É sobre a minha avó materna, Marilda, ou para seus netos apenas vó Iaiá. Ela deixou este planeta em 2003. Eu estava na quinta série.
Se foi, mas ainda está aqui, dentro de mim. Além de avó, era minha madrinha. Dizia a mim que se eu não a beijasse eu não cresceria. Meus beijos ela sempre teve, portanto - e teria independente de qualquer coisa. Acredito que ela estava certa, pois depois não cresci como deveria. Os beijos fizeram falta.
Nunca esqueço. Meu pai, na madrugada em que ela estava na U.T.I., me disse: "se tua avó se for vai ser uma 'bomba arrasa quarteirão', Pedro Henrique". Verdade. E foi, infelizmente. Ninguém acreditou. Muito menos eu. Como minha avó, aquela que me beijava como se fosse a última vez ou como se disso dependesse meu crescimento, poderia ter ido tão nova, tão cedo?
A resposta nunca terei.
No entanto, no último texto publicado neste blog, "Fazia tempo que não via", escrito no último dia 19, dia do índio e dia do aniversário de minha avó, conta muita coisa. Percebi isso há um dia.
O texto conta, de modo direto, sem rodeios, o que presenciei numa manhã fria de Pelotas, enquanto me dirigia ao estágio. No entanto percebi que não era só isso. Lembrei da flor rosa que o menino segurava com tanto esmero. A flor era idêntica às flores que nasciam de uma árvore que minha avó plantou e cuidou com tanto carinho. Árvore que foi resgatada após um temporal que a arrancou do solo.
A flor do menino era igual.
Pode ter sido coincidência. Pode. As cores eram iguais, a flor era igual, tudo igual, mas tudo pode ter sido "obra do acaso". Mas pensando melhor, e acreditando em algo maior do que apenas o que conseguimos enxergar, talvez aquela flor simbolizasse que a minha vó Iaiá não está apenas dentro de mim, mas em todo o lugar em que eu for.
Fico contente. Aliviado. Me sinto amado e beijado por ela. Voltarei a crescer.