- Olá, boa tarde. Posso ver alguns livros?
- Claro, fique à vontade.
O relógio marca 15 horas. Eu e centenas de livros numa sala grande. Poucos são novos. A maioria deles já passeou por diversas mãos.
Procuro algo legal, diferente e interessante, mas não busco nada específico. Prefiro ir ao sebo para o livro me encontrar. É quase a mesma coisa que aquela história do chapéu da saga Harry Potter, em que o objeto repousa sobre a cabeça e traça o teu destino numa determinada escola. Minha relação com os livros, principalmente nos sebos, funciona assim.
Pois bem. Liberto a minha visão para que ela rastreie potenciais títulos que, de alguma forma, demonstrem que eu preciso deles e eles de mim. Alguns minutos passam enquanto passo a mão nas capas amareladas. Até que, bingo, um livro me chama a atenção. Duplamente. Primeiro porque, de cara, vi que não seria meu, mas serviria de presente a alguém especial. Segundo porque o preço estava ótimo, o livro impecável e era uma biografia entre tantas outras. O livro, de certa forma, saltou aos meus olhos!
Vou levar, penso.
No entanto, na fração de segundo em que pensei em ir ao caixa efetuar a compra e voltar à rua, outro livro me encontra e me encanta. Ele é pequeno, bastante fino, mas com conteúdo de aspecto documental, visivelmente fruto de um trabalho jornalístico e essencialmente humano. O preço é pequeno, apenas R$ 4. Mais um que me ganha.
Finalmente vou ao caixa. Entrego o dinheiro de plástico, digito a senha, pego a nota fiscal e vou embora.
Na minha estante há um novo livro. Na dela também.
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