Cortada por viadutos, ruas estreitas e calçadas movimentadas, Porto Alegre anoiteceu diferente na última terça-feira, 21. Músicos britânicos desembarcaram na capital gaúcha para tocar. Até encontrarmos o teatro, no entanto, nos perdemos pelas ruas da cidade.
"À direita? À esquerda? Sigo em frente? Aonde vamos?" Eram essas as perguntas mais repetidas durante todo o trajeto. Combustível queimando. Nervos à flor da pele. Liga-se o GPS, a conexão cai, a noite também, quase sete horas. Nada.
Andamos pela escuridão à procura do som pesado mesclado a vozes perfeitamente sincronizadas. Uriah Heep e suas capas de disco, seus solos de guitarra e bateria enfurecida, nos obriga a percorrer caminhos desconhecidos, desconexos, desprotegidos da escuridão da noite e do frio da capital.
Após idas e vindas, gritos e socos, nos reencontramos com a felicidade. O teatro apareceu ao nosso lado como mágica.
URIAH HEEP!
Quase nove horas. Pausa para o lanche típico norte-americano. Capitalismo em forma de pão, recheio fantasiado de carne. Logo após subimos as escadas. Retiramos os ingressos. Nosso suado dinheiro já tinha sido depositado. Foi bastante, mas valia a pena.
SHOWZAÇO!
Já no teatro nós nos reencontramos com o conforto da poltrona e com os efeitos de luz. Poucos minutos nos separavam da música. Quando o show começou os nossos olhos ficaram arregalados, nossos ouvidos foram intimados a escutá-los e a nossa mente, ó, esta se perdeu e se reencontrou ali, naquele espaço, naquele teatro.
Por fim, a mágica noite se resume nas palavras de nosso pai, piloto do Monza Tubarão ano 1991: esperei 40 anos pra ver esses caras.
A gente não se perde quando sabe para onde ir.
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