Às vezes ingresso em salas amplas, bem iluminadas e de certa forma melancólicas e não sinto absolutamente nada. Em outras ocasiões, entretanto, pareço capaz de mesclar meu corpo à atmosfera de uma casa comprida e tomada por quadros pintados a mão, através de diferentes técnicas e sentidos, e com cores equilibradas.
| Fotografia: José Pacheco |
No dia 17 deste mês, por volta das cinco horas da tarde, talvez menos ou um pouco mais, visitei, juntamente com a equipe da TV Câmara, o ateliê Giane Casaretto, no centro da cidade de Pelotas. Subi os poucos degraus, dei boa tarde e ingressei na sala que se tornaria numa das experiências mais surpreendentes já vividas por mim. Observei um dos talentos da casa, a menina Lorena Cunha (foto ao lado), produzir arte.
Logo um quadro me chamou a atenção, depois outro. Meus olhos se perdiam. Eu tentava dar direção à visão, mas cada um tinha seu dom de sedução. No entanto, uma das maiores telas do lugar, senão a maior, me fez parar tudo. Nela, um gaúcho tocava violão enquanto outro observava à distância dois casais dançando. Por mais abstrato que o rosto do gaúcho que dançava ao longe estivesse, não delimitado em traços, via-se expressão. Observei-o por curtos 10 minutos.
Havia mais! A cor das frutas, dos casarões de Pelotas, da tinta ainda fresca na tela inacabada, tudo transmitia arte. Ao fundo, som calmo. A luz do sol invadia a sala e a tornava aconchegante. Conversei brevemente com a arquiteta que deu seu próprio nome ao ateliê. Ela contou que cerca de 20 pessoas produzem arte por lá, a maioria mulheres (elas ainda dominarão o mundo, para o nosso bem).
| Convite a passeio. Fotografia: José Pacheco. |
As ondas de cor colocadas naquelas telas desenhavam e produziam paisagens que invadiam e povoavam nossa mente, tornando possível que naquelas paredes que seguravam os quadros existissem janelas para outros mundos, onde enxergávamos outras realidades. Às vezes parecia que eu enxergava memórias de outras pessoas ou ainda nossas lembranças de outras vidas.
Às vezes parece que esta não é a vida real.
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Recomendo a vocês a visita ao ateliê Giane Casaretto, que fica na rua XV de Novembro, 817, no centro da cidade de Pelotas. Por fim, agradeço ao José Pacheco, brilhante fotógrafo da TV Câmara, por liberar as fotografias, e ao Edson Luis Planella, coordenador da mesma tevê, por autorizar o uso do material.
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