O dia havia sido tranquilo. Após chegar trinta minutos mais tarde em casa do que de costume, um furacão covarde resolve bagunçar a cabeça, os sentimentos e o espírito. Após diálogo de cerca de cinco minutos, que mais pareceu durar centenas de anos, a carne sangrou e o espírito viu perder um pouco do seu brilho.
No dia em que descobri ter conquistado mais um dez numa avaliação da universidade, fui chamado de ignorante pela pessoa que mais amo na vida. Ela não estava sob efeito de álcool nem drogas. Estava sóbria, sã e consciente dos seus atos. Não obstante, desferiu mais algumas palavras que torturam e continuam a martelar dentro da cabeça. Enquanto minhas lágrimas de tristeza e profunda decepção escorriam por toda a face, ouvi o golpe final: pode chorar, Pedro Henrique. Pode chorar.
Feridas assim não cicatrizam nem são curadas com pedidos de perdão. Elas permanecem abertas, sangrando e ardendo por toda a eternidade. Memórias inesquecíveis e que levam ao delírio, ao desespero e ao medo.
Não sei mais o que pensar. Também não sei o que fazer. Apenas sinto uma enorme necessidade de gritar por auxílio e acordar vinte quarteirões ao meu redor.
A dor que sinto não cabe no peito. A ferida está ardendo.
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