não faça como eu, caro jovem corajoso. não esqueça o mundo, pois ele não vai esquecer de ti. o mundo vai preparar muitas lições para a tua existência e boa parte delas não são bonitas. esquecer que o mundo existe é um erro comum que muitos cometem. eu cometi.
não faça o mesmo. quem avisa amigo é.
o mundo é um moinho, como cantou um dia o mestre Cartola.
eu não valho o esforço alheio. apenas eu posso mover as minhas pernas para frente. ninguém mais pode me ajudar. sou eu... e eu. será assim.
tentar me dar auxílio durante uma subida íngreme, exatamente igual a que eu trilho hoje, é um erro primário. pois para me ajudar (quem quer que seja, seja famoso ou anônimo incrível) vai ter de esquecer o próprio coração. e mesmo assim talvez seja em vão.
como o meu um dia foi. desperdiçado e jogado aos cães - em vão. por uma promessa vazia em outra residência. por uma promessa covarde, que se esconde por entre arbustos. por uma promessa do tamanho de quem troca um coração pujante por nada - a lição nunca é aprendida apenas por um aluno.
não existem turmas pequenas na escola da vida. ou somos todos aprovados. ou vamos todos repetir mais um ano.
a grande palhaçada desse tipo de lição é que os efeitos colaterais demoram a passar. por mais que o teu coração esteja se recuperando, por mais que a tua cabeça volte aos poucos a pensar criticamente, por mais que os teus projetos sejam retomados, os efeitos demoram a passar.
o mundo é um moinho, não é, Cartola? tens razão.
sinto na pele.
o que eu tenho para oferecer hoje são restos mortais do que um dia fui. é uma versão reembalada. recolocada na prateleira porque a roda segue girando. às vezes dá vontade de gritar PAREM AS MÁQUINAS - uma frase conhecida dentro da profissão escolhi. e parar com tudo. que pensamento pequeno, não é mesmo?
essas ideias bizarras só nos rodeiam ainda porque eu esqueci o meu próprio coração. que erro, jovem medroso.
Renato Russo, finalize, por favor...
Até bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo.
Quem roubou nossa coragem?
Renato Russo ainda pode acrescentar...
Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante.
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos...
Os assassinos estão livres, nós não estamos!