Meu pai, meu amigo. Enfrentamos já há algum tempo um período chuvoso. Nuvens escuras, pesadas, carregadas. A chuva não cessa sequer por um instante. Parece que a grande tempestade, no entanto, só chegou agora.
Vejo-o cabisbaixo. Durante as conversas, repetes os fatos, relatos que já ouvi dezenas de vezes nos últimos dias. Porém, procuro escutar com interesse, pois o ato de falar talvez o ajude a superar todas as barreiras impostas, que foram criadas, parece, ao mesmo tempo.
Estou aqui para ajudá-lo, mas sei que a minha mão, mesmo estendida ao máximo, é limitada. É difícil o filho ajudar o pai. Geralmente é o contrário e, aliás, sempre e continuo sendo auxiliado por ti e pela mãe durante as nossas caminhadas.
Corro até a nossa pequena casa. O vazio e o silêncio estão escancarados aos nossos olhos e ouvidos. Procuro o guarda-chuva porque a tempestade insiste em ficar - e não tem data para sumir.
Sei também, pai, que nós dois somos teimosos. Esbravejamos muito. E perdemos o sono, quando preocupados, com facilidade.
No entanto, meu pai, há aquele ditado que diz: após a tempestade sempre vem a calmaria. É o que espero. Desejo vê-lo calmo, pois quando estás assim nós também permanecemos bem.
Vamos superar. Eu acredito.
Ninguém rouba o amor de um filho. Nunca roubarão. Mesmo que matem este filho que bate no peito ao dizer o teu nome. O que sinto é atemporal, imaterial e se espalha pelo ar. Meu amor e admiração por ti, pai, inundam o meu ser.
Estamos juntos. A calmaria é logo ali.
À merda os problemas! Devemos sair desta pequena casa silenciosa, pois há outra maior, avermelhada e ensurdecedora. Agora veste a camisa, vamos ao estádio.