quinta-feira, janeiro 14, 2016

Sem o mesmo "chão"

Hoje, aquele “chão” não existe mais. Feito a base de tijolos e argamassa, pulamos juntos em muitos momentos. Até mesmo no temporal. 

Conseguimos comemorar tantos lances e vitórias... Foram incontáveis! Inesquecíveis! 
Na tela, na bancada ou em frente à televisão. 

Não sei o que fazer agora, mas eu faria tudo novamente. Afinal, como não repetir o sorriso e os olhos brilhantes sob a chuva pesada? 

Aquele “chão” não existe mais. Será reconstruído. Mas em minha memória, sempre vai (e vamos) continuar de pé.

11 de janeiro de 2016 - 02h17min.

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Fogo amigo

Carregávamos a M1 Garand, lembras?

Não estávamos na Segunda Grande Guerra, mas travávamos corajosamente a nossa própria batalha. Eu queimei muita pólvora, rasguei meu uniforme e fui atingido por estilhaços. 

Em nenhum momento pensei em levantar a bandeira branca, porra!

Quando corríamos em direção ao topo da montanha, aos gritos do nosso imperdoável comandante, eu fitava o teu rosto e presenciava o sorriso que batia de frente com qualquer face fechada. À guerra!

E à guerra fomos. Lutamos por anos. Não caímos frente a ninguém. 

Sempre dávamos um jeito. Era motivador correr a plenos pulmões para, finalmente, alcançar o abrigo durante o tiroteio incessante. Na mureta baixa e danificada, estávamos nós dois. Sujos de sangue e barro, permanecíamos ali. 

Sabíamos que tudo poderia ser diferente. Que os ataques covardes, um dia, cessariam. 

Nós acreditávamos. Por isso carregávamos a M1 Garand a qualquer lugar, pois estávamos sempre pronto para lutar.

Depois de tudo isso, no entanto, fomos atingidos. Fogo amigo. 

A guerra acabou.

11 de janeiro de 2016 - 02h15min.


terça-feira, janeiro 12, 2016

Palhaços insanos

Ler nem sempre é o bastante. Escrever talvez seja uma prática que permite completar o ato falho, mesmo após as dezenas de leituras que, no fim, pouco dizem. Servem apenas como acessório à lamentação. 

Ao nosso redor, os quadros pendurados na parede caem como se fossem folhas mortas durante o outono. O inverno anuncia-se. O inferno também pode ser frio.

A frieza como a vida apresenta os novos capítulos do seu filme de terror é quase inacreditável, mas não é, sem dúvidas, surpreendente. Nós sempre esperamos pelo pior – e nunca estamos preparados.

Não há luz. Não há brisa. Não há nada no fim do túnel. A saída é, na verdade, a entrada para o pior. Apenas o monitor ilumina o meu rosto que, mesmo sem estar maquiado, aparenta ser a de um palhaço. Todavia, o circo ruiu. 

As manchetes dos jornais impressos e sensacionalistas da cidade estampavam em letras garrafais: ATÉ O CIRCO MAIS BONITO NÃO RESISTIU E DOIS PALHAÇOS FICARAM DESEMPREGADOS!

As soluções não virão. Este texto não se apagará. Tudo é – e sempre será – uma grande palhaçada!

11 de janeiro de 2016 - 02h07min.