segunda-feira, 17 de março de 2014

22

Amor da minha vida.

Não sei se vais ser sempre o meu amor. De repente vamos terminar tudo daqui a dois meses. Quem sabe casamos. Vamos ficar juntos por muito tempo talvez ou decidimos, enfim, percorrer caminhos diferentes. Podemos também dar as mãos e caminhar na chuva. Quem sabe?

Aposto todas as minhas fichas, porém, que encontrei em ti quem e o que eu procurava. Achei que não existias, sabias? Nascestes longe pra DEDÉU, em Itaqui, crescestes em Uruguaiana, mas viestes para cá. Tínhamos que nos encontrar, sem dúvidas.

Teu sorriso é impressionante e surge ao natural. As tuas brincadeiras são tão divertidas que conseguem me levar a memórias que não existiram, como se eu te conhecesse desde criança.

Me motivas todos os dias. Por isso luto por ti - e não canso!

Hoje completas mais um aniversário e agradeço a tudo e a todos por ser aquele cara (o mais sortudo da galáxia) que vai ter a honra de te beijar a boca e dizer "meus parabéns, amor da minha vida".

Meus parabéns, amor da minha vida.

"I've got an angel..." 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Algo está errado e não sei como reagir

Algo não está bem. Tu podes dizer que estou julgando-os de forma leviana. Certo. Também podes sugerir que tudo é normal e a igualdade prevaleceu. Certo. Certo? Amigos, vos digo que a igualdade não é conquistada com a replicação de erros.

A minha confiança está indo embora e não sei se conseguirei segurá-la por muito tempo. Não me rendo antes que a guerra acabe, mas jogo as armas ao chão quando percebo a má vontade em lutar - ou a presença de um inimigo na trincheira.

Algo está errado e não sei reagir.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Apesar da chuva enxerguei teus olhos

Não foi a primeira tempestade. Naqueles degraus construídos tijolo a tijolo na década de 40 fiquei muitas vezes ensopado e com a carteira enrolada numa sacola de supermercado. Mas desta vez, naquele domingo, naquele temporal, naquele mesmo lugar, eu, com a mesma capa de chuva, notei que foi diferente de tudo o que outrora presenciei. 

Por um momento de puro desligamento com a realidade, enquanto entoava cânticos já cantarolados por gerações passadas, senti como se estivesse sozinho por lá, como antes foi. Eu, a chuva e a arquibancada. Mas desta vez, não. Definitivamente, não. 

Olhei para o lado e a enxerguei apesar da chuva, do vento forte que atingia o meu rosto com violência, apesar da visão turva por causa da água, apesar da capa de chuva que mais molhava do que protegia. Enxerguei ali, do meu lado, olhos que também miravam os meus. 

Lamento não ter nenhuma fotografia do exato momento em que ela sorriu. Ao nosso redor o mundo desabava e as pessoas cantavam, mas, naqueles segundos que quase congelaram, eu só consegui notar o sorriso mais belo que já tive o prazer de vislumbrar. 

Os olhos verdes, o sorriso bonito e o rosto molhado. O céu explodindo em relâmpagos e eu explodindo por dentro.

Eu nunca, em nenhuma hipótese, vou esquecer o que vi.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Saudade

A alta temperatura me acorda no meio da noite. A grande janela está aberta, as cortinas balançam devagar com o vento que entra e invade o meu quarto. O ventilador velho, que já enfrentou muitos verões, tenta resfriar o meu corpo que está quente por fora, frio por dentro.

Saudade. Sinto saudade. Muito mais saudade do que calor, aliás. Acordo no escuro e procuro alguma coisa sem enxergar nada. Bato com a mão no colchão e vou avançando, explorando cada centímetro do lençol. Eu estou com saudade de tê-la ao meu lado.

É uma saudade que sufoca, que dá sede, tira a fome, tira o sono, incomoda, me imobiliza. A procuro nos cantos da casa, na rua, no carro, nas fotografias, na memória, nas mensagens recebidas. Não a encontro.

São mais de quinhentos mil metros de distância. São mais de setenta e uma mil calçadas iguais a que existe em frente à minha casa, uma ao lado da outra. Todas elas nos separam.

Acordo à noite. Acordo mais cansado do que quando fui dormir. É difícil sorrir de forma completa quando não se tem por perto quem amamos.

É uma distância passageira. Em breve esse muro gigantesco que nos separa será derrubado e nossos peitos irão se encontrar. E o som do coração será, novamente, um só.
Enquanto isso, ó meu Deus, a procuro em vão.

Que saudade.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Perdi o bonde

Só que ainda quero sentar ao lado da janela. 

A 41ª Feira do Livro de Pelotas terminou há poucos dias. Ocorreu no Mercado Público ao invés da Praça Coronel Pedro Osório, onde normalmente acontece todos os anos. A mudança dividiu opiniões e parece que em 2014 a feira retorna à praça, mas não é disso que falarei.

Envolve a feira, os livros, o público e principalmente os lançamentos. No último dia 17, um domingo, a professora Loiva Hartmann lançou o CD "Poesias". O disco foi produzido por ela e traz poemas de dois livros também lançados pela professora. São eles "Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?". 

Recebi o convite para conferir o lançamento. A própria produtora do CD que enviou a mensagem. Revelou que o fundo musical carrega o som do piano do impressionante Richard Clayderman. As palavras foram escritas por ela, e como ela mesma mencionou, trazem veracidade. As poesias são declamadas por Otávio Soares, homem bastante conhecido na cidade.

No entanto, apesar do convite para o lançamento, mesmo sabendo que lá estariam amigos, teria autógrafos e muitos textos verossímeis, não pude comparecer. Eu, definitivamente, perdi o bonde.

Por tal razão, publico aqui neste espaço o meu apreço pela obra. Ouvi trechos do trabalho e com certeza está encantador. Minha ausência sempre é física, mas nunca é de alma. De alguma forma eu compareço, mesmo que por pensamento. No entanto, lamentei não ter ido ao lançamento. Motivos maiores do que eu.

É engraçado pensar também na forma como conheci a professora Loiva. Foi no Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), local que abriga a história e mantém vivo o maior escritor pelotense. Casa que sempre me acolheu de braços abertos como se eu fosse um personagem vivo das histórias do Capitão. Foi lá que a vi pela primeira vez. Conversei um pouco e fui presenteado com livro, DVD e ata do Núcleo de Estudos Simonianos (NES). A partir dali originou-se uma agradável entrevista que foi publicada na Folha do Instituto. Desde então a professora Loiva me convida para eventos - como o lançamento de seu CD - e liga até para desejar feliz Natal e um próspero ano novo. 

Pessoas assim, como Loiva, encontramos no varejo, não no atacado. Quando chegamos ao pequeno armazém, que comercializa produtos da terra, cultivados próximo dali, precisamos apontar ao vendedor o que queremos levar para casa. Às vezes é difícil e é preciso olhar com considerável persistência. Diferentemente do atacado. Produtos iguais, de fácil manuseio e descarte. Não duram muito em nossas vidas.

Por fim, outro fato a distingue. Tomei conhecimento de que a professora sempre presenteia o IJSLN com erva-mate da marca Barão. Ela se preocupa até com o mate na Casa do Capitão. Fica a dúvida: teria o conto O Mate do João Cardoso alguma influência nessa história interessante?

É. O bonde já está a quilômetros daqui. Tentei correr para tomá-lo de assalto, mas não obtive êxito. Fiquei ali, no ponto, esperando o próximo. Persistente que sou permanecerei firme à espera do bonde e do assento ao lado da janela.

sábado, 16 de novembro de 2013

O tempo e o inverno

Se a nossa história escrita a lápis se apagar com o tempo e os rigorosos invernos o que eu posso fazer? 

Tudo começa com todo o gás. O segredo é distribuí-lo de forma correta. Não muito rápido como o tempo nem muito lento como o bocejar de um bebê cansado. 

Nós recebemos objetivos no momento em que respiramos pela primeira vez. Não tem nada a ver com religião. É que a vida assim prossegue.

Nada terminou. Depois de tudo estruturas foram montadas. Muitas delas para a vida inteira. Ensinamentos infinitos, estes sim escritos à caneta. 

Comparando o antes com o depois é fácil perceber que és uma nova e ainda mais forte mulher. Teus olhos transmitem mais confiança e o verde está ainda mais verde. O reluzir de tu'alma alcança céus inalcançáveis às almas comuns. Caminhas determinada a chegar ao destino. Estás mais relaxada, mais feliz, mais tu mesmo. Aquelas velhas feridas e brechas ainda não foram totalmente preenchidas, e talvez nunca serão, mas elas estão mais quietas. Não se manifestam tanto nem com a mesma intensidade de antes.

Muita coisa mudou.

Os altos e baixos se foram. As decepções ainda compõem o cenário da tua vida, pois todos convivemos com elas, mas não são constantes. De vez em quando surgem, mas há braços sinceros dispostos a abraçá-la e confortá-la, pois as decepções - sabes bem - não virão de quem te abraça.

Muito ficou para trás. Agora queres o que vem à frente.

Nossa história, boa parte dela, já foi passada a limpo. As novas folhas receberam as nossas lembranças. Pouca coisa foi modificada e tudo o que foi escrito nestas linhas é à caneta. Tinta preta na maior parte do tempo. Vermelho para as coisas do coração.

Se a nossa história vai ser totalmente escrita à caneta e vai enfrentar o tempo e os rigorosos invernos o que posso fazer? Bem, eu pensaria primeiramente em preparar um chocolate quente...

domingo, 3 de novembro de 2013

Vencemos!

O sol está indo embora e nós estamos aqui. O exército de duas pessoas balança a bandeira da vitória. Aqui, no ponto mais alto da Terra. Eu e ela, lado a lado, de mãos dadas, celebramos a nossa conquista.

Foi uma luta complicada, que espalhou a nossa alma pelo chão e fez jorrar sangue de nossas feridas, mas ainda assim resistimos, lutamos e vencemos!

Os inimigos eram muitos. Invisíveis, cruéis e utilizavam táticas friamente calculadas em porões obscuros do bairro. Rodearam os nossos amigos e tentaram nos atingir através deles; escreviam com a intenção de ferir com palavras como se estas fossem flechas advindas de um arco maligno; arquitetaram por diversas vezes discussões que, na verdade, não eram nossas; e contrataram, por fim, mercenários para ganhar a nossa confiança e, na trincheira, desferir o golpe fatal.

Vencemos, apesar de tudo. 

A vitória foi justa nesta injusta guerra. 
O suor de nossa luta se transformou em lágrimas.
No fim o maior prêmio foi o nosso beijo ao nascer do sol, iniciando um novo dia.

sábado, 2 de novembro de 2013

O silêncio é sempre maior

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
O silêncio é sempre maior. Engenheiros do Hawaii
Muitas vezes me peguei ansioso esperando por aquele dia que demora a chegar. Momento para relaxar um pouco mais do que o normal, escutar uma boa música, ler um livro, ficar com quem a gente gosta. O problema é quando esse dia chega e o silêncio toma conta do ambiente de uma forma inexplicável. A boca fica seca, os olhos atônitos e as mãos suam frio. Não há o que dizer, definitivamente.

Geralmente busco respostas nas músicas, mas nem sempre elas têm as palavras certas para dizer. Ouvi Engenheiros do Hawaii e eles foram sinceros: por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior. 

O que mais incomoda - e que paradoxalmente me deixa inquieto - é o barulho desse silêncio. É ensurdecedor. Parece que estamos em um estúdio sombrio. Não há som externo. Só ouvimos porque estamos dentro de tal sala. A qualidade sonora é alta, mas o que escutamos não é bom de se ouvir nem dizer.

Não há o que dizer.

Eu confio na humanidade, apesar dos pesares. 
Eu confio em mim, apesar das incertezas. 
Eu confio na vida e no que ela pode proporcionar, mesmo sabendo que coisas boas e ruins vêm e vão.
Agora, não posso confiar por dois.

Pensamentos invadem o meu crânio sem anestesia. Estes cortam a minha pele e empapam a faca com o meu sangue. Tento gritar, mas quem deve ouvir está tentando dormir com a luz acesa.

A quem pedir socorro?

Às vezes penso em malhar, aprender alguma outra língua, mas sei que é perda de tempo. A grama do vizinho é sempre mais verde, mas isso num mundo de aparências. Merda, este é o nosso mundo.

Tento exercitar ao máximo a minha sinceridade, mas nem sempre consigo falar a verdade. Minto com o meu sorriso, mas meus olhos, janelas de minh'alma, denunciam o sofrer de meu peito.

Eu ainda vou dar um voto de confiança para a vida. Sei que depois de toda tempestade vem a calmaria, a paz tão desejada e quiçá, Deus queira, as atitudes de se entregar ao outro como se estivéssemos há mais de 700 dias juntos. Tempo suficiente para olhar nos olhos e sorrir. 

Quero saber com quem divido a cama, o lanche da tarde e, num futuro próximo, talvez, a vida. Por enquanto os muros e os inimigos estão vencendo... e o silêncio é maior.

O inimigo conhece o campo tanto como eu. E isso sangra.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Com a horta e Deus

Hey, vocês aí que contemplam o Sol. Como é a sensação?

Aqui na minha ilha só há nuvens e chuva. Os navios que por aqui deixam suas mercadorias levam também as nossas riquezas, mas não podemos fazer nada. Nossa terra foi tomada para que vocês aí possam contemplar o corpo celeste que cospe fogo. 

Não podemos impedir o roubo “legal” feito por eles. O Rei, afinal, ordenou e assim será. Peço aos Deuses que tenham piedade de nossas almas e peço também que Ele nos proteja, evitando que nos transformem também em mercadoria. Já ouvi histórias macabras, de pessoas que daqui saem para trabalhar forçadamente em algum campo longe daqui. Outros foram designados à produção de uma carne, que dizem ser salgada, chamada, eu acho, “charque”. Não sei se é verdade ou lendas inventadas por velhos nas tavernas.

Temo, no entanto, em ver com os próprios olhos essa história de terror e ser o personagem principal desta. Só quero viver nesta minha ilha, que um dia já foi de nosso povo, mas que agora está nas mãos do poderoso Rei, que diz ser o representante de Deus na Terra. 

Nossas mulheres foram raptadas, nossas crianças roubadas e nossos soldados mais vigorosos estão mortos. Não tenho esperança senão na minha pequena horta, que alimenta a mim e à minha família. Enquanto os olhos do Rei não caírem sobre a nossa pequena moradia, nossa vida estará segura.

E um dia, quem sabe, poderemos ver o Sol também.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Não chora

Já é noite de um domingo monótono e frio. Não há nada de valor na tevê. A internet carrega apenas o movimento da maioria, que por vezes não representa muito ou quase nada. Te vejo sentada na cama com o cobertor de lã de cor verde sobre as pernas enquanto olhas fixamente a parede. Porém, teu olhar está em outra dimensão. Não compreendo o que está acontecendo, mas sei que bem não estás. De repente, como se algo chamasse teu nome, olhas para mim e começas a chorar.

Não!...

Colocas a mão no rosto tentando tapá-lo ou escondê-lo de minha visão, mas mesmo se eu não a enxergasse saberia que o meu amor chorava. Corri para abraçá-la, perguntei "o que houve?", mas poucas respostas obtive. Na maioria das vezes escutei "não foi nada", "não é contigo" ou "é comigo mesmo".

Guria, entenda: nada mais é só contigo. O que antes era um, hoje é dois. Tudo foi duplicado e as sensações de nós dois estão mescladas. O que sentes influencia o que eu sinto e vice-versa. Não há nada no mundo ou fora dele que impeça que isso aconteça. Se choras, choro também. 

Enquanto encostavas tua cabeça em meu peito, olhei para cima e procurei alento numa tentativa quase vazia de receber socorro. Não havia nada à nossa volta. Só eu e tu, guria. 

Sequei teus olhos, beijei tua testa e afastei a mecha de cabelo que insistia em tapar os olhos verdes que miravam os meus castanhos. Eu disse "te amo". Tu dissestes "eu também te amo". Peguei na tua mão e uma lágrima no meu rosto escorreu; mesmo assim apertei teu corpo contra o meu e disse "não chora".

Não chora.
Não chora.
Não chora. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sustentação

Às oito da manhã já estou no serviço. Saí de casa com um pouco de atraso. Por conta disso não coloquei nada na barriga. Minha avó já dizia que saco vazio não para em pé, mas eu não sou um saco e permaneço em equilíbrio - dizem que sou um cara legal. As horas vão passando e noto que a fome, volta-e-meia, aparece. Depois some. 

As horas vão passando enquanto acumulo tarefas. Concluo algumas, surgem outras, numa rotina insana e divertida. Quase meio-dia. O pessoal na rua ganha intervalo para o almoço. Algumas vão almoçar, outras aproveitam o tempo para encontrar o grande amor ou pagar contas e outras não têm dinheiro para ir comprar alguma fritura que a sustentem. Eu escolho não comer.

Há muito trabalho e pouco tempo. Não posso ter o luxo de almoçar, conversar um pouco, quiçá palitar os dentes, enquanto tenho pilhas de papeis e matérias à minha espera. A equipe criou uma expectativa e preciso cumpri-la e superá-la sempre quando puder. É a minha vida, é a minha rotina e a fome nada mais é do que mais um obstáculo.

A tarde vem e as pessoas já estão pensando no biscoitinho das quatro horas. Eu me limito a copos de plástico com café quente. A energia proveniente da cafeína é, na verdade, o meu sustento que sustenta também o meu vício pela poderosa bebida preta - qualquer semelhança à bebida refrescante com ratos é mera coincidência, nada mais. O café é a bebida mais forte!

Quase seis horas da tarde. Lembre-se que cheguei ao serviço por volta das oito horas da manhã. São dez horas de jejum e trabalho intenso. Está quase tudo terminado, aliás. Falta pouco para eu regressar à minha casa e, quem sabe, preparar uma torrada. Nada muito interessante, mas ainda assim uma torrada.

As matérias estão prontas e o jornal inicia a poucos minutos. Preciso ir para casa, ligar a tevê, assistir ao que produzi e, só depois disso, tomar um merecido banho. O beijo na esposa também é fundamental e é a primeira atividade ao pisar no carpete da sala. Ela (a esposa), sim, é o sustento, mas que sustenta uma vida, não um dia. 24 horas têm poucos segundos perto do que ela representa na vida de um homem que vê nela a companheira de vida e de histórias. 

O jornal terminou e preparo as roupas para ir ao banho. Finalmente! Antes, porém, minha guria - que há pouco chegou do serviço - me convida para comer umas torradas. Estas feitas por ela - são muito melhores que as feitas por mim. Sento à mesa, preparo o meu pão e espero a torradeira fazer o resto. A minha esposa repete a ação. Nós dois nos beijamos enquanto a massa daquele pão de trigo é torrada pelas chapas quentes do eletrodoméstico que um dia revolucionou o cotidiano das pessoas, passando de nova tecnologia a item quase indispensável da cozinha americana e dos filmes de Hollywood em cenas que retratam o café da manhã. 

O pão salta da torradeira. Pego o meu, ela o dela. Comemos. Sorrimos. Bebemos uma taça de vinho. A beijo na testa e vou, finalmente, ao banho. Enquanto a água cai em meu rosto e o xampu age em meu cabelo, reflito sobre o dia e a fome que sentira mais cedo. Chego à feliz conclusão de que o meu sustento diário é proveniente do amor de minha esposa e da minha felicidade em fazer o que amo. O resto é só comida.

domingo, 15 de setembro de 2013

Com razão

Eu tive razão quando decidi deixar a emoção falar mais alto, o coração bater mais forte, a pupila dilatar e a mão da guria dos olhos verdes pegar. Tive razão, o tempo me deu razão, eu me dei razão, ela deu razão. E aí deixei de lado quaisquer medos que pudessem me fazer evitar a rua pela qual ela passava todos os dias. Ou que me fizessem esquecê-la ou retirá-la dos meus sonhos mais sinceros. Sim, eu sonhei com ela - e ainda sonho, mesmo com ela do lado.

A vida me deu razão, mas a racionalidade que joguei fora ainda grita lá fora, do outro lado do muro, que não há razão nenhuma no que fiz: eu a pedi em namoro após três semanas de conversa e dois dias de beijos. Não foi racional, mas emocional. Com razão.

Desde o dia 22, há quase dois anos, tenho razão.
Todo dia é dia 22.
Todo dia tenho razão.

#22day | #EuTiveRazão

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Janela aberta

A janela está aberta, o vento entra, mas o calor continua a roubar a água do meu corpo que escorre pela testa. Estou sentado numa cadeira da cozinha, daquele tipo bem comum, enquanto admiro o monitor apagado do computador. As horas passam, há textos à minha espera, estou com fome, mas não me movo. Fecho os olhos e trago a escuridão ao quarto que tem a janela arregaçada enquanto lá fora sopram fortes os ventos da primavera. 

A estação das flores murchou a planta da casa. Ela não cresce mais. Água não faz surtir mais nenhum efeito. Há algo muito maior envolvido na morte da planta outrora tão verde e pujante. O que aconteceu?

O tempo livre, por vezes, é uma desgraça. Não há nada melhor do que ocupar a mente. Quiçá colocar os textos em dia solucione os problemas. Só preciso ligar o monitor, mas mover o dedo na escuridão em que me encontro é trabalhoso demais. Os mortais suportam ao suor, às inundações, ao vento frio, mas a falta de luz é algo desleal, que faz do mover o dedo um sacrifício. 

Apenas um ato de fé pode mudar o destino. O retorno da confiança em si próprio é fulcral para as ambições de todo aquele que se sente preso dentro de um quarto com a janela aberta.

sábado, 17 de agosto de 2013

terça-feira, 30 de julho de 2013

Atente-se, há anjos sobrevoando!

Não pense que são anjos com rostos infantis, bochechas gordas e avermelhadas, além de asas brancas e delicadas. Não. São anjos, guerreiros de guerra, que nos observam. Analisam a ação do homem nesta terra que foi criada ao próprio homem. 

Será que estamos evoluindo ou apenas aceleramos o embate final? O tempo dirá.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O equilíbrio das cores e sensações

Às vezes ingresso em salas amplas, bem iluminadas e de certa forma melancólicas e não sinto absolutamente nada. Em outras ocasiões, entretanto, pareço capaz de mesclar meu corpo à atmosfera de uma casa comprida e tomada por quadros pintados a mão, através de diferentes técnicas e sentidos, e com cores equilibradas. 

Fotografia: José Pacheco
No dia 17 deste mês, por volta das cinco horas da tarde, talvez menos ou um pouco mais, visitei, juntamente com a equipe da TV Câmara, o ateliê Giane Casaretto, no centro da cidade de Pelotas. Subi os poucos degraus, dei boa tarde e ingressei na sala que se tornaria numa das experiências mais surpreendentes já vividas por mim. Observei um dos talentos da casa, a menina Lorena Cunha (foto ao lado), produzir arte.

Logo um quadro me chamou a atenção, depois outro. Meus olhos se perdiam. Eu tentava dar direção à visão, mas cada um tinha seu dom de sedução. No entanto, uma das maiores telas do lugar, senão a maior, me fez parar tudo. Nela, um gaúcho tocava violão enquanto outro observava à distância dois casais dançando. Por mais abstrato que o rosto do gaúcho que dançava ao longe estivesse, não delimitado em traços, via-se expressão. Observei-o por curtos 10 minutos.

Havia mais! A cor das frutas, dos casarões de Pelotas, da tinta ainda fresca na tela inacabada, tudo transmitia arte. Ao fundo, som calmo. A luz do sol invadia a sala e a tornava aconchegante. Conversei brevemente com a arquiteta que deu seu próprio nome ao ateliê. Ela contou que cerca de 20 pessoas produzem arte por lá, a maioria mulheres (elas ainda dominarão o mundo, para o nosso bem).

Convite a passeio. Fotografia: José Pacheco.
As ondas de cor colocadas naquelas telas desenhavam e produziam paisagens que invadiam e povoavam nossa mente, tornando possível que naquelas paredes que seguravam os quadros existissem janelas para outros mundos, onde enxergávamos outras realidades. Às vezes parecia que eu enxergava memórias de outras pessoas ou ainda nossas lembranças de outras vidas.

Às vezes parece que esta não é a vida real.

- - -

Recomendo a vocês a visita ao ateliê Giane Casaretto, que fica na rua XV de Novembro, 817, no centro da cidade de Pelotas. Por fim, agradeço ao José Pacheco, brilhante fotógrafo da TV Câmara, por liberar as fotografias, e ao Edson Luis Planella, coordenador da mesma tevê, por autorizar o uso do material.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O tempo me dá razão

Sinto sensações difíceis de explicar. 

Gosto de receber aquelas ligações inesperadas que foram feitas para informar que do outro lado da linha há alguém com saudade. Convivo com essa rotina tão leve e diferente desde o dia 22 de outubro de 2011. Sim, e hoje é dia 22.

Sempre classifiquei o tempo como meu aliado. Não há solução melhor. Ele me dá razão. 

Coisas simples ocorrem e a gente só percebe quando vive. Com a menina dos olhos verdes vivi muitas “primeiras vezes”. Primeira vez que eu levei ao cinema, ao parque, ao show, à lancheria, à pizzaria, ao jogo do Xavante, a Santa Cruz, ao meu quarto.

No sábado, logo depois de ver meu time ser campeão, eu a vi linda, incrivelmente linda. Mesmo com o salto alto que me deixa ainda mais baixo, pude olhar para cima e enxergar dois olhos verdes, grandes e brilhantes. A beijei e dancei com ela numa festa de 15 anos. Foi a minha primeira vez. De novo.

Ao fundo tocava uma música que nunca tinha ouvido. O nome da música é Vagalumes e que agora povoa a minha mente enquanto escrevo este post que celebra mais um dia 22. Mais um.

O tempo me dá razão. Viu?

Obrigado por tudo, Jess. Por todas as vezes que tu me destes a primeira vez. O bom é que já estamos na segunda, décima, milésima vez. Milésima dança, milésimo beijo, milésimo abraço, milésimo sorriso, encontro, olhar, carinho e amor.

Love is real.

“Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí,
Pra te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor,
Eu só quero amar você,
E quando amanhecer eu quero acordar do seu lado”.

domingo, 7 de julho de 2013

Obrigado, Chico

Confie sempre
por Chico Xavier

Não percas a tua fé entre as sombras do mundo. Ainda que os teus pés estejam sangrando, segue para a frente, erguendo-a por luz celeste, acima de ti mesmo. Crê e trabalha. Esforça-te no bem e espera com paciência. Tudo passa e tudo se renova na Terra, mas o que vem do céu permanecerá. De todos os infelizes os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo. Eleva, pois, o teu olhar e caminha. Luta e serve. Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite. Hoje, é possível que a tempestade te amarfanhe o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

domingo, 30 de junho de 2013

Nosso contrato

Não há nada escrito. Não existem pilhas de papéis grampeados com dez mil caracteres e termos jurídicos que firmam, ou não, mútuo acordo. Nosso contrato é oriundo do olhar à meia-noite, com a cabeça sobre o travesseiro. Rostos se encaram, olhares se entrelaçam e o sorriso brota, cresce e assina o termo vitalício de cumplicidade. 

Não ligo se a conta bancária está prestes a ficar no vermelho antes do dia 15 do mês. O importante é ter algo para comemorar no dia 22. Tão logo recebo, protagonizo grandes performances e organizo vasta agenda de atividades. Cinema, comida, algum livro, outra saída, filme em casa e à vontade, além do sono reconfortante na maior cama de casal para solteiro do mundo.

Nosso contrato, enfim, foi firmado à luz do monitor, à luz do celular que desperta às seis da manhã, à luz do olhar esverdeado que ilumina, à luz da própria luz que vem de cima, espanta a escuridão e sinaliza que o dia já chegou.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Os livros me escolhem, não o contrário


- Olá, boa tarde. Posso ver alguns livros?
- Claro, fique à vontade.

O relógio marca 15 horas. Eu e centenas de livros numa sala grande. Poucos são novos. A maioria deles já passeou por diversas mãos. 

Procuro algo legal, diferente e interessante, mas não busco nada específico. Prefiro ir ao sebo para o livro me encontrar. É quase a mesma coisa que aquela história do chapéu da saga Harry Potter, em que o objeto repousa sobre a cabeça e traça o teu destino numa determinada escola. Minha relação com os livros, principalmente nos sebos, funciona assim.

Pois bem. Liberto a minha visão para que ela rastreie potenciais títulos que, de alguma forma, demonstrem que eu preciso deles e eles de mim. Alguns minutos passam enquanto passo a mão nas capas amareladas. Até que, bingo, um livro me chama a atenção. Duplamente. Primeiro porque, de cara, vi que não seria meu, mas serviria de presente a alguém especial. Segundo porque o preço estava ótimo, o livro impecável e era uma biografia entre tantas outras. O livro, de certa forma, saltou aos meus olhos!

Vou levar, penso.

No entanto, na fração de segundo em que pensei em ir ao caixa efetuar a compra e voltar à rua, outro livro me encontra e me encanta. Ele é pequeno, bastante fino, mas com conteúdo de aspecto documental, visivelmente fruto de um trabalho jornalístico e essencialmente humano. O preço é pequeno, apenas R$ 4. Mais um que me ganha.

Finalmente vou ao caixa. Entrego o dinheiro de plástico, digito a senha, pego a nota fiscal e vou embora.

Na minha estante há um novo livro. Na dela também.