quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sem controle

Às vezes eu perco o controle, guria. Fico louco, suo muito. Não durmo direito, não leio e não raciocino. Às vezes a insanidade quase toma conta e o ciúmes inexistente então surge.

Eu estava sonhando com o passado,
E meu coração estava batendo rapidamente,
Eu comecei a perder o controle,
Eu comecei a perder o controle...*


A dor subia à cabeça. Eu queria me afastar de ti. Não queria que tuas mãos tocassem nas minhas nem a porra da aliança no dedo. Em meu peito havia o sentimento de não merecê-la, de não poder beijá-la nem amá-la por muito tempo mais. Tive medo.

É que tive um sonho. Nele eu te perdia. Naquelas perdas irreparáveis. Te via caminhar para nunca mais regressar. Aquele teu sorriso tão belo, agora quase de despedida. Lembro com tristeza de ti virando a cabeça para frente, rumando a um destino oposto ao meu.

Oposto do que é o nosso objetivo. É meu maior medo. Não vá...

Eu estava me sentindo inseguro,
Você poderia não me amar mais,
Eu estava tremendo por dentro,
Eu estava tremendo por dentro...*


O sonho era tão real dentro da minha cabeça que resolvi deixá-lo acontecer. Talvez esse cara não seja eu, pensava. Talvez eu esteja viajando na 1ª classe com uma passagem cortesia. Em algum momento serei convidado a me retirar.

Acreditei que o momento havia chegado. Resolvi tentar me retirar da tua vida retirando a minha mão suada da tua tão amigável, tão macia e divina.

Falei bobagens. Fiquei nervoso, tenso e incrivelmente chato. Tudo era motivo para perder o controle, perder totalmente o controle, te perder.

Eu estava sonhando com o passado,
E meu coração estava batendo rapidamente,
Eu comecei a perder o controle,
Eu comecei a perder o controle...*


Perdão, meu amor. Desculpa-me pelos meus erros e julgamentos infundados. Eu estava mergulhado num pesadelo, numa areia movediça. Preso num buraco, acorrentado em muros altos num continente distante. Eu estava me sentindo longe de ti, longe de nosso sonho, de nosso amor.

Eu já estava sentindo saudades dos nossos planos...
 
Eu não pretendi te ferir,
Eu sinto muito se te fiz chorar,
Oh não, eu não quis te ferir,
Eu sou apenas um rapaz ciumento...*

Fique, permaneça ao meu lado. Não suma na escuridão. Seja o meu raio de sol naquela manhã fria. Fique. Por favor. Eu te amo. Fique.

E olhe para trás. Talvez eu esteja correndo em tua direção.

* Trechos da música Jealous Guy, de John Lennon

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