E saí. Mais tarde, e em Pelotas, resolvi visitar perfis alheios. E um dos que visitei foi o dela. Não entrei direto nos álbuns, preferi ler sobre a pessoa que estaria naquelas imagens. E me surpreendi, principalmente com isto:
"Meu Deus!", pensei. E parti aos álbuns. Após todo esse "estudo", observei mais atentamente alguns dados que antes não tinha analisado com tanta atenção. Onde nasceu?, Quantos anos?, Relacionamento?. E parti em busca do e-mail. Eu tinha duas opções: a) procurar e encontrar o MSN entre as informações de contato, e torcer para ser aceito; ou b) pedir o MSN e torcer para ser aceito.
Encontrei o endereço eletrônico dela! Todos vibram em suas casas, acompanhando atentamente ao reality show que ocorria. Os Deuses faziam isso, é claro. E o ponteiro do relógio se movimentava, o tempo passava, a música tocava e eu a adicionava. E torcia.
Fui aceito! Havia conseguido as fichas para o fliperama. Fase 1 completa! Avancei. E eu só tinha uma chance, uma "vida". Era jogar e torcer para que nenhuma coceira no nariz acabasse com o meu jogo, obrigando-me a ler a mensagem "game over". De novo.
"Ah! de novo, não. Por favor!"
Resposta imediata. Um novo nome aparecia em minha lista de contatos. Jéssica Backes Gebhardt era a novidade mais esperada dos últimos dez minutos. "Gebhardt lembra GEB; Grêmio Esportivo Brasil! Foda."
Abri a janela, vi a foto e iniciei os trabalhos. Precisava conhecer, estudar, analisar. Quem é?, como é?, o que faz e o que não faz? Solteira, namorando, ficando, casada, enrolada? Não quer ninguém, quer todos, gosta de doce, odeia café? Games?! Que história é essa, guria?! Me conta mais. Escreva, digite uma mensagem. Converse.
Horas se passaram. A conversa já estava avançada.
PH: E Doom? Conheces, Jéssica?
Jéssica: Mas assim estás de brincadeira comigo!
É claro que ela conhecia. Mas é claro, Pedro Henrique! És um blogueiro desconfiado e um tanto ingênuo, guri. "Será que é real?", perguntava.
Tudo podia mudar. E isso seria bom ou ruim? Não sabia até então. Precisava tentar, ao menos. Tentei e falhei tantas e tantas vezes que fracassar mais uma vez não iria fazer muita diferença. "É tudo experiência", criando desculpas a mim mesmo.
A noite foi longa. Comecei a chamá-la de Jéss. Comecei a chamá-la assim porque parece nome de protagonista de algum jogo viciante. Ela é viciante e um jogo maluco que adoro jogar. "Até amanhã, gamer."
Que fantástico, Pedro Henrique! Uma guria que compartilha os teus gostos. Vocês iriam trocar CD's e DVD's, arquivos e livros. E, quem dera, saliva.
A próxima noite foi tão boa quanto a primeira. E assim foi dia após dia. Até quando perguntei se ela tinha alguém. É claro que foi bem à la Pedro Henrique. "Meu amigo quer saber..."
"Sou solteira, sim."
Fase 2 completa! Obrigado, senhores e senhoras. Os Deuses batiam palmas em frente à TV enquanto comiam pipoca. O programa estava bom demais. Fui dormir.
No outro dia, a revelação. "Meu amigo quer saber se tem alguma chance, Jéss..."
"MAS É CLARO!" (assim mesmo!)
Coração acelera. Mãos suadas. Olhos não acreditam no que leem.
"Pooooooooorra! É isso, guri.", pensei e vibrei.
Os Deuses já choravam a essa altura. Todos choravam. O mundo vibrava. Uma flor nascia em algum lugar. O outro dia nasceu mais feliz. O sol foi mais quente, a luz mais brilhante, os pássaros mais cantantes.
Vem comigo, vai ser divertido... Barão Vermelho - vem comigo.
Vai ser divertido. Ah! se vai. E foi.
Nos encontraríamos na faculdade. Cheguei mais cedo, caminhei devagar. Ray-Ban na face, cabelo ao vento, bandeiras tremulantes e as mãos no bolso. "Ela veio, está lá! Sentada e me esperando. E como é linda, puta que pariu..."
A vi. Fiz que não vi. Lançar um charme: passada de mão no cabelo para trás. É uma arma secreta - nem sempre funciona. "Oi, Jéss".
Tentei beijá-la. O rosto foi desviado. "O que houve, meu Deus?!"
Clima de tensão na sala dos Deuses. Eles ouviram o "Meu Deus" e diziam que não sabiam.
"Continua, mortal!"
"Vamos para a beira do São Gonçalo?", pergunto. Resposta: vamos.
Tem que ser agora! E o "agora" chega. O primeiro beijo, olhar e abraço.
Os Deuses vibraram. Comemoraram. Eu também vibrei. Eu precisava dela e ela de mim.
E agora estamos juntos. E felizes.
Eu finalizei todas as fases, venci todos os chefões. Recuperei minhas vidas. Agora preciso salvá-la para nunca mais perdê-la...
PEDRO HENRIQUE WINS! (finalmente!)