Já é noite de um domingo monótono e frio. Não há nada de valor na tevê. A internet carrega apenas o movimento da maioria, que por vezes não representa muito ou quase nada. Te vejo sentada na cama com o cobertor de lã de cor verde sobre as pernas enquanto olhas fixamente a parede. Porém, teu olhar está em outra dimensão. Não compreendo o que está acontecendo, mas sei que bem não estás. De repente, como se algo chamasse teu nome, olhas para mim e começas a chorar.
Não!...
Colocas a mão no rosto tentando tapá-lo ou escondê-lo de minha visão, mas mesmo se eu não a enxergasse saberia que o meu amor chorava. Corri para abraçá-la, perguntei "o que houve?", mas poucas respostas obtive. Na maioria das vezes escutei "não foi nada", "não é contigo" ou "é comigo mesmo".
Enquanto encostavas tua cabeça em meu peito, olhei para cima e procurei alento numa tentativa quase vazia de receber socorro. Não havia nada à nossa volta. Só eu e tu, guria.
Sequei teus olhos, beijei tua testa e afastei a mecha de cabelo que insistia em tapar os olhos verdes que miravam os meus castanhos. Eu disse "te amo". Tu dissestes "eu também te amo". Peguei na tua mão e uma lágrima no meu rosto escorreu; mesmo assim apertei teu corpo contra o meu e disse "não chora".
Não chora.
Não chora.
Não chora.
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