quarta-feira, novembro 26, 2014

Não faça do passado uma pescaria

A partir de um dado momento da minha vida, iniciei a travessia de uma ponte. Não era muito longa, mas larga e com aspecto clássico. Uma verdadeira ponte centenária. Única construção humana, aliás, em quilômetros. Todo o resto é feito e mantido pela natureza. 

Quando te encontrei e a convidei para atravessar comigo a ponte, sempre ao meu lado, deixei para trás o que eu julgava não mais necessário. Lá, em cima da construção que me dá acesso ao outro lado do rio, peguei o que eu não queria mais e o larguei na água. Amarrado a uma pedra grande, o pacote afundou. 

Atravessei a ponte. Cheguei ao outro lado. Tu também. Só que, para o meu espanto, soltas a minha mão e retornas à ponte, de vez em quando. Lá de cima, preparas a vara, o anzol e travas uma luta contra a paciência. Começas, então, a pescar o passado. 

Nos piores dias em que isso acontece, consegues puxar o pacote todo. Tu abres, mexes um pouco naqueles arquivos já sem vida, sem memória, sem importância, e jogas tudo para cima. Muitas vezes, até, os atira em mim. Aquela quantidade imensurável de papel molhado, que se desmancha ao mais sensível toque, se choca ao meu rosto. Como uma bala, me atinge. 

Eu, em silêncio, não esboço reação. Porque toda a reação ocorre por dentro. 

Depois de muita discussão, inclusive com uma espécie de griteiro feito à base de palavras covardes, que nossos ouvidos recebem com incredulidade, fazemos as pazes. Juntamos as mãos que não tinham nenhum motivo real para terem se soltado. 

Então, pegamos o material, o embrulhamos novamente e o prendemos a uma pedra ainda maior. Jogo o mais longe possível para nunca mais ser acessado por ninguém. Lambemos as feridas e retornamos ao nosso lado do rio. Tudo, felizmente, retorna à maravilhosa realidade. 

Só que os dias passam e a ponte se torna, novamente para ti, sedutora. Nessas horas eu não sei o que fazer. No máximo grito o teu nome, mas a minha voz não parece a mesma e a escutas sempre de forma distorcida. 

Em meu íntimo, já ferido, só consigo fazer um pedido. Porém, sou incapaz de dizê-lo. Apenas a alma sussura o que, para mim, é um apelo.

“Por favor, meu amor, não suba mais a ponte. Fique comigo. Não faça do passado uma pescaria.”

sexta-feira, outubro 24, 2014

George Harrison também é professor

George Harrison é genial - e hoje foi professor. Explico. Enquanto ouvia "That's The Way It Goes" percebi que havia a palavra Krugerrand e fiquei curioso. Talvez eu seja o último a saber, mas Krugerrand é a moeda da África do Sul e faz referência ao quinto presidente do país, Paul Kruger.

Agreguei um pouco mais de cultura através de uma música prazerosa de ouvir. Nada mal.

terça-feira, agosto 26, 2014

As atitudes dizem, não as palavras

Caminho pela calçada e desvio de muitas pessoas, que também estão enfrentando a sua rotina, os seus problemas e angústias, mas todos eles, de certa forma, estão lutando. Uns menos, outros mais. O que os iguala, de fato, é que nenhum abre a boca para dizer bobagens, que faz o que não faz, pois simplesmente não dá tempo. Eles também não têm tempo para esbravejar e apontar com cólera nos olhos as atitudes dos outros. 

De certa forma é bom ter menos tempo.

Aprendi nos meus anos de contato com a Doutrina Espírita (que até hoje me guia e, ao mesmo tempo, me dá o poder de escolha, ou seja, o livre-arbítrio) que todos nós temos ciscos nos olhos e, portanto, não temos que perder tempo alertando que o outro tem, enquanto tu sofres também com o teu próprio empecilho. 

Eu não preciso dizer o que já escrevi. É fato. Eu sei. Está na cara (ou no olho). Minhas atitudes me guiam e os resultados estão aparecendo. As coisas estão mudando, a vida acontecendo e eu, graças a Deus, a mim e a muitas mãos, estou crescendo. 

Faz parte. Mas há um longo processo para que as coisas aconteçam e uma das etapas consiste em dizer menos e fazer mais.

Até logo, pois a luta continua e eu preciso enfrentar a chuva!
"Cada palavra que digo são só palavras, e palavras são tudo o que tenho." (Words - Bee Gees)