terça-feira, 26 de novembro de 2013

Perdi o bonde

Só que ainda quero sentar ao lado da janela. 

A 41ª Feira do Livro de Pelotas terminou há poucos dias. Ocorreu no Mercado Público ao invés da Praça Coronel Pedro Osório, onde normalmente acontece todos os anos. A mudança dividiu opiniões e parece que em 2014 a feira retorna à praça, mas não é disso que falarei.

Envolve a feira, os livros, o público e principalmente os lançamentos. No último dia 17, um domingo, a professora Loiva Hartmann lançou o CD "Poesias". O disco foi produzido por ela e traz poemas de dois livros também lançados pela professora. São eles "Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?". 

Recebi o convite para conferir o lançamento. A própria produtora do CD que enviou a mensagem. Revelou que o fundo musical carrega o som do piano do impressionante Richard Clayderman. As palavras foram escritas por ela, e como ela mesma mencionou, trazem veracidade. As poesias são declamadas por Otávio Soares, homem bastante conhecido na cidade.

No entanto, apesar do convite para o lançamento, mesmo sabendo que lá estariam amigos, teria autógrafos e muitos textos verossímeis, não pude comparecer. Eu, definitivamente, perdi o bonde.

Por tal razão, publico aqui neste espaço o meu apreço pela obra. Ouvi trechos do trabalho e com certeza está encantador. Minha ausência sempre é física, mas nunca é de alma. De alguma forma eu compareço, mesmo que por pensamento. No entanto, lamentei não ter ido ao lançamento. Motivos maiores do que eu.

É engraçado pensar também na forma como conheci a professora Loiva. Foi no Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), local que abriga a história e mantém vivo o maior escritor pelotense. Casa que sempre me acolheu de braços abertos como se eu fosse um personagem vivo das histórias do Capitão. Foi lá que a vi pela primeira vez. Conversei um pouco e fui presenteado com livro, DVD e ata do Núcleo de Estudos Simonianos (NES). A partir dali originou-se uma agradável entrevista que foi publicada na Folha do Instituto. Desde então a professora Loiva me convida para eventos - como o lançamento de seu CD - e liga até para desejar feliz Natal e um próspero ano novo. 

Pessoas assim, como Loiva, encontramos no varejo, não no atacado. Quando chegamos ao pequeno armazém, que comercializa produtos da terra, cultivados próximo dali, precisamos apontar ao vendedor o que queremos levar para casa. Às vezes é difícil e é preciso olhar com considerável persistência. Diferentemente do atacado. Produtos iguais, de fácil manuseio e descarte. Não duram muito em nossas vidas.

Por fim, outro fato a distingue. Tomei conhecimento de que a professora sempre presenteia o IJSLN com erva-mate da marca Barão. Ela se preocupa até com o mate na Casa do Capitão. Fica a dúvida: teria o conto O Mate do João Cardoso alguma influência nessa história interessante?

É. O bonde já está a quilômetros daqui. Tentei correr para tomá-lo de assalto, mas não obtive êxito. Fiquei ali, no ponto, esperando o próximo. Persistente que sou permanecerei firme à espera do bonde e do assento ao lado da janela.

sábado, 16 de novembro de 2013

O tempo e o inverno

Se a nossa história escrita a lápis se apagar com o tempo e os rigorosos invernos o que eu posso fazer? 

Tudo começa com todo o gás. O segredo é distribuí-lo de forma correta. Não muito rápido como o tempo nem muito lento como o bocejar de um bebê cansado. 

Nós recebemos objetivos no momento em que respiramos pela primeira vez. Não tem nada a ver com religião. É que a vida assim prossegue.

Nada terminou. Depois de tudo estruturas foram montadas. Muitas delas para a vida inteira. Ensinamentos infinitos, estes sim escritos à caneta. 

Comparando o antes com o depois é fácil perceber que és uma nova e ainda mais forte mulher. Teus olhos transmitem mais confiança e o verde está ainda mais verde. O reluzir de tu'alma alcança céus inalcançáveis às almas comuns. Caminhas determinada a chegar ao destino. Estás mais relaxada, mais feliz, mais tu mesmo. Aquelas velhas feridas e brechas ainda não foram totalmente preenchidas, e talvez nunca serão, mas elas estão mais quietas. Não se manifestam tanto nem com a mesma intensidade de antes.

Muita coisa mudou.

Os altos e baixos se foram. As decepções ainda compõem o cenário da tua vida, pois todos convivemos com elas, mas não são constantes. De vez em quando surgem, mas há braços sinceros dispostos a abraçá-la e confortá-la, pois as decepções - sabes bem - não virão de quem te abraça.

Muito ficou para trás. Agora queres o que vem à frente.

Nossa história, boa parte dela, já foi passada a limpo. As novas folhas receberam as nossas lembranças. Pouca coisa foi modificada e tudo o que foi escrito nestas linhas é à caneta. Tinta preta na maior parte do tempo. Vermelho para as coisas do coração.

Se a nossa história vai ser totalmente escrita à caneta e vai enfrentar o tempo e os rigorosos invernos o que posso fazer? Bem, eu pensaria primeiramente em preparar um chocolate quente...

domingo, 3 de novembro de 2013

Vencemos!

O sol está indo embora e nós estamos aqui. O exército de duas pessoas balança a bandeira da vitória. Aqui, no ponto mais alto da Terra. Eu e ela, lado a lado, de mãos dadas, celebramos a nossa conquista.

Foi uma luta complicada, que espalhou a nossa alma pelo chão e fez jorrar sangue de nossas feridas, mas ainda assim resistimos, lutamos e vencemos!

Os inimigos eram muitos. Invisíveis, cruéis e utilizavam táticas friamente calculadas em porões obscuros do bairro. Rodearam os nossos amigos e tentaram nos atingir através deles; escreviam com a intenção de ferir com palavras como se estas fossem flechas advindas de um arco maligno; arquitetaram por diversas vezes discussões que, na verdade, não eram nossas; e contrataram, por fim, mercenários para ganhar a nossa confiança e, na trincheira, desferir o golpe fatal.

Vencemos, apesar de tudo. 

A vitória foi justa nesta injusta guerra. 
O suor de nossa luta se transformou em lágrimas.
No fim o maior prêmio foi o nosso beijo ao nascer do sol, iniciando um novo dia.

sábado, 2 de novembro de 2013

O silêncio é sempre maior

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
O silêncio é sempre maior. Engenheiros do Hawaii
Muitas vezes me peguei ansioso esperando por aquele dia que demora a chegar. Momento para relaxar um pouco mais do que o normal, escutar uma boa música, ler um livro, ficar com quem a gente gosta. O problema é quando esse dia chega e o silêncio toma conta do ambiente de uma forma inexplicável. A boca fica seca, os olhos atônitos e as mãos suam frio. Não há o que dizer, definitivamente.

Geralmente busco respostas nas músicas, mas nem sempre elas têm as palavras certas para dizer. Ouvi Engenheiros do Hawaii e eles foram sinceros: por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior. 

O que mais incomoda - e que paradoxalmente me deixa inquieto - é o barulho desse silêncio. É ensurdecedor. Parece que estamos em um estúdio sombrio. Não há som externo. Só ouvimos porque estamos dentro de tal sala. A qualidade sonora é alta, mas o que escutamos não é bom de se ouvir nem dizer.

Não há o que dizer.

Eu confio na humanidade, apesar dos pesares. 
Eu confio em mim, apesar das incertezas. 
Eu confio na vida e no que ela pode proporcionar, mesmo sabendo que coisas boas e ruins vêm e vão.
Agora, não posso confiar por dois.

Pensamentos invadem o meu crânio sem anestesia. Estes cortam a minha pele e empapam a faca com o meu sangue. Tento gritar, mas quem deve ouvir está tentando dormir com a luz acesa.

A quem pedir socorro?

Às vezes penso em malhar, aprender alguma outra língua, mas sei que é perda de tempo. A grama do vizinho é sempre mais verde, mas isso num mundo de aparências. Merda, este é o nosso mundo.

Tento exercitar ao máximo a minha sinceridade, mas nem sempre consigo falar a verdade. Minto com o meu sorriso, mas meus olhos, janelas de minh'alma, denunciam o sofrer de meu peito.

Eu ainda vou dar um voto de confiança para a vida. Sei que depois de toda tempestade vem a calmaria, a paz tão desejada e quiçá, Deus queira, as atitudes de se entregar ao outro como se estivéssemos há mais de 700 dias juntos. Tempo suficiente para olhar nos olhos e sorrir. 

Quero saber com quem divido a cama, o lanche da tarde e, num futuro próximo, talvez, a vida. Por enquanto os muros e os inimigos estão vencendo... e o silêncio é maior.

O inimigo conhece o campo tanto como eu. E isso sangra.