quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O soneto que não é meu, mas poderia ter sido


Soneto de Fidelidade
Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Ainda sou eu

É FESTA.
É PAPARICO.
É TRISTEZA AFOGADA EM CERVEJA. Mas ainda sou eu.

A Long Way Down, 2014

terça-feira, 8 de novembro de 2016

No que vi o título parei de respirar

Eu estava prestes a dormir. Não consegui mais. No que vi o título de um livro que não existe parei de respirar.

Como se tornar tudo o que você disse que nunca se tornaria?

É a pergunta que me faço há mais de um mês, honey. A minha mente elabora, teoriza, reescreve e terceiriza outras possibilidades para tentar encontrar uma resposta que atenda minimamente o que eu chamo de lógica. Não há. Não a encontro.
 
E essa ingrata questão também me persegue. Como estou me tornando naquilo que nunca defendi? Como pude tragar um cigarro qualquer? Como pude escrever um projeto para não colocá-lo à prova de uma banca de mestrado? Como curto dezenas de fotografias de outras pessoas mesmo não tendo a mínima motivação para tal?
  
Como nos tornamos no que somos hoje? Frios, distantes, quase desconhecidos, que trocam tiros a distância, que trocam letras de músicas de bandas que nunca ouvimos antes. Eu com Fresno, tu com Engenheiros. Aonde essa loucura vai parar? Vai parar?

Eu não acredito no teu sorriso. Tampouco tento fingir que o meu é verdadeiro. O meu olhar se tornou naquilo que eu disse que nunca se tornaria. Os meus sonhos estão mortos. Foram soterrados pelos projetos que não existem mais.

domingo, 6 de novembro de 2016

Afundar para emergir

Em uma dessas noites vagas, perambulamos de um barzinho a outro. Pedi sempre "pale ale" porque é um estilo de cerveja mais forte, mais encorpada. Fundamental para os dias atuais.

Fomos para um bar mais distante. O dono, dizem, se chama Zé. Lá, encontrei todos os tipos de pessoas e definitivamente não é o meu lugar. Sentindo-me um peixe fora d'água, e não tão desconfortável por conta da presença de alguns amigos, observei tudo e todos.

Um pouco bêbado, debati sobre política, futebol e religião com desconhecidos. São temas polêmicos, é verdade, e todos dizem sempre "não debatam sobre isso". Comigo, porém, o diálogo existe de qualquer forma e apesar de discordar de quase todo mundo, a conversa foi cercada de sorrisos. Eu gero empatia e não sei qual a vantagem disso até hoje.

O problema é que estou afundando para emergir.

Pedi mais um litro de cerveja. Desta vez a "comum". O dinheiro é finito. Minutos mais tarde, me peguei com um cigarro entre os dedos. Traguei sem qualquer tipo de experiência anterior. "Ouvi" a minha rinite alérgica gritar, de tal modo que o horror ecoou nos pulmões. "Foda-se", pensei.

Depois, surgiu outro. Desta vez, mentolado. "Manda". O vício não virá e a pior morte é aquela que conhecemos e não morremos, de fato. O mundo, meu caro, é um grande boato. As verdades são escondidas. Os amores verdadeiros são colocados de lado. As boas intenções são motivo de piada.

O que vale neste mundo doentio é a mentira, é o relógio de seiscentos paus no pulso, é a camisa com o crocodilo boquiaberto, é a cerveja "pale ale". A tristeza e a decepção com as pessoas nos corrompem e nos fazem fumar a morte em sã consciência.

Eu vou emergir, mas para isso eu preciso querer nadar. Deixe-me aqui embaixo com os tubarões, por enquanto, por favor.

sábado, 5 de novembro de 2016

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Arquibancada da vida

Tuas decisões nunca foram respeitadas, minha cara. Portanto, ignore as avaliações de quem passa a vida avaliando sem sair do lugar. Parece óbvio (e é) mas a tua vida a ti pertence.

A arquibancada de um estádio de futebol representa muito bem a nossa vida: é na hora do aperto que a gente reconhece os de fé.

Eu, modéstia à parte, muitas vezes regi a charanga, sacudi a bandeira, mandei aquele "vai tomar no ##" após o escanteio curto e ainda comprei o famigerado amendoim sem casca. E, naturalmente, caso fosse necessário, eu repetiria tais ações.

E, assim como na vida, a partida sempre termina. Às vezes a gente (leia-se "eu") torce para dez minutos de acréscimo. Eles nem sempre vêm. Porém, os torcedores de fé, mesmo quando estão longe, mesmo quando não há mais jogos a disputar, mesmo quando o clube fracassa e é rebaixado, os verdadeiros sempre vão estar com o ouvido colado no rádio à espera de notícias. 

Na arquibancada da tua vida - e parafraseando a torcida Xavante - eu vou ser sempre o teu maior e mais fiel.

sábado, 22 de outubro de 2016

22: o dia que foi, não é mais e poderia ter sido

Não é fácil aceitar as mudanças, ainda mais aquelas que não fazem muito sentido.

Olhar para trás e enxergar uma realidade que não mais existe hoje é um tremendo desafio. 

O 22 perdeu sentido, apesar do enorme significado. Vai ser eternamente marcado como o dia que foi, não é mais e poderia ter sido. 

Mesmo assim, Lennon sempre esteve certo: love is real. Real is love.

domingo, 16 de outubro de 2016

Tua comunicação é fotográfica

Em tempos de silêncio e incerteza, a melhor forma de estudá-la é através da tua comunicação fotográfica. Ao deslizar pela página, num descer infinito, observo todas as imagens favoritadas. Elas dizem mais do que as palavras, hoje, silenciadas. O teu coração manifesta-se de diversas formas - e a fotografia é a mais forte. 

Por isso, meu bem, estou atento. Ainda não a compreendo como antes, mas vislumbro um caminho. E nesse caminho há uma parada de ônibus. Estarei por ali. 

Os de verdade não vão embora.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

É como o vento

Um bom time, uma grande dupla, um forte exército, são feitos através de atitudes coletivas. Portanto, é importante que todos os envolvidos consigam sincronizar ao máximo as próprias ações. Infelizmente, subestimei as dificuldades e magoei aquela que mais merecia o meu apoio.

Desde então, a minha vida tornou-se cansativa. Os dias duram 36 horas. Não há comida que te mate a fome (que na maioria das vezes não aparece), não há música que te acalme, não há filme que te distraia. Não há o que fazer senão conversar com a própria mente para reconhecer os próprios erros.

Ah, e foram muitos! Quanto mais penso, mais apavorado e triste eu fico com a quantidade deles! É inacreditável.

Fui egoísta por nunca ter ido ao Galpão contigo, meu bem. Ou aos lugares que mais lhe agradavam. Fomos, sim, a inúmeros eventos incríveis, porém em outros tantos eu fui um resmugão ao ouvir a oferta para sair.

Fui arrogante ao pensar que em uma semana conseguiria superar todos os traumas. Por um momento, sim, consegui, mas não o suficiente. E no primeiro fim de semana joguei todo o lixo no teu rosto. Não agi como o PH de sempre.

Depois, mostrei-me dependente. Outro erro. Durante todo o nosso tempo, crescemos juntos. Um levantou o outro. Buscamos incessantemente preencher os nossos próprios vazios. Mesmo assim, no momento de insegurança e incerteza, e apesar dos teus pedidos sinceros de "calma, vai passar, me aguarda", eu fui infantil e medroso. Não confiei nas tuas palavras.

Por fim, chegamos ao próprio fim.

Hoje, após alguns dias, estou correndo atrás do prejuízo mesmo sabendo que nada mais vai resgatar o que se foi. A minha consciência me cobra as atitudes erradas que tomei e as corretas que soneguei.

Hoje, faço exercícios físicos diários, estudo para o mestrado, reduzo os gastos e vou finalmente tirar a minha Carteira Nacional de Habilitação. Além disso, vou comprar roupas novas e jovens, aquelas cujas quais sempre apontastes para mim. Até o meu próprio cabelo demorei a cortar e já o fiz com atraso.

O pior é saber que nada mudará o que eu fiz - ou o que deixei de fazer. Sinto-me culpado, ou melhor, sei que divido a culpa por isso. Joguei o que era bonito no lixo e fiquei de mãos vazias na escuridão. Eu determinei o fim da história - e eu percebi que não sou um bom escritor.

Mesmo assim, digo-te: eu te amo com todas as minhas forças.

E eu sei que o que a gente sente é como o vento. Eu não consigo vê-lo, mas posso senti-lo. Obrigado por tudo.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Isto não merece nome


Eu não aguento mais.

A gente acha que venceu, que superou, mas não.

A pior dor é aquela que mata aos poucos, como se fosse causada por uma faca de cozinha, que corta a pele, depois a carne, em movimentos iguais e constantes. Não há como tirar a mão. O braço está amarrado enquanto o metal fere o corpo.

Eu fechei os olhos e acreditei de corpo e alma. Só voltei a abri-los ao sentir a adaga atravessando as minhas costas, a sangue frio, sem piedade. A cabeça então entra em colapso sem entender o que aconteceu.

O corpo não morreu, mas a alma foi despedaçada.

Eu não sei até quando a vida vai apunhalar quem mais luta por ela.

Todo o esforço foi em vão -- por quê?

Eu só queria acordar e perceber que tudo foi um pesadelo. Porém, a dura realidade grita em meus ouvidos.

Não confie em ninguém. Confie em si mesmo.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O olhar de quem nunca desistiu

Todo ano tem o dia dos namorados, cujo é essencialmente (como a maioria das datas) voltado ao comércio. É apenas mais um dia, mas nem por isso a gente deixa de comemorá-lo. 

Pensei em diversas opções, mas gostaria de algo diferente. Algo meu e dela, ao mesmo tempo. Produzi com muito esforço uma imagem que se tornará em quadro, no qual traz o olhar de quem nunca desistiu e nas coisas nas quais se agarrou para não cair. 

De um lado, as lágrimas. De outro, o olhar convicto, destemido e determinado a vencer.

Fiz pensando justamente nisso, no quão difícil foi chegar até aqui. E o pior: a briga ainda não terminou.

Vai acabar, é claro, mas num mundo comandado pelo PILA as obrigações e os sonhos dependem de muito esforço, da atitude de nunca desistir. Por isso mesmo, repito: a briga vai terminar.

O quadro abaixo é o resultado do que eu quis transmitir. Não sou pintor nem artista plástico, tampouco considero-me artista. Sou jornalista e tento explorar ao máximo as palavras. Desta vez, eu consegui dizer muito mais com o significado das imagens. O único ingrediente que não mudou foi o do coração.



domingo, 13 de março de 2016

Bom coração


É oficial: precisamos nos cercar de boa gente.É, literalmente, cada um por si. Na rua, quase ninguém está gritando,...
Publicado por Pedro Henrique Costa Krüger em Segunda, 29 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Sem o mesmo "chão"

Hoje, aquele “chão” não existe mais. Feito a base de tijolos e argamassa, pulamos juntos em muitos momentos. Até mesmo no temporal. 

Conseguimos comemorar tantos lances e vitórias... Foram incontáveis! Inesquecíveis! 
Na tela, na bancada ou em frente à televisão. 

Não sei o que fazer agora, mas eu faria tudo novamente. Afinal, como não repetir o sorriso e os olhos brilhantes sob a chuva pesada? 

Aquele “chão” não existe mais. Será reconstruído. Mas em minha memória, sempre vai (e vamos) continuar de pé.

11 de janeiro de 2016 - 02h17min.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Fogo amigo

Carregávamos a M1 Garand, lembras?

Não estávamos na Segunda Grande Guerra, mas travávamos corajosamente a nossa própria batalha. Eu queimei muita pólvora, rasguei meu uniforme e fui atingido por estilhaços. 

Em nenhum momento pensei em levantar a bandeira branca, porra!

Quando corríamos em direção ao topo da montanha, aos gritos do nosso imperdoável comandante, eu fitava o teu rosto e presenciava o sorriso que batia de frente com qualquer face fechada. À guerra!

E à guerra fomos. Lutamos por anos. Não caímos frente a ninguém. 

Sempre dávamos um jeito. Era motivador correr a plenos pulmões para, finalmente, alcançar o abrigo durante o tiroteio incessante. Na mureta baixa e danificada, estávamos nós dois. Sujos de sangue e barro, permanecíamos ali. 

Sabíamos que tudo poderia ser diferente. Que os ataques covardes, um dia, cessariam. 

Nós acreditávamos. Por isso carregávamos a M1 Garand a qualquer lugar, pois estávamos sempre pronto para lutar.

Depois de tudo isso, no entanto, fomos atingidos. Fogo amigo. 

A guerra acabou.

11 de janeiro de 2016 - 02h15min.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Palhaços insanos

Ler nem sempre é o bastante. Escrever talvez seja uma prática que permite completar o ato falho, mesmo após as dezenas de leituras que, no fim, pouco dizem. Servem apenas como acessório à lamentação. 

Ao nosso redor, os quadros pendurados na parede caem como se fossem folhas mortas durante o outono. O inverno anuncia-se. O inferno também pode ser frio.

A frieza como a vida apresenta os novos capítulos do seu filme de terror é quase inacreditável, mas não é, sem dúvidas, surpreendente. Nós sempre esperamos pelo pior – e nunca estamos preparados.

Não há luz. Não há brisa. Não há nada no fim do túnel. A saída é, na verdade, a entrada para o pior. Apenas o monitor ilumina o meu rosto que, mesmo sem estar maquiado, aparenta ser a de um palhaço. Todavia, o circo ruiu. 

As manchetes dos jornais impressos e sensacionalistas da cidade estampavam em letras garrafais: ATÉ O CIRCO MAIS BONITO NÃO RESISTIU E DOIS PALHAÇOS FICARAM DESEMPREGADOS!

As soluções não virão. Este texto não se apagará. Tudo é – e sempre será – uma grande palhaçada!

11 de janeiro de 2016 - 02h07min.

sábado, 2 de janeiro de 2016

A lâmina

A tranquilidade às vezes vai embora. Sem motivo aparente, a inquietude nos rouba o corpo. O ato de pensar já é feito com sacrifício. A sensação de vazio e aperto no peito surgem imponentes, impossíveis de serem impedidos. 

Sem motivo aparente, é possível sentir o gelo da lâmina da adaga em nossas costas. Os nossos ouvidos, mesmo sem escutar absolutamente nada, nos informam que há bocas que falam - mas não para nós, sobre nós.

Eu também não enxergo, mas fito o horizonte, ou até mesmo aquele canto escuro, suspeito, que pode esconder algo ou alguém. Não sei. Não dá para saber.

Só é possível afirmar que existe a lâmina. Ela reflete inocentemente a luz quando aponto a lanterna. A lâmina está ali, apontada, afiada, destemida e limpa, à espera do momento certo para o golpe fatal. 

Quem irá desferi-lo?