sexta-feira, 18 de abril de 2014

Prosa

Sonhei com um quadro pintado por um artista desconhecido, sujeito que não quis assinar o próprio nome e, assim, registrar para si a obra. Naquela tela pintada a óleo relembrei uma cena de minha vida, na qual eu estava na janela. Conversava com um homem mais velho, tipo cinco décadas a mais de experiência do que eu. 

Contava ele que existem muitos caminhos. Simplificou dizendo que eram como estradas. Existem as longas, outras mais curtas e os atalhos; algumas são asfaltadas, outras pavimentadas com pedra e existem aquelas de chão batido. Falando num tom mais baixo, quase sussurrando, mas de forma incrivelmente clara, me disse que, independente dos caminhos que eu escolhesse para prosseguir viagem, alcançaria as metas.

Fitei aqueles olhos por alguns instantes enquanto absorvia a lição. Acreditei, por fim, na sinceridade daquelas palavras.

Hoje, no escuro do meu quarto, pouco mais de quinze anos depois da conversa tão informal e marcante, compreendo totalmente o que aquele homem quis dizer. 

Tu também sabes. Ô!

Belmiro de Almeida [Public domain], via Wikimedia Commons

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