Como proceder se o meu maior estímulo para levantar da cama às seis da manhã está ao meu lado, dormindo? Não faz muito sentido. Ainda mais quando contextualizamos a cena e constatamos que estamos no inverno e sob cobertas que, com êxito, isolam o nosso calor corporal. Não há lugar melhor no mundo.
No entanto, apesar de lamentar o insano despertador que nos acorda, nos levantamos e damos sequência à nossa rotina. Afinal, o nosso maior estímulo está ao lado, esperando que tenhamos força para abrir a porta, enfrentar o frio e voltar para casa, horas depois, com o dever cumprido e com a certeza de que caminhamos um pouco mais em direção ao futuro, à nossa felicidade.
Percebo, tardiamente, talvez, que nosso maior estímulo está em todo lugar. Aqui ou lá, do meu lado ou à distância, ou ainda em nosso peito. O que nos estimula permanece em nós.
Por isso, olhos de esperança, saí hoje na manhã fria, da mesma forma que fiz ontem e farei amanhã. Porque quero que nossa vida se complete numa sacada, sete horas depois das seis da manhã, sob a luz da sol, ao degustar a nossa bergamota.
Nosso estímulo, por fim, nos faz querer - como se diz no sul - lagartear.
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