O asfalto parece vibrar ao longe. Tudo está seco. Cães têm sede. Humanos também. Não há sombra, apenas luz. Muita luz.
O céu limpo, sem nuvens. Completo azul que preenche todo o espaço "vazio" da paisagem. Pássaros se "banham" na terra. Vai chover?
Caminho sobre areia, grama, concreto. Respiro, transpiro, vivo. Penso, ouço e vejo.
"Que calor", penso. "Está quente", digo. "É mesmo", alguém responde.
Enquanto caminho, crianças correm. Elas seguem um som característico: a corneta do carrinho de sorvetes. Por aqui não vemos caminhões de sorvete, mas carrinhos. Mas vejo pelo lado bom: não polui o ar.
Todos querem sorvetes! Está quente, lembra?
Que tal procurarmos uma sombra para descansar?
O Sol não cessa. Mesmo na sombra rara, o calor nos atinge. A rua está deserta. Todos estão em casa. Quem está com janelas e portas fechadas tem ar-condicionado. Mas quem está com janelas e portas arregaçadas, não tem. E utiliza de ventiladores - muitos deles - e sorvete!
Algumas crianças saem para correr, jogar, brincar. O calor não é problema. Até legal é.
"Põe um boné, Pedro Henrique", a mãe grita. "Táááááá, mãe", respondo.
Tudo igual, nada mudou. Talvez esteja mais calor atualmente, ou tenha menos sombras. Ou ainda menos brincadeiras e sorvetes, e mais ar-condicionados.
O único fato que não mudará nunca é de que isso faz parte de uma tarde de verão. Uma quente tarde iluminada pelo Sol que aquece sem misericórdia toda a superfície terrena, fazendo a alegria do sorveteiro...
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