu acho, “charque”. Não sei se é verdade ou lendas inventadas por velhos nas tavernas.

Temo, no entanto, em ver com os próprios olhos essa história de terror e ser o personagem principal desta. Só quero viver nesta minha ilha, que um dia já foi de nosso povo, mas que agora está nas mãos do poderoso Rei, que diz ser o representante de Deus na Terra. 

Nossas mulheres foram raptadas, nossas crianças roubadas e nossos soldados mais vigorosos estão mortos. Não tenho esperança senão na minha pequena horta, que alimenta a mim e à minha família. Enquanto os olhos do Rei não caírem sobre a nossa pequena moradia, nossa vida estará segura.

E um dia, quem sabe, poderemos ver o Sol também.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Não chora

Já é noite de um domingo monótono e frio. Não há nada de valor na tevê. A internet carrega apenas o movimento da maioria, que por vezes não representa muito ou quase nada. Te vejo sentada na cama com o cobertor de lã de cor verde sobre as pernas enquanto olhas fixamente a parede. Porém, teu olhar está em outra dimensão. Não compreendo o que está acontecendo, mas sei que bem não estás. De repente, como se algo chamasse teu nome, olhas para mim e começas a chorar.

Não!...

Colocas a mão no rosto tentando tapá-lo ou escondê-lo de minha visão, mas mesmo se eu não a enxergasse saberia que o meu amor chorava. Corri para abraçá-la, perguntei "o que houve?", mas poucas respostas obtive. Na maioria das vezes escutei "não foi nada", "não é contigo" ou "é comigo mesmo".

Guria, entenda: nada mais é só contigo. O que antes era um, hoje é dois. Tudo foi duplicado e as sensações de nós dois estão mescladas. O que sentes influencia o que eu sinto e vice-versa. Não há nada no mundo ou fora dele que impeça que isso aconteça. Se choras, choro também. 

Enquanto encostavas tua cabeça em meu peito, olhei para cima e procurei alento numa tentativa quase vazia de receber socorro. Não havia nada à nossa volta. Só eu e tu, guria. 

Sequei teus olhos, beijei tua testa e afastei a mecha de cabelo que insistia em tapar os olhos verdes que miravam os meus castanhos. Eu disse "te amo". Tu dissestes "eu também te amo". Peguei na tua mão e uma lágrima no meu rosto escorreu; mesmo assim apertei teu corpo contra o meu e disse "não chora".

Não chora.
Não chora.
Não chora. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sustentação

Às oito da manhã já estou no serviço. Saí de casa com um pouco de atraso. Por conta disso não coloquei nada na barriga. Minha avó já dizia que saco vazio não para em pé, mas eu não sou um saco e permaneço em equilíbrio - dizem que sou um cara legal. As horas vão passando e noto que a fome, volta-e-meia, aparece. Depois some. 

As horas vão passando enquanto acumulo tarefas. Concluo algumas, surgem outras, numa rotina insana e divertida. Quase meio-dia. O pessoal na rua ganha intervalo para o almoço. Algumas vão almoçar, outras aproveitam o tempo para encontrar o grande amor ou pagar contas e outras não têm dinheiro para ir comprar alguma fritura que a sustentem. Eu escolho não comer.

Há muito trabalho e pouco tempo. Não posso ter o luxo de almoçar, conversar um pouco, quiçá palitar os dentes, enquanto tenho pilhas de papeis e matérias à minha espera. A equipe criou uma expectativa e preciso cumpri-la e superá-la sempre quando puder. É a minha vida, é a minha rotina e a fome nada mais é do que mais um obstáculo.

A tarde vem e as pessoas já estão pensando no biscoitinho das quatro horas. Eu me limito a copos de plástico com café quente. A energia proveniente da cafeína é, na verdade, o meu sustento que sustenta também o meu vício pela poderosa bebida preta - qualquer semelhança à bebida refrescante com ratos é mera coincidência, nada mais. O café é a bebida mais forte!

Quase seis horas da tarde. Lembre-se que cheguei ao serviço por volta das oito horas da manhã. São dez horas de jejum e trabalho intenso. Está quase tudo terminado, aliás. Falta pouco para eu regressar à minha casa e, quem sabe, preparar uma torrada. Nada muito interessante, mas ainda assim uma torrada.

As matérias estão prontas e o jornal inicia a poucos minutos. Preciso ir para casa, ligar a tevê, assistir ao que produzi e, só depois disso, tomar um merecido banho. O beijo na esposa também é fundamental e é a primeira atividade ao pisar no carpete da sala. Ela (a esposa), sim, é o sustento, mas que sustenta uma vida, não um dia. 24 horas têm poucos segundos perto do que ela representa na vida de um homem que vê nela a companheira de vida e de histórias. 

O jornal terminou e preparo as roupas para ir ao banho. Finalmente! Antes, porém, minha guria - que há pouco chegou do serviço - me convida para comer umas torradas. Estas feitas por ela - são muito melhores que as feitas por mim. Sento à mesa, preparo o meu pão e espero a torradeira fazer o resto. A minha esposa repete a ação. Nós dois nos beijamos enquanto a massa daquele pão de trigo é torrada pelas chapas quentes do eletrodoméstico que um dia revolucionou o cotidiano das pessoas, passando de nova tecnologia a item quase indispensável da cozinha americana e dos filmes de Hollywood em cenas que retratam o café da manhã. 

O pão salta da torradeira. Pego o meu, ela o dela. Comemos. Sorrimos. Bebemos uma taça de vinho. A beijo na testa e vou, finalmente, ao banho. Enquanto a água cai em meu rosto e o xampu age em meu cabelo, reflito sobre o dia e a fome que sentira mais cedo. Chego à feliz conclusão de que o meu sustento diário é proveniente do amor de minha esposa e da minha felicidade em fazer o que amo. O resto é só comida.

domingo, 15 de setembro de 2013

Com razão

Eu tive razão quando decidi deixar a emoção falar mais alto, o coração bater mais forte, a pupila dilatar e a mão da guria dos olhos verdes pegar. Tive razão, o tempo me deu razão, eu me dei razão, ela deu razão. E aí deixei de lado quaisquer medos que pudessem me fazer evitar a rua pela qual ela passava todos os dias. Ou que me fizessem esquecê-la ou retirá-la dos meus sonhos mais sinceros. Sim, eu sonhei com ela - e ainda sonho, mesmo com ela do lado.

A vida me deu razão, mas a racionalidade que joguei fora ainda grita lá fora, do outro lado do muro, que não há razão nenhuma no que fiz: eu a pedi em namoro após três semanas de conversa e dois dias de beijos. Não foi racional, mas emocional. Com razão.

Desde o dia 22, há quase dois anos, tenho razão.
Todo dia é dia 22.
Todo dia tenho razão.

#22day | #EuTiveRazão

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Janela aberta

A janela está aberta, o vento entra, mas o calor continua a roubar a água do meu corpo que escorre pela testa. Estou sentado numa cadeira da cozinha, daquele tipo bem comum, enquanto admiro o monitor apagado do computador. As horas passam, há textos à minha espera, estou com fome, mas não me movo. Fecho os olhos e trago a escuridão ao quarto que tem a janela arregaçada enquanto lá fora sopram fortes os ventos da primavera. 

A estação das flores murchou a planta da casa. Ela não cresce mais. Água não faz surtir mais nenhum efeito. Há algo muito maior envolvido na morte da planta outrora tão verde e pujante. O que aconteceu?

O tempo livre, por vezes, é uma desgraça. Não há nada melhor do que ocupar a mente. Quiçá colocar os textos em dia solucione os problemas. Só preciso ligar o monitor, mas mover o dedo na escuridão em que me encontro é trabalhoso demais. Os mortais suportam ao suor, às inundações, ao vento frio, mas a falta de luz é algo desleal, que faz do mover o dedo um sacrifício. 

Apenas um ato de fé pode mudar o destino. O retorno da confiança em si próprio é fulcral para as ambições de todo aquele que se sente preso dentro de um quarto com a janela aberta.

sábado, 17 de agosto de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Atente-se, há anjos sobrevoando!

Não pense que são anjos com rostos infantis, bochechas gordas e avermelhadas, além de asas brancas e delicadas. Não. São anjos, guerreiros de guerra, que nos observam. Analisam a ação do homem nesta terra que foi criada ao próprio homem. 

Será que estamos evoluindo ou apenas aceleramos o embate final? O tempo dirá.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O equilíbrio das cores e sensações

Às vezes ingresso em salas amplas, bem iluminadas e de certa forma melancólicas e não sinto absolutamente nada. Em outras ocasiões, entretanto, pareço capaz de mesclar meu corpo à atmosfera de uma casa comprida e tomada por quadros pintados a mão, através de diferentes técnicas e sentidos, e com cores equilibradas. 

Fotografia: José Pacheco
No dia 17 deste mês, por volta das cinco horas da tarde, talvez menos ou um pouco mais, visitei, juntamente com a equipe da TV Câmara, o ateliê Giane Casaretto, no centro da cidade de Pelotas. Subi os poucos degraus, dei boa tarde e ingressei na sala que se tornaria numa das experiências mais surpreendentes já vividas por mim. Observei um dos talentos da casa, a menina Lorena Cunha (foto ao lado), produzir arte.

Logo um quadro me chamou a atenção, depois outro. Meus olhos se perdiam. Eu tentava dar direção à visão, mas cada um tinha seu dom de sedução. No entanto, uma das maiores telas do lugar, senão a maior, me fez parar tudo. Nela, um gaúcho tocava violão enquanto outro observava à distância dois casais dançando. Por mais abstrato que o rosto do gaúcho que dançava ao longe estivesse, não delimitado em traços, via-se expressão. Observei-o por curtos 10 minutos.

Havia mais! A cor das frutas, dos casarões de Pelotas, da tinta ainda fresca na tela inacabada, tudo transmitia arte. Ao fundo, som calmo. A luz do sol invadia a sala e a tornava aconchegante. Conversei brevemente com a arquiteta que deu seu próprio nome ao ateliê. Ela contou que cerca de 20 pessoas produzem arte por lá, a maioria mulheres (elas ainda dominarão o mundo, para o nosso bem).

Convite a passeio. Fotografia: José Pacheco.
As ondas de cor colocadas naquelas telas desenhavam e produziam paisagens que invadiam e povoavam nossa mente, tornando possível que naquelas paredes que seguravam os quadros existissem janelas para outros mundos, onde enxergávamos outras realidades. Às vezes parecia que eu enxergava memórias de outras pessoas ou ainda nossas lembranças de outras vidas.

Às vezes parece que esta não é a vida real.

- - -

Recomendo a vocês a visita ao ateliê Giane Casaretto, que fica na rua XV de Novembro, 817, no centro da cidade de Pelotas. Por fim, agradeço ao José Pacheco, brilhante fotógrafo da TV Câmara, por liberar as fotografias, e ao Edson Luis Planella, coordenador da mesma tevê, por autorizar o uso do material.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O tempo me dá razão

Sinto sensações difíceis de explicar. 

Gosto de receber aquelas ligações inesperadas que foram feitas para informar que do outro lado da linha há alguém com saudade. Convivo com essa rotina tão leve e diferente desde o dia 22 de outubro de 2011. Sim, e hoje é dia 22.

Sempre classifiquei o tempo como meu aliado. Não há solução melhor. Ele me dá razão. 

Coisas simples ocorrem e a gente só percebe quando vive. Com a menina dos olhos verdes vivi muitas “primeiras vezes”. Primeira vez que eu levei ao cinema, ao parque, ao show, à lancheria, à pizzaria, ao jogo do Xavante, a Santa Cruz, ao meu quarto.

No sábado, logo depois de ver meu time ser campeão, eu a vi linda, incrivelmente linda. Mesmo com o salto alto que me deixa ainda mais baixo, pude olhar para cima e enxergar dois olhos verdes, grandes e brilhantes. A beijei e dancei com ela numa festa de 15 anos. Foi a minha primeira vez. De novo.

Ao fundo tocava uma música que nunca tinha ouvido. O nome da música é Vagalumes e que agora povoa a minha mente enquanto escrevo este post que celebra mais um dia 22. Mais um.

O tempo me dá razão. Viu?

Obrigado por tudo, Jess. Por todas as vezes que tu me destes a primeira vez. O bom é que já estamos na segunda, décima, milésima vez. Milésima dança, milésimo beijo, milésimo abraço, milésimo sorriso, encontro, olhar, carinho e amor.

Love is real.

“Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí,
Pra te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor,
Eu só quero amar você,
E quando amanhecer eu quero acordar do seu lado”.

domingo, 7 de julho de 2013

Obrigado, Chico

Confie sempre
por Chico Xavier

Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na Terra, mas o que vem do céu permanecerá. De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo. Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite. Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

domingo, 30 de junho de 2013

Nosso contrato

Não há nada escrito. Não existem pilhas de papéis grampeados com dez mil caracteres e termos jurídicos que firmam, ou não, mútuo acordo. Nosso contrato é oriundo do olhar à meia-noite, com a cabeça sobre o travesseiro. Rostos se encaram, olhares se entrelaçam e o sorriso brota, cresce e assina o termo vitalício de cumplicidade. 

Não ligo se a conta bancária está prestes a ficar no vermelho antes do dia 15 do mês. O importante é ter algo para comemorar no dia 22. Tão logo recebo, protagonizo grandes performances e organizo vasta agenda de atividades. Cinema, comida, algum livro, outra saída, filme em casa e à vontade, além do sono reconfortante na maior cama de casal para solteiro do mundo.

Nosso contrato, enfim, foi firmado à luz do monitor, à luz do celular que desperta às seis da manhã, à luz do olhar esverdeado que ilumina, à luz da própria luz que vem de cima, espanta a escuridão e sinaliza que o dia já chegou.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Os livros me escolhem, não o contrário


- Olá, boa tarde. Posso ver alguns livros?
- Claro, fique à vontade.

O relógio marca 15 horas. Eu e centenas de livros numa sala grande. Poucos são novos. A maioria deles já passeou por diversas mãos. 

Procuro algo legal, diferente e interessante, mas não busco nada específico. Prefiro ir ao sebo para o livro me encontrar. É quase a mesma coisa que aquela história do chapéu da saga Harry Potter, em que o objeto repousa sobre a cabeça e traça o teu destino numa determinada escola. Minha relação com os livros, principalmente nos sebos, funciona assim.

Pois bem. Liberto a minha visão para que ela rastreie potenciais títulos que, de alguma forma, demonstrem que eu preciso deles e eles de mim. Alguns minutos passam enquanto passo a mão nas capas amareladas. Até que, bingo, um livro me chama a atenção. Duplamente. Primeiro porque, de cara, vi que não seria meu, mas serviria de presente a alguém especial. Segundo porque o preço estava ótimo, o livro impecável e era uma biografia entre tantas outras. O livro, de certa forma, saltou aos meus olhos!

Vou levar, penso.

No entanto, na fração de segundo em que pensei em ir ao caixa efetuar a compra e voltar à rua, outro livro me encontra e me encanta. Ele é pequeno, bastante fino, mas com conteúdo de aspecto documental, visivelmente fruto de um trabalho jornalístico e essencialmente humano. O preço é pequeno, apenas R$ 4. Mais um que me ganha.

Finalmente vou ao caixa. Entrego o dinheiro de plástico, digito a senha, pego a nota fiscal e vou embora.

Na minha estante há um novo livro. Na dela também.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O prêmio pelo nada

A vida é injusta desde que mundo é mundo e não vejo meios para mudar esse movimento cíclico.

Complicado visualizar pessoas incrivelmente esforçadas e focadas em seu progresso (seja ele pessoal, moral, financeiro, entre outros) perderem espaço por outros que, pelos mais diversos fatores, exceto o mérito, ocupam lugares incompatíveis do ponto de vista meritocrático. A vida, no entanto, e preciso reafirmar, é injusta e sempre será.

O que me tranquiliza como ser humano e jovem como sou, atualmente com 21 anos, é a observação que faço todos os dias. Vejo que, apesar de injusta as formas de seleção, premiação (em seus mais diversos sentidos) e reconhecimento, os mais esforçados conseguem atingir a maioria de seus objetivos, visto que a escalada ao sucesso não é fácil e o sobrenome pomposo nem sempre segura as pontas na "hora da onça beber água".

O sucesso também não vê mordomia como aliado. 

Só que o triunfo dos inocentes numa guerra injusta pode levar anos para acontecer. Até lá há muito sofrimento, esforço e, acima de tudo, paciência enquanto a escada leva ao alto o menos convicto do que fez, faz ou fará.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Estou te perdendo?

O despertador toca e reclamo. Com os olhos fechados estendo o braço e te procuro, mas o lado direito está frio e vazio. Me levanto e encontro uma carta escrita à mão num papel qualquer. Abro rapidamente e leio lentamente aquelas linhas tortas, palavras escritas com caneta vermelha, cor que simbolizava o sangue que coagulava em meu peito como se alguém tivesse feito um corte profundo.

Te perdi.

Sumistes.

Corri até a porta, olhei para fora, gritei teu nome. Em vão.
Corri à parada do ônibus, mas não havia mais ninguém. Perguntei aos vizinhos, aos desconhecidos, aos Céus, mas nada nem ninguém a viu partir. 

Sair, assim, da minha cama, da minha casa, da minha vida... Por quê? O que fiz? Estou te perdendo? Te perdi?

Me perdi.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lagartear

Como proceder se o meu maior estímulo para levantar da cama às seis da manhã está ao meu lado, dormindo? Não faz muito sentido. Ainda mais quando contextualizamos a cena e constatamos que estamos no inverno e sob cobertas que, com êxito, isolam o nosso calor corporal. Não há lugar melhor no mundo.

No entanto, apesar de lamentar o insano despertador que nos acorda, nos levantamos e damos sequência à nossa rotina. Afinal, o nosso maior estímulo está ao lado, esperando que tenhamos força para abrir a porta, enfrentar o frio e voltar para casa, horas depois, com o dever cumprido e com a certeza de que caminhamos um pouco mais em direção ao futuro, à nossa felicidade.

Percebo, tardiamente, talvez, que nosso maior estímulo está em todo lugar. Aqui ou lá, do meu lado ou à distância, ou ainda em nosso peito. O que nos estimula permanece em nós.

Por isso, olhos de esperança, saí hoje na manhã fria, da mesma forma que fiz ontem e farei amanhã. Porque quero que nossa vida se complete numa sacada, sete horas depois das seis da manhã, sob a luz da sol, ao degustar a nossa bergamota.

Nosso estímulo, por fim, nos faz querer - como se diz no sul - lagartear.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vem que o ônibus vai partir!

Não demora, por favor
Que eu só quero te encontrar
Pra te dar de volta
Tudo o que sonhei
(Lobão)

Quase três horas da manhã, guria. Arruma as malas. Vamos! Vem que o ônibus vai partir. 

Acelera, guria. Não, não precisa passar mais batom. Tá bom assim. (Nossa, como estás linda!) Vem, rápido, vem, por favor.  

Corre! Tá começando a chover. Anda! 

(Lindona. Quando tu corres assim na minha direção o meu mundo para)

Vem! O motorista apressadinho já ligou o motor. Anda, guria!

Vem! Vem me fazer feliz mais uma vez.

sábado, 25 de maio de 2013

Um aviso

A vida é jogo rápido, às vezes injusta, mas toda ação tem uma consequência.

Neste caso as consequências já saltam aos olhos, estão escancaradas e fazem teu peito sangrar. No entanto, apesar de toda a resposta fria da vida, continuas a exercer teu papel medíocre a quem não merece. Porém quero lembrá-la, ó mulher incrível (dos infernos), que a dureza das consequências também aumenta. Não aja como se a batalha estivesse vencida. A guerra já terminou, de fato, mas tu fazes parte do lado derrotado.

A vida não perdoa. É um aviso.

Já saiu de casa quem mais tu querias que permanecesse. É assim mesmo. Só lamento.

A vida não perdoa. É um aviso.

Não sei a quem enganas. Porque nem cara de santa tens. Estás mais para algo diabólico, sujo e caído junto ao paralelepípedo da tua rua fria, sem luz nem lua.

Ela virá. Ficará conosco. E tem o que teus filhos não têm e nunca terão: uma mãe bonita.

"As tesouras que cortam cabelos também cortam coração, incluindo (e somente) o teu".

A vida não perdoa. Último aviso.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Te trago esta flor

Porque hoje é dia 22.

Ah, Jéssica, minha amiga, minha amada. Mais um mês completado. 

Somos fortes e intransponíveis como um muro alto no meio da floresta. Estamos cercados de proteção, apesar das tochas vindas de todas as direções, principalmente dos soldados entrincheirados em nosso próprio território.

No entanto, vencemos batalha por batalha. A vitória nesta injusta e ímpia guerra - parafraseando o hino gaúcho - virá! Avante!

Do sempre, sempre teu,

Pepê.

One year and seven months | #22day

terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu preciso de coragem!

Agora é diferente.

Um dia ajoelhei-me em frente à imagem de São Jorge no meu quarto enquanto chorava. Pedi com fervor para que protegesse a minha avó. 

Precisei de coragem para seguir em frente depois daqueles dias tão desleais.

Hoje peço mais coragem, mais força, mais fé. Temo o futuro, calculo minhas atitudes e oro para estar certo, no caminho correto, a caminho da minha felicidade.

Peço coragem para aguentar tantas atitudes antagônicas à minha frente.
Peço força para consolar àquela que é maior do que eu e que precisa de todo o meu afeto e amor.
Peço garra para enfrentar as adversidades.
Peço paciência, além de tudo.

No entanto, é nessas horas em que peço coragem que percebo o quão forte sou. O quanto já fiz para estar aqui. Todos têm suas batalhas particulares. Outras mais difíceis, outras mais longas. Mas a minha eu conheço. 

Eu tenho brio e vou em frente!
Hoje é dia de luta.
Há um futuro à minha espera.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Olhar

Há sempre um outro olhar. Outra opinião. Não há somente dois lados. Há três, quatro, seis mil diferentes visões. 

Minha ideia acerca deste post é uma. As outras cabem a vocês.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Reflexão

É sobre a minha avó materna, Marilda, ou para seus netos apenas vó Iaiá. Ela deixou este planeta em 2003. Eu estava na quinta série.

Se foi, mas ainda está aqui, dentro de mim. Além de avó, era minha madrinha. Dizia a mim que se eu não a beijasse eu não cresceria. Meus beijos ela sempre teve, portanto - e teria independente de qualquer coisa. Acredito que ela estava certa, pois depois não cresci como deveria. Os beijos fizeram falta.

Nunca esqueço. Meu pai, na madrugada em que ela estava na U.T.I., me disse: "se tua avó se for vai ser uma 'bomba arrasa quarteirão', Pedro Henrique". Verdade. E foi, infelizmente. Ninguém acreditou. Muito menos eu. Como minha avó, aquela que me beijava como se fosse a última vez ou como se disso dependesse meu crescimento, poderia ter ido tão nova, tão cedo?

A resposta nunca terei.

No entanto, no último texto publicado neste blog, "Fazia tempo que não via", escrito no último dia 19, dia do índio e dia do aniversário de minha avó, conta muita coisa. Percebi isso há um dia.

O texto conta, de modo direto, sem rodeios, o que presenciei numa manhã fria de Pelotas, enquanto me dirigia ao estágio. No entanto percebi que não era só isso. Lembrei da flor rosa que o menino segurava com tanto esmero. A flor era idêntica às flores que nasciam de uma árvore que minha avó plantou e cuidou com tanto carinho. Árvore que foi resgatada após um temporal que a arrancou do solo. 

A flor do menino era igual.

Pode ter sido coincidência. Pode. As cores eram iguais, a flor era igual, tudo igual, mas tudo pode ter sido "obra do acaso". Mas pensando melhor, e acreditando em algo maior do que apenas o que conseguimos enxergar, talvez aquela flor simbolizasse que a minha vó Iaiá não está apenas dentro de mim, mas em todo o lugar em que eu for.

Fico contente. Aliviado. Me sinto amado e beijado por ela. Voltarei a crescer.

Fazia tempo que não via...

Postado originalmente no dia 19 de abril de 2013, no Facebook. Recebeu 42 "likes". As pessoas ainda respiram esperança.

Fazia tempo que não via uma cena tão motivadora.

Hoje de manhã, por volta das oito horas, eu caminhava calmamente pela XV de Novembro. À minha frente pai e filho caminhavam juntos. O pequeno não devia ter mais do que cinco anos e ia à escola enquanto puxava uma mochila de rodinhas dos Cavaleiros do Zodíaco. Por si só isso já chama a atenção, visto que vivemos a era Ben 10. No entanto, foi outra coisa que realmente fez a diferença.

O guri arrancou uma flor. A única num raio de dois quilômetros. Para alguns pode representar uma violência à natureza, mas não. Apesar dos fones de ouvido escutei que a flor seria entregue à professora. Poxa, há muito tempo não via algo parecido. Já no meu tempo de ensino fundamental, quando ainda chutava garrafas pet para jogar futebol no recreio, era difícil ver algo do tipo. Tal atitude era restrita ao dia do professor - e quando havia alguma flor na jogada. Muitas vezes a data passava em branco.

Ele podia estar com sono, sem vontade de ir ao colégio ou ansioso para jogar videogame novamente. Poderia, mas não esqueceu da professora ao ver aquela flor rosa numa rua tão cinzenta e fria.

Às vezes parece que não, mas ainda existem atitudes bonitas e, geralmente, elas vêm dos pequenos. Que bom! Que bom. Valeu o dia.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

One year and six months

Mais um mês. Totalizando 18 meses de namoro.

É, mas parece que foi ontem que recebi uma solicitação de amizade na rede social azul de uma guria da minha turma de Jornalismo. Diferente das outras vezes, além de aceitá-la, mandei uma mensagem de boas-vindas. Não era do meu feitio, mas era diferente apesar de eu não saber ainda disso. Fui mais além e a incluí na minha rede de contatos no messenger. Pronto! Depois disso passamos a nos falar todos os dias, indo, inclusive, até às cinco da manhã. A conversa era muito boa, muito engraçada, muito dinâmica. Parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Tipo aquelas histórias de crianças que estudaram juntas e que se encontraram dez, quinze anos depois. Mágico.

Nos encontramos apenas em 2011. Eu com 19, ela também. Poderia ter sido bem antes, mas se foi assim era para ser. O importante é que nossa conversa e nosso entendimento supera o tempo com grande facilidade. Tempo, aliás, que nunca é suficiente. Quero vê-la sempre mais. E os dias em que estamos juntos parecem minutos.

Enfim, hoje é mais um dia 22. O 18º. O mais bonito disso tudo é que em nosso peito e em nossa alma queremos mais. Porque juntos somos mais fortes.

Te amo, Jess. Obrigado pelos maravilhosos 18 meses. O guri, ao teu lado, cresceu e agora toca o céu com a ponta dos dedos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não posso me calar

Por favor. Por favor! Pare e pense. Pense com a tua cabeça.

Por favor. Por favor! Não seja tola. Viva a vida. Acorda! (literalmente)

Por favor. Por favor! A vida tá passando ao lado. George já cantava para todo mundo ouvir que o sol estava chegando. Aproveite! Não troque o dia pela noite.

Por favor. Por favor! Fale frente a frente. Covardes, aqui, não são bem-vindos.

Por favor. Por favor! Pare com isso. Parabéns pelo nível "boxeador de teclado". Que avanço!

Por favor. Por favor! Eu estou bem. No caminho certo. Vou ao estágio, ao outro estágio, conquisto notas altas, boas falas, só bem quisto. Encontrarão defeitos meus, óbvio, mas nunca acomodação - digo apenas por mim.

Por favor. Por favor! Cuidado com as "amizades". Geralmente a maioria é de festa, mas as tuas - pelo que se percebe - nem para festas servem. Parabéns! :D

Por favor. Por favor! Escute John Lennon como sempre escutei. No entanto, não ofenda a ele nem à sua obra. Ele fala de amor. Aja de acordo com isso.

Por fim, por favor!, se não entendeu até agora não entenderás mais.

É isso. Já não posso mais me calar.

sábado, 30 de março de 2013

Ah, o futebol...

Na minha visão, ao escolher um clube de futebol para torcer, deve-se ter em mente toda a história de fundação da agremiação que defenderás nas arquibancadas. Tomo como exemplo aqueles clubes que no início de sua existência não admitiam negros em seus elencos. Eu nunca torcerei para uma agremiação desse tipo.

No entanto, às vezes as pessoas apenas simpatizam com o clube por causa de seu estádio, sua torcida, seu distintivo, sem levar em conta toda a sua trajetória. Acredito que nesse caso não há maiores problemas, porque apenas gostas da cor da camisa ou da torcida extraordinária, nada mais do que isso. Não é preciso, com isso, conhecer toda história da agremiação e concordar, se for o caso, com ela.

Eu, por exemplo, torço exclusivamente para o clube de minha cidade, o Grêmio Esportivo Brasil, fundado em 1911. Porque sua origem é nobre, pois abrangeu a parcela mais humilde da cidade e combateu de peito aberto os clubes da elite. Nada contra a elite, mas esta não aceitava negros. Quem é de Pelotas entende o que estou dizendo. Além disso, o Xavante, como é conhecido o clube, justamente por ter abraçado a parte humilde da cidade, possui uma torcida imensa e apaixonada. Atualmente possui torcedores de todos os tipos e cores. Nas arquibancadas do estádio Bento Freitas todos são iguais porque todos são Xavantes. Meu clube já disputou as finais do campeonato brasileiro de 1985 e foi o terceiro colocado naquela edição. O Flamengo de Zico sucumbiu ao time dos "Negrinhos da Estação". Foi lindo.


Também nutro simpatia por diversos clubes do futebol mundial. O que mais me atrai é o Fulham Football Club, agremiação fundada em 1879, na gigante Londres (Inglaterra). É um clube simpático e com uma história bonita, distintivo muito interessante e dono de um dos estádios mais bonitos do planeta, o Craven Cottage. Atualmente o clube disputa a English Premier League, a primeira divisão inglesa. Tenho duas camisas desse clube tão grandioso.
Admiro também um clube italiano. Bem mais vitorioso do que o Fulham, a Juventus Football Club, de Turim, acumula títulos e histórias incríveis. É a agremiação que melhor representou seu país pelo mundo e possui a maior torcida da Itália. Fundada em 1897, La Vecchia Signora disputa a primeira divisão italiana e avança a passos largos rumo a mais uma conquista na competição.

Portugal também detém um clube que me chamou atenção ainda quando criança. O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1906 na capital Lisboa. O motivo pelo qual comecei a gostar do Sporting foi a camisa branca com listras verdes na horizontal. Atualmente disputa a primeira divisão portuguesa e possui 18 taças dessa competição.
Na Espanha minha atenção é direcionada ao Valencia Club de Fútbol, da cidade de Valência. Sempre achei lindo o distintivo do clube apesar de conhecer pouco dessa agremiação. Outro clube que me chama a atenção, desta vez pela sua história, é o Club Atlético de Madrid, o Atlético de Madrid, que historicamente faz frente a um dos maiores clubes do planeta, o Real Madrid. Gosto do Atlético por enfrentar o rival que, décadas passadas, foi ajudado por um ditador espanhol que não merece ter seu nome citado.


Por fim, nutro especial apreço por outro clube inglês. No entanto, este joga a terceira divisão inglesa, a League One. O Cheltenham Town Football Club, fundado em 1887, joga no charmoso estádio Whaddon Road. Torço para que o clube continue a desempenhar as suas atividades e, assim, orgulhar o seu torcedor conhecido como The Robins.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sereno

Ah, tenho pressa para muitas coisas, para a maioria delas. Pressa para ir ao banco, à farmácia. Pressa em atravessar a rua, a arrumar a cama, a secar a louça para ajudar a mãe querida que faz aquele bolo de chocolate cheiroso. Tenho pressa em crescer, em ser alguém melhor, em orgulhar meus pais. Tenho pressa em ser bom exemplo à minha irmã, pressa ao descer de elevador e subir pelas escadas.

Tenho pressa, definitivamente.

O amor, sem querer, nunca foi motivo de pressa. Sempre o quis, desejei ferozmente em alguns momentos, mas o tratei como algo que viria naturalmente. Aos poucos. Com calma. Diferente do meu comportamento, mas encarei dessa forma.

E ele veio. Gostei.
Veio e ficou. Gostei mais ainda.
Parece que não irá embora. É, eu gosto do amor!

Curti viver essas coisas. Ficou muito mais interessante o cair do Sol, ao longe, até sumir por trás das árvores cheias de pássaros cantarolantes.

"É sereno o nosso amor", cantou Renato Russo. É verdade. Nosso amor é calmo, tranquilo, mas temos pressa!
Pressa em viajar por mil estradas sobre duas, quatro rodas.
Pressa em entrar num daqueles prédios grandes com salões enormes e dançar a música mais bonita. Pressa em acordar cedinho, preparar o café e rir um pouco mais pela manhã.
Pressa em escrever um livro, um recado no guardanapo do barzinho ou um bilhete no bolso do casaco velho e desbotado.
Pressa em chegar à parada do ônibus para ir ao cinema e pressa para chegar lá e ver os trailers dos próximos filmes.
Pressa em abraçar mesmo sabendo que ele será lento em sua execuação - porque queremos assim.
Pressa em nos formarmos na faculdade.
Pressa em comprar aquela roupa bonita para a festa.
Pressa em te levar para sair.
Pressa em ficar contigo.
Porque nosso amor é sereno.

terça-feira, 26 de março de 2013

Amor sabor Nutella

(Ainda) Não somos casados. Pensando melhor, não tenho uma definição para explicar o que somos, de fato. Sendo pragmático, vos digo que somos namorados. O que é uma grande verdade. No entanto, acredito que reunimos diversos fatores que extrapolam isso. Por exemplo: fomos ao supermercado. Chegando lá buscamos pesquisar e comparar os preços de produtos que, em tese, oferecem as mesmas condições ao consumidor, como chocolate da marca X comparado ao da marca Y. Assim fomos. Como não somos casados - o que deixei claro desde o início do texto - não buscamos fazer o rancho para o mês, comprar sabão em pó ou a laranja que está faltando na cesta. Colocamos no carrinho, um a um, pacotes de biscoitos, chocolates e, claro, Nutella. Somos assim.

Minutos antes, outro exemplo, passamos e quase infartamos - com educação - ao entrarmos numa loja que vende bonecos simplesmente perfeitos, de personagens como Mario, Freddy Krueger ou as esferas do Dragão. Perto dali fomos a uma loja que comercializa produtos relacionados ao rock and roll. Babamos, quase literalmente, pelas camisas de The Beatles, Pink Floyd e Pearl Jam. Também perto dali, compramos uma Rolling Stone porque há, na capa, a banda Pearl Jam e em seu interior bandas como The Beatles e Muse. Também olhamos vitrines, trocamos beijos e olhares, além de conversarmos sobre os mais diversos assuntos. Somos assim.

Incrivelmente gostamos de tudo que o outro gosta. Por exemplo, eu gosto de mim e ela também. Ouvimos quase todas as mesmas músicas, crescemos jogando os mesmos jogos, comemos os mesmos alimentos. Parece - apesar de ser clichê - que fomos feitos um para o outro. Sem mentira!

Não sei até quando esse encantamento vai durar. A princípio, e acredito, que não vai cessar nunca, visto nossas afinidades e nosso tremendo entendimento. Nos respeitamos e vivemos o mesmo sonho: vivermos nossa própria vida em nossa própria casa, andando no nosso próprio carro e comprando a nossa Nutella. Simples. Não precisamos muito mais do que isso.

Não mudaremos. Porque amanhã compraremos a mesma Nutella de hoje à tarde.

terça-feira, 12 de março de 2013

Reparta a beterraba

Acho que foi um sonho, faz muito tempo, mas não posso afirmar nada. Talvez tenha acontecido realmente e minha memória me faz lembrar apenas do importante. Era manhã, talvez sábado ou domingo, e o sol estava imponente no céu azul. Meio-dia. A comida estava sendo preparada e eu estava sentado à mesa à espera da refeição. Estava com fome. Não era fome velha, graças a Deus, mas estava ansioso pelo prato quente de comida feita com tanto esmero. De repente é colocado no meio da mesa uma tijela com rodelas de beterraba. Eram várias. Elas tinham uma cor muito bonita e era possível ver o sal por cima. O cheiro era incrível. Peguei uma rodela e comi. Rapidamente peguei mais uma. Continuei a repetir a ação mais e mais vezes e em menos tempo. Já era tarde de mais quando percebi que tinha comido todas as beterrabas do prato. Só havia resquícios do azeite.

As panelas vieram e com elas a surpresa. Quem estava preparando a refeição viu que não havia mais beterrabas e ficou chateada. “Poxa! Comeram todas. Nem me esperaram terminar o restante”. Talvez não tenha sido essas palavras, ou ainda nem tenham existido, mas é assim que recordo. Fiquei envergonhado comigo mesmo. Não tive a intenção, mas cometi o ato irresponsável e egoísta – por que não? – de matar a minha fome sem pensar nas consequências. Depois daquele dia procurei repartir tudo o que possuo. Não que eu vá sair por aí distribuindo minhas camisetas, mas nunca negarei uma quando for preciso.

Hoje reparto a beterraba.
Reparta as tuas também.
Teu prato ficará bem mais farto.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Encontre o valor de x

Nos últimos dias tenho vivenciado momentos únicos e, até então, nunca imaginados. Explico, com a calma que não tenho, como encontrar o valor de x. Ela presta atenção, por vezes mostra sinais de insegurança, mas continua.

"Menos com menos, mais. Mais com menos, menos". E ela continua. "Três vezes três dá nove. Nove vezes três dá 27". E persiste.

Enquanto ela procura a resposta numa equação qualquer, tipo - 2x + 1 . (2 + 3 - 4 . + 5)² : 10² + 5 . 2, sei que já encontrei o resultado. Ela ainda não percebe, mas compreendi uma equação muito maior. O valor de x ainda não foi obtido, mas achei na minha mãe o desejo de reencontrar aquele caminho abandonado há tantos anos.

Ela agora procura o valor de x após ver que seu irmão - portanto meu tio - ingressou na universidade. Um serviu de inspiração ao outro. Que, por sua vez, inspiram o filho e sobrinho.

Continua a procurar o valor de x, mãe. Prossiga. No final verás que a resposta está, na verdade, no sorriso do teu orgulhoso filho.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Areia

Pisei na areia num dia de chuva. 

Fui teimoso e saí mesmo com o céu fechado, mesmo depois de ter visto nuvens negras a caminho. Eu saí e pisei no barro. Sim. Fiz isso porque eu quis. Foi minha vontade.

No entanto, após caminhar por tanto tempo na chuva, a gente cansa. Desisti de sentir frio, de ficar molhado, de ficar andando por caminhos embarrados e completamente encharcados.

Voltei para casa. Tomei um bom banho e dormi. No outro dia, fui limpar os meus sapatos embarrados pelo longo temporal, pela chuva que durou longos anos. O barro ainda estava lá, mas seco, nas ranhuras marcadas no solado. Peguei os dois calçados e bati um contra o outro. Aquela crosta começou a se desprender e a cair. Restou, no fim, apenas pó. 

Pó de uma areia que um dia foi de uma terra cheia de esperança, mas que não resistiu ao clima, à chuva e ao desrespeito.

Hoje caminho por trilhas bem mais secas e bonitas. Hoje - há mais de um ano - o sol me acompanha. Por entre árvores, os raios da maior estrela da Terra atingem o meu rosto e os meus sapatos. Estes agora secos e limpos.

Piso na areia num dia bonito.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sono


"Pedro Henrique... acorda! São sete horas"

Quêêêê?

"Tá na hora. Levanta!"

Táááá...

Geralmente é assim o começo de mais um dia. Levanto da cama sem me acordar. É sono atrasado. Horas de descanso que substituí por alguns trabalhos acadêmicos que exigiam urgência. Acontece sempre e em todos os semestres. Não foi uma, duas ou três noites em claro. Foram mais. Chegar de virada no estágio sem ter ido a nenhuma festa é rotina. É estranho conversar com alguém enquanto estás praticamente dormindo. A pessoa fala, gesticula e tu ali, no sofá, numa luta contra as pálpebras. Batalhas em vão. Irás, por dez segundos, no mínimo, fechar os olhos e adormecer. Não tem escapatória.

Bebo um, dois, três copos de café. Com açúcar. Prefiro sem. Mas bebo porque preciso tirar a sonolência do corpo. As pessoas que falam comigo não merecem o meu cochilo como feedback. Mas eu mereço mais algumas horas de sono.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lógica

A lógica da pirâmide invertida me diz que o mais importante vem primeiro.
É uma técnica interessante que exige cuidados técnicos.
No entanto, quando o assunto é importância
tudo fica mais claro. Pois sei que
o mais importante é
ela.

Se

Se no futuro houver dias bons como alguns que tive, tenho a certeza de que serei
o guri mais feliz do mundo,
o homem mais feliz do planeta,
o jornalista mais informado da história.

Se não for, posso dizer que ao menos hoje sou
o guri mais feliz do mundo,
o homem mais feliz do planeta,
o jornalista mais informado da história.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Por que culpar o carnaval?

Eu não sou carnavalesco, apesar de já ter ido algumas vezes à passarela do samba. No entanto, sinto a necessidade de comentar sobre a festa popular em razão dos grandes problemas envolvendo o carnaval pelotense deste ano. 

Após confronto entre Brigada Militar e membros de bandas carnavalescas, o fato tomou conta da imprensa, das discussões políticas e das redes socias. Em muitas postagens pela web, pessoas questionam a razão pelo qual o carnaval ainda existe, além de acusar a festa de ser a responsável pela saúde sucateada, pelas escolas sem estrutura, pelo buraco na rua tal, enfim, por todos os problemas da cidade.

Em primeiro lugar, concordo que há prioridades, como a saúde. Nosso pronto-socorro, que atende a toda a região sul, não tem leitos para todo mundo, além de faltar médicos e equipamentos. É assunto urgente. Tem que ser resolvido para ontem!

Nossa segurança também não caminha bem. Todos conhecem alguém que já foi assaltado uma, duas ou três vezes, até mais, pelas ruas de Satolep.

Nossa educação, pss, assim como no resto do país, sofre com a falta de investimento e maior atenção por parte de nossos governantes. Professores recebem salário baixíssimo, alguns deles também não mostram qualidade, e nossas crianças têm cada vez mais dificuldades para aprender a ler e escrever. E a interpretar, o que é ainda mais importante.

Pelotas também vem sofrendo com as chuvas que sempre alagam os bairros e o centro; com o lixo jogado pelos próprios pelotenses; com a falta de indústrias e, consequentemente, empregos melhores e disponíveis a todos. Pelotas sofre com a falta de progresso.

Agora, uma pergunta: o que o Carnaval tem a ver com isso tudo? Ele não é, em hipótese alguma, responsável por todos os problemas. A verba destinada às escolas é pequena. Não é suficiente para bancar boa parte do investimento das escolas de samba - nem perto disso. O pagamento também atrasa, conforme relato dos presidentes das entidades. 

O governo municipal, obviamente, gasta uma grana na construção da passarela do samba. Não tenho fontes disponíveis aqui, mas ouvi que a obra foi orçada em cerca de R$ 370 mil. Poderia ser investido em saúde, não é mesmo? Mas há verba para isso. E deveria haver mais! Mas por que, pelo bigode do Super Mario, tirar dinheiro do carnaval que é, para muitas pessoas, importante e a única fonte de lazer do ano?

Não me interessa se menos da metade da cidade curte carnaval. Essa festa popular, tão bem praticada há décadas em Pelotas, chegando a ser considerada uma das melhores do país, é uma festa do povo. Se não gostas, paciência. Também não gosto de tantas coisas e convivo muito bem com isso. O mundo é interessante justamente pelas diferenças. No entanto, não aguento ler pedidos para o "fim do carnaval" porque não há saúde. Ora, não há saúde porque nossos governantes são incompetentes! 

Vote melhor e cobre de quem for eleito. Não jogue a culpa da saúde nas costas dos carnavalescos. Eles só querem folia, assim como seus antecessores queriam e tiveram há trinta, quarenta, cinquenta anos.

Já fomos menos egoístas.

Ocupados! (one year and four months)

Tchê, hoje já é dia 25, três dias depois do dia tão especial que vem se repetindo a cada mês. Completamos um ano e quatro meses e não escrevemos nada. Que pena. É que, na verdade, estávamos ocupados aproveitando a vida, o amor e a música.

Palavras não seriam suficientes. Nunca foram.
Valeu, Jess.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Insisto

Não estrague.
Não pense pelos outros.
Não aja de forma irracional.

Caso erre, tudo bem.
Reconheça a falha.
Aceite, mas não a repita.
E tudo ficará bem.

Brigue com quem não te liga!
Que não liga!
Que não conversa!
Que cobra!
Que não cede!
Que não pensa em ti!

Eu penso.
Eu desejo.
E eu insisto: não estrague.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A rua

Nos dias de calor quase infernal, lembro-me daquelas tardes de outono em ruas vazias. Lembro-me do meio-fio da calçada cheio de folhas secas. Recordo-me da cabeça cheia de ideias. Lembro-me de pedalar sem destino nem importância. Apenas decidia passar por aquela rua quieta, fria e tranquila.

Tempo em que andava por vias esburacadas para chegar ao calçamento desnivelado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Trevo de quatro folhas

Tropecei, mas não caí. Tudo faz muito sentido, mas não entendo nada. O sol está forte e brilhante, em meio a nuvens, enquanto pássaros cortam o azulado céu infinito. De repente, encontro um trevo de quatro folhas. O arranco com todo o cuidado e o coloco - como minha avó me disse, anos atrás - dentro do livro. "Para dar sorte nos estudos". Talvez dê tudo certo a partir de agora.

Continuo. Há muito calor e poucas sombras. As poucas árvores que existem no caminho nos convidam a parar e dormir sob a refrescante proteção natural; mas não posso dar fim aos meus passos que, por ora, estão acelerados. Preciso chegar no fim desta estrada porque há uma árvore com uma sombra muito, mas muito maior. Gigantesca. Incomparável.

Lembram-se do trevo de quatro folhas? Ele continua dentro do livro. Está me proporcionando sorte nos estudos. Assim posso aproveitar melhor as oportunidades e seguir em frente com tranquilidade. Sereno e convicto do que quero piso forte na empoeirada via de acesso ao sucesso.

Espero que o trevo de quatro folhas resista ao calor. Ainda falta muito.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sem controle

Às vezes eu perco o controle, guria. Fico louco, suo muito. Não durmo direito, não leio e não raciocino. Às vezes a insanidade quase toma conta e o ciúmes inexistente então surge.

Eu estava sonhando com o passado,
E meu coração estava batendo rapidamente,
Eu comecei a perder o controle,
Eu comecei a perder o controle...*


A dor subia à cabeça. Eu queria me afastar de ti. Não queria que tuas mãos tocassem nas minhas nem a porra da aliança no dedo. Em meu peito havia o sentimento de não merecê-la, de não poder beijá-la nem amá-la por muito tempo mais. Tive medo.

É que tive um sonho. Nele eu te perdia. Naquelas perdas irreparáveis. Te via caminhar para nunca mais regressar. Aquele teu sorriso tão belo, agora quase de despedida. Lembro com tristeza de ti virando a cabeça para frente, rumando a um destino oposto ao meu.

Oposto do que é o nosso objetivo. É meu maior medo. Não vá...

Eu estava me sentindo inseguro,
Você poderia não me amar mais,
Eu estava tremendo por dentro,
Eu estava tremendo por dentro...*


O sonho era tão real dentro da minha cabeça que resolvi deixá-lo acontecer. Talvez esse cara não seja eu, pensava. Talvez eu esteja viajando na 1ª classe com uma passagem cortesia. Em algum momento serei convidado a me retirar.

Acreditei que o momento havia chegado. Resolvi tentar me retirar da tua vida retirando a minha mão suada da tua tão amigável, tão macia e divina.

Falei bobagens. Fiquei nervoso, tenso e incrivelmente chato. Tudo era motivo para perder o controle, perder totalmente o controle, te perder.

Eu estava sonhando com o passado,
E meu coração estava batendo rapidamente,
Eu comecei a perder o controle,
Eu comecei a perder o controle...*


Perdão, meu amor. Desculpa-me pelos meus erros e julgamentos infundados. Eu estava mergulhado num pesadelo, numa areia movediça. Preso num buraco, acorrentado em muros altos num continente distante. Eu estava me sentindo longe de ti, longe de nosso sonho, de nosso amor.

Eu já estava sentindo saudades dos nossos planos...
 
Eu não pretendi te ferir,
Eu sinto muito se te fiz chorar,
Oh não, eu não quis te ferir,
Eu sou apenas um rapaz ciumento...*

Fique, permaneça ao meu lado. Não suma na escuridão. Seja o meu raio de sol naquela manhã fria. Fique. Por favor. Eu te amo. Fique.

E olhe para trás. Talvez eu esteja correndo em tua direção.

* Trechos da música Jealous Guy, de John Lennon

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Love is real! (um ano e três meses)

O tempo passa, a vida ensina.
Somos teimosos e apaixonados.
E continuamos a caminhar
Enquanto a galera xia.

Isto não é poesia
Nem falsas palavras.
Apenas a amo com se fosse minha
Quando, de fato, eu sou dela.

Lutamos juntos,
Crescemos lado a lado,
Choramos e sorrimos
A cada novo obstáculo.

O dia 22 surge mês a mês.
Mas o nosso amor
É cultivado dia a dia.

Porque love is real
E John Lennon nos contou
Que o tempo passa, a vida ensina.

22 de outubro de 2011
22 de janeiro de 2012
22 de algum mês de infinito

domingo, 20 de janeiro de 2013

Eu não disse que eu entendia Lennon? (e vice-versa)

Saboreie:


Perguntaram a John Lennon:
- Por que você não pode ficar sozinho, sem a Yoko?
E ele respondeu:
- Eu posso, mas não quero. Não existe razão no mundo porque eu devesse ficar sem ela. Não existe nada mais importante do que o nosso relacionamento, nada. E nós curtimos estar juntos o tempo todo. Nós dois poderíamos sobreviver separados, mas pra quê? Eu não vou sacrificar o amor, o verdadeiro amor, por nenhuma piranha, nenhum amigo e nenhum negócio, porque no fim você acaba ficando sozinho à noite. Nenhum de nós quer isto, e não adianta encher a cama de transa, isso não funciona. Eu não quero ser um libertino. É como eu digo na música, eu já passei por tudo isso, e nada funciona melhor do que ter alguém que você ame te abraçando.


Obrigado, Lennon. Obrigado por ter existido.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Entendendo John Lennon

Não, não entendi, apesar do título afirmar que sim. Apenas desloco alguns fatos de sua vida, parte de suas letras, outra tanto de seu comportamento e recolo nos espaços vazios que existem em minha existência. Ao ver todas as peças colocadas em seus devidos lugares então percebo que, em tese, e para a minha surpresa, entendo o grande Lennon. Pois passo por situações semelhantes, não iguais; porque amo como um louco e desejo que o mundo vire de ponta cabeça. Porque me vejo em um mundo paralelo ao ouvir as suas músicas, ao entender as suas letras, ao viver a minha vida.

Entendo John Lennon. Logo me entendo também.

Se segura John, John se segure
Vai ficar tudo bem
Você vai ganhar a luta

Se segura Yoko, Yoko se segure
Vai ficar tudo bem
Você vai fazer o voo

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Feridas na alma

O dia havia sido tranquilo. Após chegar trinta minutos mais tarde em casa do que de costume, um furacão covarde resolve bagunçar a cabeça, os sentimentos e o espírito. Após diálogo de cerca de cinco minutos, que mais pareceu durar centenas de anos, a carne sangrou e o espírito viu perder um pouco do seu brilho. 

No dia em que descobri ter conquistado mais um dez numa avaliação da universidade, fui chamado de ignorante pela pessoa que mais amo na vida. Ela não estava sob efeito de álcool nem drogas. Estava sóbria, sã e consciente dos seus atos. Não obstante, desferiu mais algumas palavras que torturam e continuam a martelar dentro da cabeça. Enquanto minhas lágrimas de tristeza e profunda decepção escorriam por toda a face, ouvi o golpe final: pode chorar, Pedro Henrique. Pode chorar.

Feridas assim não cicatrizam nem são curadas com pedidos de perdão. Elas permanecem abertas, sangrando e ardendo por toda a eternidade. Memórias inesquecíveis e que levam ao delírio, ao desespero e ao medo. 

Não sei mais o que pensar. Também não sei o que fazer. Apenas sinto uma enorme necessidade de gritar por auxílio e acordar vinte quarteirões ao meu redor. 

A dor que sinto não cabe no peito. A ferida está ardendo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estou aqui

Abra os teus olhos e contemple o amor mais puro. Sinta a mão quente que seca as tuas lágrimas, acaricia teus cabelos e que pressiona teu queixo como se dissesse para ter calma, pois agora estás em segurança. 

As ruas desertas cheias de gente, as lágrimas afiadas que deixavam cicatrizes no rosto e lâminas no antebraço estão no passado. 

À sua frente há um rapaz mais baixo, mais estressado e mais amigo do que os outros abrindo caminho enquanto golpeia os galhos que bloqueiam a passagem e impedem a visão de um futuro bonito. Apenas siga os passos do guri que emprestou o próprio agasalho para te aquecer na manhã gelada, que te liga à noite para saber se estás bem, que larga o que estiver fazendo e fica ao lado da porta te esperando.

Apenas deixe a vida acontecer. Fique tranquila. Há amores que surgem do nada e permanecem por tempo indeterminado. Há almas que se encontram após trilharem caminhos completamente diferentes. Há pessoas dispostas a dedicar toda sua existência para, assim, dividi-la com alguém. Há um guri feliz e orgulhoso por estar ao teu lado.

Esqueça o que não merece ser lembrado. Olhe para o objeto prateado e brilhante em teu dedo e sinta o coração, que está em outra parte da cidade e em outro corpo, bater por dois.

O vazio pode ainda estar vazio, mas agora, no fundo da caixa empoeirada, há uma alma olhando por ti, te protegendo. Lá há um guri que é teu amigo, teu guardião e namorado. 

Estou aqui.