A alta temperatura me acorda no meio da noite. A grande janela está aberta, as cortinas balançam devagar com o vento que entra e invade o meu quarto. O ventilador velho, que já enfrentou muitos verões, tenta resfriar o meu corpo que está quente por fora, frio por dentro.
Saudade. Sinto saudade. Muito mais saudade do que calor, aliás. Acordo no escuro e procuro alguma coisa sem enxergar nada. Bato com a mão no colchão e vou avançando, explorando cada centímetro do lençol. Eu estou com saudade de tê-la ao meu lado.
É uma saudade que sufoca, que dá sede, tira a fome, tira o sono, incomoda, me imobiliza. A procuro nos cantos da casa, na rua, no carro, nas fotografias, na memória, nas mensagens recebidas. Não a encontro.
São mais de quinhentos mil metros de distância. São mais de setenta e uma mil calçadas iguais a que existe em frente à minha casa, uma ao lado da outra. Todas elas nos separam.
Acordo à noite. Acordo mais cansado do que quando fui dormir. É difícil sorrir de forma completa quando não se tem por perto quem amamos.
É uma distância passageira. Em breve esse muro gigantesco que nos separa será derrubado e nossos peitos irão se encontrar. E o som do coração será, novamente, um só.
Enquanto isso, ó meu Deus, a procuro em vão.
Que saudade.












