quinta-feira, junho 11, 2015

O que eu seria hoje?

Eu sei lá o que eu seria hoje caso não tivesse te conhecido.
Mas ninguém pensa no pior.
Eu preciso pensar no melhor.
E como é melhor a minha vida contigo.

Espero que gostes das flores.
Regue-as depois.
Vamos para a nossa casa.

quarta-feira, maio 27, 2015

O querer não desapegar

Quando decidi tornar-me jornalista não imaginei que iria me identificar tanto com a profissão como hoje. Era o que eu queria, almejava, pois envolve o escrever, o pensar, o pesquisar. Também não tinha ideia de que passaria por experiências extremamente enriquecedoras, que marcariam para sempre a minha memória. E é sobre elas que desejo escrever.

Após uma combinação improvável de acontecimentos, ingressei como estagiário na TV Câmara Pelotas, no início do ano de 2013. Inicialmente, atuei e colaborei com o gabinete do vereador e ex-prefeito, Dr. Anselmo Rodrigues, que foi o fio condutor para esse meu período de aprendizagem e trabalho, muito trabalho. 

Permaneci na TV até maio do ano passado. Até hoje morro de saudades das atividades e amizades que lá cultivei.

Durante esse período, que durou quase um ano e meio, conheci as minhas principais falhas enquanto estudante de jornalismo e aprendi a corrigir boa parte delas. Também compreendi o que é ir a campo e dialogar com a realidade, com as pessoas que, através das reportagens, explicitavam os problemas que enfrentavam diariamente. Portanto, eu e todos daquela equipe buscávamos atender ao interesse público da melhor forma possível. Com as dicas dos outros jornalistas e editores da TV, agreguei novas formas de informar e produzir conteúdo de qualidade. Ensinamentos que carrego comigo até hoje. 

O sentimento de nostalgia aumenta quando revejo fotos ou os amigos. Foram vários, todos muito importantes, personagens de uma grande amizade, e talvez disso é o que sinto mais falta. Lembro-me com carinho das manhãs de sexta-feira, pois geralmente era o dia mais calmo da TV. Nem sempre, é claro, mas nos permitia beber um pouco de café enquanto conversávamos sobre os mais diversos assuntos. Por conta dessa relação homogênea que existia, a equipe era um corpo só, que lutava para desempenhar da melhor forma o seu papel. 

Ríamos sempre e trabalhávamos muito. O relacionamento era realmente ótimo. Bom demais para terminar, mas o fim foi (e geralmente é) inevitável. 

Hoje, quando revejo as fotografias ou ainda relembro momentos marcantes, sinto um enorme aperto no peito. Eu sempre fui assim. Nunca lidei bem com despedidas. Talvez por isso busquei sair rapidamente da TV ao receber (e aceitar) o convite para trabalhar no gabinete. Seria muito mais difícil ter que me despedir de todos.

A equipe, desde a minha saída, também mudou. Porém, boa parte dela ainda "reside" no grupo que criamos, na época, no Facebook. Ninguém mais o conhece e é integrado apenas por aqueles que trabalham na TV. Hoje, resolvi sair de lá. Porém, para isso, preciso enfrentar o querer não desapegar, afinal lá permanecem conversas e imagens nossas, registros de um passado recente, momentos que não mais retornarão. Arquivei o que eu podia e, agora, preciso seguir adiante. É a segunda despedida, talvez por isso é tão mais difícil. 

Espero que as amizades que cresceram dentro das salas de redação e edição, no estúdio, ou ainda no Fiat Uno (que nada mais é do que um Chevrolet Camaro disfarçado) que nos transportava, nunca terminem. Que as memórias nunca se apaguem. Que o sabor do café das sextas nunca "evapore" da minha memória.

quinta-feira, maio 21, 2015

A boca que não fala também grita socorro

O silêncio nem sempre é vazio, tranquilo, ausente de sons e mensagens. Ele também pode ser ensurdecedor, um pedido de ajuda que não cessa, gritos que só podem ser ouvidos por quem tem coração e sangue compatíveis com o emissor. 

O problema é quando este coração bombeia o sangue com dificuldade, em razão dos batimentos mais fracos, danificados pelos anos de solidão e carência. Corroído por dentro, não consegues mais escutar a voz que pede ajuda. Seria possível ouvi-la em condições normais, apesar da distância que existe hoje - até mesmo a geográfica. 

Deves tentar ouvi-la, mais uma vez. Por mais que as duas bocas peçam socorro ao mesmo tempo e por motivos semelhantes, tu deves ir ao encontro do apelo. Deves dar um “tiro no escuro” à procura do que não está tão claro à sua frente. Como um radar defeituoso, terás que rastrear a voz através do coração, este mesmo que está ferido e com lacunas quase irrecuperáveis, impossíveis de serem preenchidas novamente. 

Ela te deu a vida, te trouxe à luz. Faça o mesmo por ela, pelo menos uma vez, apesar do suposto silêncio alheio. Lembre-se que a boca que não fala também grita socorro. 

Nesses momentos de angústia, lembro-me sempre da placa de sinalização localizada geralmente antes dos trilhos do transporte ferroviário: pare, olhe e escute.