A janela está aberta, o vento entra, mas o calor continua a roubar a água do meu corpo que escorre pela testa. Estou sentado numa cadeira da cozinha, daquele tipo bem comum, enquanto admiro o monitor apagado do computador. As horas passam, há textos à minha espera, estou com fome, mas não me movo. Fecho os olhos e trago a escuridão ao quarto que tem a janela arregaçada enquanto lá fora sopram fortes os ventos da primavera.
A estação das flores murchou a planta da casa. Ela não cresce mais. Água não faz surtir mais nenhum efeito. Há algo muito maior envolvido na morte da planta outrora tão verde e pujante. O que aconteceu?
O tempo livre, por vezes, é uma desgraça. Não há nada melhor do que ocupar a mente. Quiçá colocar os textos em dia solucione os problemas. Só preciso ligar o monitor, mas mover o dedo na escuridão em que me encontro é trabalhoso demais. Os mortais suportam ao suor, às inundações, ao vento frio, mas a falta de luz é algo desleal, que faz do mover o dedo um sacrifício.
Apenas um ato de fé pode mudar o destino. O retorno da confiança em si próprio é fulcral para as ambições de todo aquele que se sente preso dentro de um quarto com a janela aberta.
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