quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que torna o simples em especial

Obviamente o Natal - o verdadeiro; aquela festa em que se celebra o amor e a esperança e se presenteia com troca de mais amor e esperança - não é uma data simples, muito menos dia normal. É, na verdade, e com todos os méritos, um dia bastante especial. No entanto, as pessoas e as palavras certas podem torná-lo numa lembrança inesquecível. Memória que se marca com ferro quente no meio do coração, não na mente. É aquele tipo de recordação que fica guardada no consciente e inconsciente. Armazenada n'alma.

Hoje, no fim do dia 25 de dezembro, portanto Natal, sofri uma queimadura no fundo do peito. Em meio aos batimentos cardíacos, acompanhados do barulho do ponteiro do relógio na parede do quarto, ouvi de minha namorada que este foi o melhor Natal que ela já viveu em toda a sua existência.

Pessoa certa e palavras certas. O Natal de 2012 foi um dia especial.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Duas décadas + 1

Há 21 anos, num quarto de hospital universitário, nasci. Meu primeiro ato ao chegar neste lugar com tanta gente, tanta vida e tantos Xavantes, foi chorar. Não fui às lágrimas por achar que o futuro seria algo torturante. Chorei por, finalmente, concretizar o sonho de um pai e, principalmente, de uma mãe que aguardaram, se esforçaram e sonharam com o dia do meu nascimento.

Talvez o meu primeiro espetáculo, se é que teve algum, foi o de exibir aos meus familiares mais próximos a mancha negra de nascença que possuo. No antebraço direito, bem no meio, está o sinal que me acompanha até hoje. De lá para cá, tento arrancar aplausos dos que me rodeiam, mas nunca, em hipótese alguma, para massagear o meu ego. Apenas quero traçar no mapa o caminho até o pote de ouro, ao sucesso, à realização profissional. Se houver reconhecimento e sorrisos, melhor.

Não sou o melhor cara do mundo nem o mais fora do padrão - há outros por aí que criam os seus próprios padrões e meios de viver a vida. Também bebo Coca-Cola, assisto futebol, leio, namoro e até assisti ao filme Strip-Tease, anos atrás, com a TV no mudo e escondido dos meus pais, assim como todo mundo. Eu e você fazemos parte de um planeta recheado de padrões e quebra de padrões. Eu tento criar o meu, simplesmente.

Também já tive muitos amigos. Talvez eu não tenha tantos como antes, mas possuo o suficiente. Afinal, possuo meus pais, minha irmã, minha namorada e mais algumas almas que, longe ou perto, batalham comigo por campos abertos localizados no velho mundo.

Olhando para trás e relendo este post chego à conclusão de que minha bagagem já foi de mão. No entanto, agora minha existência requer malas maiores e mais resistentes a temporais e ao rigoroso inverno. Guardo as melhores lembranças nos pequenos compartimentos ao lado das fotografias antigas. Possuo no rosto o beijo de mãe que me pede para tomar cuidado e nas costas as digitais de um pai que abraça e vê no filho a sua própria imagem. Se engana quem pensa que frequento aeroportos com minhas malas pesadas, mas reconheço perambular por estações de trem. Quem gosta de avião é minha irmã, que espera ansiosamente na sessão de embarque com destino a Madrid.

Enfim, minha vida pode ser resumida em 21 palavras, 21 parágrafos, 21 páginas ou 21 segundos. O que importa é que completo 21 anos sem ter mudado os meus objetivos e meu estilo de vida.

Agradeço, por fim, ao rock and roll que é minha companhia diária há bons longos anos e à minha namorada que tornou o meu caminho mais verdes com os seus olhos, estes também verdes.

Estou mais velho e à espera de novos desafios.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Filho da mãe!

Os pingos de chuva persistem em cair na noite escura e quente. Parado enquanto aguardo a chegada do ônibus, o rapaz observa o vermelho mudar para verde que, por sua vez, passa para amarelo, retornando, enfim, ao vermelho, num ciclo infinito. Refiro-me aos semáforos presentes numa encruzilhada. Duas ruas se cruzam, fazendo do vai-e-vem de automóveis algo bastante comum.

Enquanto a fraca chuva molhava lentamente o asfalto, uma cena chamou-lhe a atenção.
"Cê tá loco?!... Filho da mãe!"
A dona de tal frase era uma senhora de, aparentemente, 65 anos. Com cabelos brancos e um cachorrinho da raça poodle preso pela coleira, a mulher atravessava a rua, calmamente. Ela estava sob chuva e sobre a faixa de pedestres. O semáforo mostrava o sinal de cor rubro para veículos. Tudo dentro dos conformes.

No entanto, um automóvel de cor escura, tão escura quanto aquela noite, surgiu. Sempre avante, o veículo não freou, apesar do sinal vermelho, da faixa de pedestres e da senhora que transitava calmamente com o pequeno cachorro de pelos brancos. O motorista da caminhonete ignorou todos os fatos que obrigavam-no a parar e passou em frente à senhora, desprezando, pois, o direito alheio de trafegar em segurança.

Nada mais natural, portanto, a reação da senhora através de uma frase pragmática e assertiva.
[...] Filho da mãe!
Depois de presenciar cena tão incomum, louco seria não transpô-la ao papel. A atitude daquele filho da mãe não poderia ser ignorada da mesma forma que o sinal vermelho foi.

22.12.2012

O mundo não acabou e nem poderia. Afinal, como iria terminar um dia antes de eu completar um ano e dois meses de namoro com a Jess? Seria injusto.

Novamente completamos mais um mês. Em nosso namoro há muito mais sorriso, mais afeto, mais respeito. Não brigamos, não batemos boca, não ferimos. Há companheirismo mútuo. Nosso relacionamento não é um fardo em nossas vidas, não é impecilho, não nos tira a liberdade. Pelo contrário, nos dá asas para voar, pernas para andar e um sonho para sonhar. Basicamente isso.

Grande amor cultivamos em nosso peito.

PH

sábado, 15 de dezembro de 2012

Raios de esperança (part two)

Acordei cedo. O café quente esquenta a caneca e o aroma toma conta do ar. Abro a janela como se abrisse uma nova porta para o futuro. Vejo que a luz do sol ilumina o que antes fora escuridão. Realmente o sol nasceu. Ele voltou e trouxe os raios de esperança.

Bobagem ter questionado o seu retorno. Renato Russo já cantava há muito tempo e me dizia. Eu que não dei ouvidos.

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã...
(Mais uma vez - Renato Russo)

Obrigado.

O sol (part one)

O sol vai morrendo ao final do dia. No céu, os últimos raios da estrela de fogo tentam resistir pintando a paisagem de um laranja quase sangue, enquanto a escuridão vai tomando conta, pouco a pouco.

Embaixo de uma árvore, dou a primeira mordida no sanduíche gelado. Não há nada por lá. Apenas ouço o som das águas e da folha de alface sendo triturada por dentes amarelados. Não há pássaros cantando porque não há alegria, não há mais sol. Resta apenas o silêncio de bocas que não mais falam, apenas mastigam.

O sanduíche, lentamente, vai diminuindo de tamanho. Não há sabor nem cheiros. Cada fatia daquele pedaço de comida parece um grande monte de migalhas do que já foi um dia enorme banquete.

O sol continua a morrer. O fogo daquela estrela parecia infinito, incrivelmente quente e invencível, mas basta algumas horas para tudo definhar. Não há volta, não há dor, não há pena. A escuridão esconde e esfria tudo. O que já foi vibrante, agora está estagnado. Não há revolta, mas grandes e repentinas rupturas.

Não há mais saída. Não há escapatória. A boca tenta romper o silêncio, mas as palavras regressam tão rapidamente que fica a sensação de que nada mais pode ser dito, ouvido ou sentido. O muro está alto demais e não sei se há alguém do outro lado à minha espera.

Espero que o sol regresse amanhã.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Vencerei. Com certeza.

Neste instante, na madrugada de quinta para sexta-feira, cai uma chuva de meteoros. Dentro da minha mente também chove, mas ao invés de grandes pedaços de matéria, caem ideias, dúvidas, receios e certezas.

Cultivo ideias para o futuro, projetos e planos que podem abrir outras portas (quiçá janelas) que me ajudarão a enfrentar a vida; e, posteriormente, vencê-la. Além das ideias, veem os receios e as dúvidas. "Vai dar certo?", penso. "Não vai dar certo...", concluo, pessimista. Cuidado com as trevas, canta George Harrison. Disso tudo, após ouvir o grande Beatle, chego às certezas.

Tenho certeza que farei o melhor possível.
Tenho certeza que minha existência não será em vão.
Tenho certeza que minha coragem é suficiente para transpor os maiores muros.
Tenho certeza que os medos que se aproximam não me assustam, apenas me deixam em estado de alerta.

Vencerei. Com certeza.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

UPDATE: Sorrindo para a morte

Postado originalmente no dia 07 de maio de 2011 
 
 
Ontem, ao "pegar" o ônibus para casa, depois da faculdade, deparei-me com uma cena triste, com a qual refleti muito.

22h30min, aproximadamente. Subo no ônibus, passo a carteirinha da passagem, e sento-me mais ao fundo. Enquanto ajeitava-me e guardava minha carteira, um homem chamou-me a atenção: - Isso aqui é teu? Indagou-me. Olhei para o seu pé, o qual estava sobre um maço de cigarros e respondi que não. Depois de minha negativa, ele virou-se para outro rapaz e repetiu a pergunta, e ouviu a mesma resposta. Imediatamente, pegou o maço caído e comemorou: - Bah, rapaz, "tá" quase cheio. E sorriu, satisfeito.

Virei-me para a janela e passei a observar os veículos passarem, enquanto lamentava a cena que há poucos segundos presenciara. Sabe, é triste ver alguém comemorar ao encontrar um maço de cigarros. Certamente, o homem avaliou o achado como uma economia para o bolso, mas não percebeu que a única economia feita é a de sua vida.