sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eu sou Xavante.

por Ivan Holsbach Schuster

Saudações Xavantes.

Ser XAVANTE é uma grande benção. Querer ser XAVANTE e ainda ser campeão, é pedir demais. Ninguém merece tanto.

Ouvi isso neste final de semana. Achei sensacional. É o que penso. Não estou nem aí se somos campeões ou não. Sou XAVANTE, ponto.

Já cruzei o Cabo da Boa Esperança (e da ruim também) e nunca gritei “É Campeão!”. Pelo menos, não um título importante.

E não estou nem aí. Continuo Xavante igual. Feliz por sê-lo.
E depois de mim, muitos outros vieram. Inclusive meu filho, nascido e residente em Porto Alegre durante toda a sua vida.
Sabe o que ele me disse domingo depois do jogo? Não estou nem aí, o bom é ser XAVANTE.

Não é verdade que diminuímos. A cada ano que passa somos mais e melhores. No meu tempo de guri era difícil se encontrar quem fosse só Xavante. No meu bairro todos eram Xavantes (uma minoria era …, deixa para lá) e gre-nal. Sempre foi assim. Isto sem falar nos Flamenguistas, Fluminenses, Vascaínos, Santistas, etc …

Acho até que hoje em dia existem muito mais só Xavante que antigamente. E é até bom que não aconteça de sermos campeões. Ficaríamos insuportáveis.

Pelotense já é soberbo por natureza. Mais cheio que intestino de velho com prisão de ventre. Se for XAVANTE, então, se acha o cara. Imagina ser pelotense, XAVANTE e ainda campeão! O mundo nunca mais seria o mesmo.

Haveria uma nova era. AX e DX. Antes do XAVANTE campeão e Depois do XAVANTE campeão.
É melhor não. Deixa assim. A humanidade não está preparada.

Se a minha preocupação fosse ser campeão, eu torceria para o São Paulo, Barcelona, Inter de Milão …

O que eu gosto é de sentir a alegria na arquibancada, é o “tem que olhar, para aprender …”, ouvir os treme-terras fazendo a chamada, é ver a cara de inveja dos adversários, o cheiro da maconha, a cachaça, a excursão, a chegada no estádio, o acreditar que dá, a expectativa, a ansiedade, a angústia, os jantares da Onda Xavante,a cara dos jogadores ao saírem do vestiário e se depararem com o “BEM VINDO AO INFERNO“…

Enfim, os pequenos detalhes que nos fazem únicos, que geram emoção.

Dos outros, não tenho inveja de seus títulos, tenho pena por terem uma alma tão desnutrida de paixão, por terem sentimentos tão pobres. Somos mais raça. somos mais garra. E isso não tem título que pague.

Eu sou XAVANTE.

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