Nós, humanos, assim como os outros animais e demais seres vivos, temos nossas necessidades básicas. Estas podem ser semelhantes ou bastante diferentes, variando de acordo com os "habitantes". No geral a alimentação é uma das atividades mais importantes, senão a maior de todas. Nós também precisamos respirar. O contato humano, por sua vez, é incrivelmente relevante, pois trabalhamos melhor em bando.
Todavia tudo muda. Com o passar do tempo, a humanidade evoluiu tecnologicamente. Hoje vivemos mais e, em tese e para parte da população, melhor. A internet e o aparelho celular são exemplos de "novas necessidades básicas" de muitas pessoas. Além disso, o capitalismo também é grande responsável por impulsionar de forma impactante a criação de novas necessidades, visando o lucro a partir dessas novidades. Claro que para acessar a essas novas formas de vida (ou viver a vida) é necessária a presença do faz-me rir - leia-se "pila". Todas essas mudanças resultaram no que chamo (com certa ousadia e irresponsabilidade, talvez) de advento da escolha de necessidade.
Alheias ou não a essas mudanças, as pessoas agregam novas necessidades à própria existência. Uns precisam, além de comer, beber, dormir e respirar, de estantes repletas de livros dos mais variados assuntos. Outros agregam necessidades às necessidades, ou seja, optam por comer aquele biscoitinho sabor requeijão no café da manhã todos os dias. Já outros têm o enorme desejo de ir ao cinema uma ou duas vezes por mês. Todos eles vão se julgar mais infelizes, ou até mesmo incompletos, se por ventura essas necessidades não forem devidamente saciadas.
É assim que funciona.
Por outro lado, certas necessidades significam futilidades para alguns, enquanto para outro grupo o iPhone tem a maior das importâncias, superior até do que beber água - preferem energético. O que falta aqui, na verdade, é a tolerância às diferenças e, além disso, a compreensão de que os tempos mudaram e continuarão mudando, para a nossa sorte. O que é necessidade para mim pode não ser para ti, mas isso não quer dizer que eu ou você temos o direito de julgar de forma leviana e irresponsável as atividades do próximo. O debate pode até surgir a partir delas, mas o entendimento e respeito são fundamentais.
Nos meus dias atuais, em época de trabalho de conclusão de curso e horários apertados, assistir a filmes via Netflix durante os fins de semana com uma taça de vinho tinto suave e amendoins japoneses ao lado são fulcrais para a recarga das energias. Essas minhas vontades produziram e ainda vão produzir boas lembranças. Tenho, e vocês também têm, o direito de escolha das próprias necessidades.




