quinta-feira, 26 de junho de 2014

O advento da escolha de novas necessidades

Nós, humanos, assim como os outros animais e demais seres vivos, temos nossas necessidades básicas. Estas podem ser semelhantes ou bastante diferentes, variando de acordo com os "habitantes". No geral a alimentação é uma das atividades mais importantes, senão a maior de todas. Nós também precisamos respirar. O contato humano, por sua vez, é incrivelmente relevante, pois trabalhamos melhor em bando. 

Todavia tudo muda. Com o passar do tempo, a humanidade evoluiu tecnologicamente. Hoje vivemos mais e, em tese e para parte da população, melhor. A internet e o aparelho celular são exemplos de "novas necessidades básicas" de muitas pessoas. Além disso, o capitalismo também é grande responsável por impulsionar de forma impactante a criação de novas necessidades, visando o lucro a partir dessas novidades. Claro que para acessar a essas novas formas de vida (ou viver a vida) é necessária a presença do faz-me rir - leia-se "pila". Todas essas mudanças resultaram no que chamo (com certa ousadia e irresponsabilidade, talvez) de advento da escolha de necessidade. 

Alheias ou não a essas mudanças, as pessoas agregam novas necessidades à própria existência. Uns precisam, além de comer, beber, dormir e respirar, de estantes repletas de livros dos mais variados assuntos. Outros agregam necessidades às necessidades, ou seja, optam por comer aquele biscoitinho sabor requeijão no café da manhã todos os dias. Já outros têm o enorme desejo de ir ao cinema uma ou duas vezes por mês. Todos eles vão se julgar mais infelizes, ou até mesmo incompletos, se por ventura essas necessidades não forem devidamente saciadas. 

É assim que funciona. 

Por outro lado, certas necessidades significam futilidades para alguns, enquanto para outro grupo o iPhone tem a maior das importâncias, superior até do que beber água - preferem energético. O que falta aqui, na verdade, é a tolerância às diferenças e, além disso, a compreensão de que os tempos mudaram e continuarão mudando, para a nossa sorte. O que é necessidade para mim pode não ser para ti, mas isso não quer dizer que eu ou você temos o direito de julgar de forma leviana e irresponsável as atividades do próximo. O debate pode até surgir a partir delas, mas o entendimento e respeito são fundamentais. 

Nos meus dias atuais, em época de trabalho de conclusão de curso e horários apertados, assistir a filmes via Netflix durante os fins de semana com uma taça de vinho tinto suave e amendoins japoneses ao lado são fulcrais para a recarga das energias. Essas minhas vontades produziram e ainda vão produzir boas lembranças. Tenho, e vocês também têm, o direito de escolha das próprias necessidades.

terça-feira, 24 de junho de 2014

"Eu avisei", diria John

Quando o ex-Beatle, ou talvez Beatle para sempre, John Lennon escreveu Woman Is The Nigger Of The World ele já denunciava o que acontece todos os dias com as mulheres. Sutilmente ou de forma escancarada, a mulher é sempre a responsável. Essa responsabilidade muitas vezes injusta é atribuída a elas pelos homens - e pasmem - pelas próprias mulheres.

As mulheres são os demônios do mundo. Tens alguma dúvida disso? Basta prestarmos atenção ao que acontece à nossa volta. Basta surgir uma para que a gota d'água se transforme em mar violento próximo a uma ilha habitada.

Nós fazemos ela pintar o rosto e dançar
Se ela não quer ser nossa escrava, dizemos que não nos ama
Se ela é sincera, nós dizemos que ela está tentando ser um homem
Enquanto botamos ela para baixo, fingindo que ela está acima de nós
Trecho de Woman Is The Nigger Of TheWorld

Veja você mesmo! Analise os comentários feitos pela própria família sobre a "namoradinha" do vizinho ou a noiva do fulano, sobrinho do ciclano, que mora em Arroio Grande. Perceba a maldade ou até mesmo a ingenuidade por trás das frases fabricadas pelo senso comum.

A culpa é sempre da mulher.
- Fulano faliu.
- Deve ter sido culpa da mulher. Torrava o dinheiro do guri que é trabalhador.
- Ciclano como é mulherengo, mas terminou com a esposa.
- Por quê?
- Ela saiu com o vizinho.
- Que vagabunda! Coitado do Ciclano.
- Como está o teu filho?
- Tá bem. Conseguiu emprego.
- Que ótimo. E a namorada?
- Ah, tá lá...
- Como ela é linda! :D
- rs rs...
O tempo, meus amigos, no entanto é o melhor remédio. Também é o melhor "soco no estômago" de quem se esconde atrás de uma parede ou de um rostinho aparentemente angelical, que muito pede e pouco dá. O custeio desse tipo de comportamento é o prolongamento por tempo indeterminado do que John Lennon já nos ensina há muito tempo. Pena que muitos que escutam essa música não percebem que são multiplicadores do que John condenava.

Eu também avisei, John. Pena que não querem ouvir.