Só que ainda quero sentar ao lado da janela.
A 41ª Feira do Livro de Pelotas terminou há poucos dias. Ocorreu no Mercado Público ao invés da Praça Coronel Pedro Osório, onde normalmente acontece todos os anos. A mudança dividiu opiniões e parece que em 2014 a feira retorna à praça, mas não é disso que falarei.
Envolve a feira, os livros, o público e principalmente os lançamentos. No último dia 17, um domingo, a professora Loiva Hartmann lançou o CD "Poesias". O disco foi produzido por ela e traz poemas de dois livros também lançados pela professora. São eles "Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?".
Recebi o convite para conferir o lançamento. A própria produtora do CD que enviou a mensagem. Revelou que o fundo musical carrega o som do piano do impressionante Richard Clayderman. As palavras foram escritas por ela, e como ela mesma mencionou, trazem veracidade. As poesias são declamadas por Otávio Soares, homem bastante conhecido na cidade.
No entanto, apesar do convite para o lançamento, mesmo sabendo que lá estariam amigos, teria autógrafos e muitos textos verossímeis, não pude comparecer. Eu, definitivamente, perdi o bonde.
Por tal razão, publico aqui neste espaço o meu apreço pela obra. Ouvi trechos do trabalho e com certeza está encantador. Minha ausência sempre é física, mas nunca é de alma. De alguma forma eu compareço, mesmo que por pensamento. No entanto, lamentei não ter ido ao lançamento. Motivos maiores do que eu.
É engraçado pensar também na forma como conheci a professora Loiva. Foi no Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), local que abriga a história e mantém vivo o maior escritor pelotense. Casa que sempre me acolheu de braços abertos como se eu fosse um personagem vivo das histórias do Capitão. Foi lá que a vi pela primeira vez. Conversei um pouco e fui presenteado com livro, DVD e ata do Núcleo de Estudos Simonianos (NES). A partir dali originou-se uma agradável entrevista que foi publicada na Folha do Instituto. Desde então a professora Loiva me convida para eventos - como o lançamento de seu CD - e liga até para desejar feliz Natal e um próspero ano novo.
Pessoas assim, como Loiva, encontramos no varejo, não no atacado. Quando chegamos ao pequeno armazém, que comercializa produtos da terra, cultivados próximo dali, precisamos apontar ao vendedor o que queremos levar para casa. Às vezes é difícil e é preciso olhar com considerável persistência. Diferentemente do atacado. Produtos iguais, de fácil manuseio e descarte. Não duram muito em nossas vidas.
Por fim, outro fato a distingue. Tomei conhecimento de que a professora sempre presenteia o IJSLN com erva-mate da marca Barão. Ela se preocupa até com o mate na Casa do Capitão. Fica a dúvida: teria o conto O Mate do João Cardoso alguma influência nessa história interessante?
É. O bonde já está a quilômetros daqui. Tentei correr para tomá-lo de assalto, mas não obtive êxito. Fiquei ali, no ponto, esperando o próximo. Persistente que sou permanecerei firme à espera do bonde e do assento ao lado da janela.

