sábado, 30 de março de 2013

Ah, o futebol...

Na minha visão, ao escolher um clube de futebol para torcer, deve-se ter em mente toda a história de fundação da agremiação que defenderás nas arquibancadas. Tomo como exemplo aqueles clubes que no início de sua existência não admitiam negros em seus elencos. Eu nunca torcerei para uma agremiação desse tipo.

No entanto, às vezes as pessoas apenas simpatizam com o clube por causa de seu estádio, sua torcida, seu distintivo, sem levar em conta toda a sua trajetória. Acredito que nesse caso não há maiores problemas, porque apenas gostas da cor da camisa ou da torcida extraordinária, nada mais do que isso. Não é preciso, com isso, conhecer toda história da agremiação e concordar, se for o caso, com ela.

Eu, por exemplo, torço exclusivamente para o clube de minha cidade, o Grêmio Esportivo Brasil, fundado em 1911. Porque sua origem é nobre, pois abrangeu a parcela mais humilde da cidade e combateu de peito aberto os clubes da elite. Nada contra a elite, mas esta não aceitava negros. Quem é de Pelotas entende o que estou dizendo. Além disso, o Xavante, como é conhecido o clube, justamente por ter abraçado a parte humilde da cidade, possui uma torcida imensa e apaixonada. Atualmente possui torcedores de todos os tipos e cores. Nas arquibancadas do estádio Bento Freitas todos são iguais porque todos são Xavantes. Meu clube já disputou as finais do campeonato brasileiro de 1985 e foi o terceiro colocado naquela edição. O Flamengo de Zico sucumbiu ao time dos "Negrinhos da Estação". Foi lindo.


Também nutro simpatia por diversos clubes do futebol mundial. O que mais me atrai é o Fulham Football Club, agremiação fundada em 1879, na gigante Londres (Inglaterra). É um clube simpático e com uma história bonita, distintivo muito interessante e dono de um dos estádios mais bonitos do planeta, o Craven Cottage. Atualmente o clube disputa a English Premier League, a primeira divisão inglesa. Tenho duas camisas desse clube tão grandioso.
Admiro também um clube italiano. Bem mais vitorioso do que o Fulham, a Juventus Football Club, de Turim, acumula títulos e histórias incríveis. É a agremiação que melhor representou seu país pelo mundo e possui a maior torcida da Itália. Fundada em 1897, La Vecchia Signora disputa a primeira divisão italiana e avança a passos largos rumo a mais uma conquista na competição.

Portugal também detém um clube que me chamou atenção ainda quando criança. O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1906 na capital Lisboa. O motivo pelo qual comecei a gostar do Sporting foi a camisa branca com listras verdes na horizontal. Atualmente disputa a primeira divisão portuguesa e possui 18 taças dessa competição.
Na Espanha minha atenção é direcionada ao Valencia Club de Fútbol, da cidade de Valência. Sempre achei lindo o distintivo do clube apesar de conhecer pouco dessa agremiação. Outro clube que me chama a atenção, desta vez pela sua história, é o Club Atlético de Madrid, o Atlético de Madrid, que historicamente faz frente a um dos maiores clubes do planeta, o Real Madrid. Gosto do Atlético por enfrentar o rival que, décadas passadas, foi ajudado por um ditador espanhol que não merece ter seu nome citado.


Por fim, nutro especial apreço por outro clube inglês. No entanto, este joga a terceira divisão inglesa, a League One. O Cheltenham Town Football Club, fundado em 1887, joga no charmoso estádio Whaddon Road. Torço para que o clube continue a desempenhar as suas atividades e, assim, orgulhar o seu torcedor conhecido como The Robins.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sereno

Ah, tenho pressa para muitas coisas, para a maioria delas. Pressa para ir ao banco, à farmácia. Pressa em atravessar a rua, a arrumar a cama, a secar a louça para ajudar a mãe querida que faz aquele bolo de chocolate cheiroso. Tenho pressa em crescer, em ser alguém melhor, em orgulhar meus pais. Tenho pressa em ser bom exemplo à minha irmã, pressa ao descer de elevador e subir pelas escadas.

Tenho pressa, definitivamente.

O amor, sem querer, nunca foi motivo de pressa. Sempre o quis, desejei ferozmente em alguns momentos, mas o tratei como algo que viria naturalmente. Aos poucos. Com calma. Diferente do meu comportamento, mas encarei dessa forma.

E ele veio. Gostei.
Veio e ficou. Gostei mais ainda.
Parece que não irá embora. É, eu gosto do amor!

Curti viver essas coisas. Ficou muito mais interessante o cair do Sol, ao longe, até sumir por trás das árvores cheias de pássaros cantarolantes.

"É sereno o nosso amor", cantou Renato Russo. É verdade. Nosso amor é calmo, tranquilo, mas temos pressa!
Pressa em viajar por mil estradas sobre duas, quatro rodas.
Pressa em entrar num daqueles prédios grandes com salões enormes e dançar a música mais bonita. Pressa em acordar cedinho, preparar o café e rir um pouco mais pela manhã.
Pressa em escrever um livro, um recado no guardanapo do barzinho ou um bilhete no bolso do casaco velho e desbotado.
Pressa em chegar à parada do ônibus para ir ao cinema e pressa para chegar lá e ver os trailers dos próximos filmes.
Pressa em abraçar mesmo sabendo que ele será lento em sua execuação - porque queremos assim.
Pressa em nos formarmos na faculdade.
Pressa em comprar aquela roupa bonita para a festa.
Pressa em te levar para sair.
Pressa em ficar contigo.
Porque nosso amor é sereno.

terça-feira, 26 de março de 2013

Amor sabor Nutella

(Ainda) Não somos casados. Pensando melhor, não tenho uma definição para explicar o que somos, de fato. Sendo pragmático, vos digo que somos namorados. O que é uma grande verdade. No entanto, acredito que reunimos diversos fatores que extrapolam isso. Por exemplo: fomos ao supermercado. Chegando lá buscamos pesquisar e comparar os preços de produtos que, em tese, oferecem as mesmas condições ao consumidor, como chocolate da marca X comparado ao da marca Y. Assim fomos. Como não somos casados - o que deixei claro desde o início do texto - não buscamos fazer o rancho para o mês, comprar sabão em pó ou a laranja que está faltando na cesta. Colocamos no carrinho, um a um, pacotes de biscoitos, chocolates e, claro, Nutella. Somos assim.

Minutos antes, outro exemplo, passamos e quase infartamos - com educação - ao entrarmos numa loja que vende bonecos simplesmente perfeitos, de personagens como Mario, Freddy Krueger ou as esferas do Dragão. Perto dali fomos a uma loja que comercializa produtos relacionados ao rock and roll. Babamos, quase literalmente, pelas camisas de The Beatles, Pink Floyd e Pearl Jam. Também perto dali, compramos uma Rolling Stone porque há, na capa, a banda Pearl Jam e em seu interior bandas como The Beatles e Muse. Também olhamos vitrines, trocamos beijos e olhares, além de conversarmos sobre os mais diversos assuntos. Somos assim.

Incrivelmente gostamos de tudo que o outro gosta. Por exemplo, eu gosto de mim e ela também. Ouvimos quase todas as mesmas músicas, crescemos jogando os mesmos jogos, comemos os mesmos alimentos. Parece - apesar de ser clichê - que fomos feitos um para o outro. Sem mentira!

Não sei até quando esse encantamento vai durar. A princípio, e acredito, que não vai cessar nunca, visto nossas afinidades e nosso tremendo entendimento. Nos respeitamos e vivemos o mesmo sonho: vivermos nossa própria vida em nossa própria casa, andando no nosso próprio carro e comprando a nossa Nutella. Simples. Não precisamos muito mais do que isso.

Não mudaremos. Porque amanhã compraremos a mesma Nutella de hoje à tarde.

terça-feira, 12 de março de 2013

Reparta a beterraba

Acho que foi um sonho, faz muito tempo, mas não posso afirmar nada. Talvez tenha acontecido realmente e minha memória me faz lembrar apenas do importante. Era manhã, talvez sábado ou domingo, e o sol estava imponente no céu azul. Meio-dia. A comida estava sendo preparada e eu estava sentado à mesa à espera da refeição. Estava com fome. Não era fome velha, graças a Deus, mas estava ansioso pelo prato quente de comida feita com tanto esmero. De repente é colocado no meio da mesa uma tijela com rodelas de beterraba. Eram várias. Elas tinham uma cor muito bonita e era possível ver o sal por cima. O cheiro era incrível. Peguei uma rodela e comi. Rapidamente peguei mais uma. Continuei a repetir a ação mais e mais vezes e em menos tempo. Já era tarde de mais quando percebi que tinha comido todas as beterrabas do prato. Só havia resquícios do azeite.

As panelas vieram e com elas a surpresa. Quem estava preparando a refeição viu que não havia mais beterrabas e ficou chateada. “Poxa! Comeram todas. Nem me esperaram terminar o restante”. Talvez não tenha sido essas palavras, ou ainda nem tenham existido, mas é assim que recordo. Fiquei envergonhado comigo mesmo. Não tive a intenção, mas cometi o ato irresponsável e egoísta – por que não? – de matar a minha fome sem pensar nas consequências. Depois daquele dia procurei repartir tudo o que possuo. Não que eu vá sair por aí distribuindo minhas camisetas, mas nunca negarei uma quando for preciso.

Hoje reparto a beterraba.
Reparta as tuas também.
Teu prato ficará bem mais farto.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Encontre o valor de x

Nos últimos dias tenho vivenciado momentos únicos e, até então, nunca imaginados. Explico, com a calma que não tenho, como encontrar o valor de x. Ela presta atenção, por vezes mostra sinais de insegurança, mas continua.

"Menos com menos, mais. Mais com menos, menos". E ela continua. "Três vezes três dá nove. Nove vezes três dá 27". E persiste.

Enquanto ela procura a resposta numa equação qualquer, tipo - 2x + 1 . (2 + 3 - 4 . + 5)² : 10² + 5 . 2, sei que já encontrei o resultado. Ela ainda não percebe, mas compreendi uma equação muito maior. O valor de x ainda não foi obtido, mas achei na minha mãe o desejo de reencontrar aquele caminho abandonado há tantos anos.

Ela agora procura o valor de x após ver que seu irmão - portanto meu tio - ingressou na universidade. Um serviu de inspiração ao outro. Que, por sua vez, inspiram o filho e sobrinho.

Continua a procurar o valor de x, mãe. Prossiga. No final verás que a resposta está, na verdade, no sorriso do teu orgulhoso filho.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Areia

Pisei na areia num dia de chuva. 

Fui teimoso e saí mesmo com o céu fechado, mesmo depois de ter visto nuvens negras a caminho. Eu saí e pisei no barro. Sim. Fiz isso porque eu quis. Foi minha vontade.

No entanto, após caminhar por tanto tempo na chuva, a gente cansa. Desisti de sentir frio, de ficar molhado, de ficar andando por caminhos embarrados e completamente encharcados.

Voltei para casa. Tomei um bom banho e dormi. No outro dia, fui limpar os meus sapatos embarrados pelo longo temporal, pela chuva que durou longos anos. O barro ainda estava lá, mas seco, nas ranhuras marcadas no solado. Peguei os dois calçados e bati um contra o outro. Aquela crosta começou a se desprender e a cair. Restou, no fim, apenas pó. 

Pó de uma areia que um dia foi de uma terra cheia de esperança, mas que não resistiu ao clima, à chuva e ao desrespeito.

Hoje caminho por trilhas bem mais secas e bonitas. Hoje - há mais de um ano - o sol me acompanha. Por entre árvores, os raios da maior estrela da Terra atingem o meu rosto e os meus sapatos. Estes agora secos e limpos.

Piso na areia num dia bonito.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sono


"Pedro Henrique... acorda! São sete horas"

Quêêêê?

"Tá na hora. Levanta!"

Táááá...

Geralmente é assim o começo de mais um dia. Levanto da cama sem me acordar. É sono atrasado. Horas de descanso que substituí por alguns trabalhos acadêmicos que exigiam urgência. Acontece sempre e em todos os semestres. Não foi uma, duas ou três noites em claro. Foram mais. Chegar de virada no estágio sem ter ido a nenhuma festa é rotina. É estranho conversar com alguém enquanto estás praticamente dormindo. A pessoa fala, gesticula e tu ali, no sofá, numa luta contra as pálpebras. Batalhas em vão. Irás, por dez segundos, no mínimo, fechar os olhos e adormecer. Não tem escapatória.

Bebo um, dois, três copos de café. Com açúcar. Prefiro sem. Mas bebo porque preciso tirar a sonolência do corpo. As pessoas que falam comigo não merecem o meu cochilo como feedback. Mas eu mereço mais algumas horas de sono.