sábado, 2 de novembro de 2013

O silêncio é sempre maior

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
O silêncio é sempre maior. Engenheiros do Hawaii
Muitas vezes me peguei ansioso esperando por aquele dia que demora a chegar. Momento para relaxar um pouco mais do que o normal, escutar uma boa música, ler um livro, ficar com quem a gente gosta. O problema é quando esse dia chega e o silêncio toma conta do ambiente de uma forma inexplicável. A boca fica seca, os olhos atônitos e as mãos suam frio. Não há o que dizer, definitivamente.

Geralmente busco respostas nas músicas, mas nem sempre elas têm as palavras certas para dizer. Ouvi Engenheiros do Hawaii e eles foram sinceros: por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior. 

O que mais incomoda - e que paradoxalmente me deixa inquieto - é o barulho desse silêncio. É ensurdecedor. Parece que estamos em um estúdio sombrio. Não há som externo. Só ouvimos porque estamos dentro de tal sala. A qualidade sonora é alta, mas o que escutamos não é bom de se ouvir nem dizer.

Não há o que dizer.

Eu confio na humanidade, apesar dos pesares. 
Eu confio em mim, apesar das incertezas. 
Eu confio na vida e no que ela pode proporcionar, mesmo sabendo que coisas boas e ruins vêm e vão.
Agora, não posso confiar por dois.

Pensamentos invadem o meu crânio sem anestesia. Estes cortam a minha pele e empapam a faca com o meu sangue. Tento gritar, mas quem deve ouvir está tentando dormir com a luz acesa.

A quem pedir socorro?

Às vezes penso em malhar, aprender alguma outra língua, mas sei que é perda de tempo. A grama do vizinho é sempre mais verde, mas isso num mundo de aparências. Merda, este é o nosso mundo.

Tento exercitar ao máximo a minha sinceridade, mas nem sempre consigo falar a verdade. Minto com o meu sorriso, mas meus olhos, janelas de minh'alma, denunciam o sofrer de meu peito.

Eu ainda vou dar um voto de confiança para a vida. Sei que depois de toda tempestade vem a calmaria, a paz tão desejada e quiçá, Deus queira, as atitudes de se entregar ao outro como se estivéssemos há mais de 700 dias juntos. Tempo suficiente para olhar nos olhos e sorrir. 

Quero saber com quem divido a cama, o lanche da tarde e, num futuro próximo, talvez, a vida. Por enquanto os muros e os inimigos estão vencendo... e o silêncio é maior.

O inimigo conhece o campo tanto como eu. E isso sangra.

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