quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lógica

A lógica da pirâmide invertida me diz que o mais importante vem primeiro.
É uma técnica interessante que exige cuidados técnicos.
No entanto, quando o assunto é importância
tudo fica mais claro. Pois sei que
o mais importante é
ela.

Se

Se no futuro houver dias bons como alguns que tive, tenho a certeza de que serei
o guri mais feliz do mundo,
o homem mais feliz do planeta,
o jornalista mais informado da história.

Se não for, posso dizer que ao menos hoje sou
o guri mais feliz do mundo,
o homem mais feliz do planeta,
o jornalista mais informado da história.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Por que culpar o carnaval?

Eu não sou carnavalesco, apesar de já ter ido algumas vezes à passarela do samba. No entanto, sinto a necessidade de comentar sobre a festa popular em razão dos grandes problemas envolvendo o carnaval pelotense deste ano. 

Após confronto entre Brigada Militar e membros de bandas carnavalescas, o fato tomou conta da imprensa, das discussões políticas e das redes socias. Em muitas postagens pela web, pessoas questionam a razão pelo qual o carnaval ainda existe, além de acusar a festa de ser a responsável pela saúde sucateada, pelas escolas sem estrutura, pelo buraco na rua tal, enfim, por todos os problemas da cidade.

Em primeiro lugar, concordo que há prioridades, como a saúde. Nosso pronto-socorro, que atende a toda a região sul, não tem leitos para todo mundo, além de faltar médicos e equipamentos. É assunto urgente. Tem que ser resolvido para ontem!

Nossa segurança também não caminha bem. Todos conhecem alguém que já foi assaltado uma, duas ou três vezes, até mais, pelas ruas de Satolep.

Nossa educação, pss, assim como no resto do país, sofre com a falta de investimento e maior atenção por parte de nossos governantes. Professores recebem salário baixíssimo, alguns deles também não mostram qualidade, e nossas crianças têm cada vez mais dificuldades para aprender a ler e escrever. E a interpretar, o que é ainda mais importante.

Pelotas também vem sofrendo com as chuvas que sempre alagam os bairros e o centro; com o lixo jogado pelos próprios pelotenses; com a falta de indústrias e, consequentemente, empregos melhores e disponíveis a todos. Pelotas sofre com a falta de progresso.

Agora, uma pergunta: o que o Carnaval tem a ver com isso tudo? Ele não é, em hipótese alguma, responsável por todos os problemas. A verba destinada às escolas é pequena. Não é suficiente para bancar boa parte do investimento das escolas de samba - nem perto disso. O pagamento também atrasa, conforme relato dos presidentes das entidades. 

O governo municipal, obviamente, gasta uma grana na construção da passarela do samba. Não tenho fontes disponíveis aqui, mas ouvi que a obra foi orçada em cerca de R$ 370 mil. Poderia ser investido em saúde, não é mesmo? Mas há verba para isso. E deveria haver mais! Mas por que, pelo bigode do Super Mario, tirar dinheiro do carnaval que é, para muitas pessoas, importante e a única fonte de lazer do ano?

Não me interessa se menos da metade da cidade curte carnaval. Essa festa popular, tão bem praticada há décadas em Pelotas, chegando a ser considerada uma das melhores do país, é uma festa do povo. Se não gostas, paciência. Também não gosto de tantas coisas e convivo muito bem com isso. O mundo é interessante justamente pelas diferenças. No entanto, não aguento ler pedidos para o "fim do carnaval" porque não há saúde. Ora, não há saúde porque nossos governantes são incompetentes! 

Vote melhor e cobre de quem for eleito. Não jogue a culpa da saúde nas costas dos carnavalescos. Eles só querem folia, assim como seus antecessores queriam e tiveram há trinta, quarenta, cinquenta anos.

Já fomos menos egoístas.

Ocupados! (one year and four months)

Tchê, hoje já é dia 25, três dias depois do dia tão especial que vem se repetindo a cada mês. Completamos um ano e quatro meses e não escrevemos nada. Que pena. É que, na verdade, estávamos ocupados aproveitando a vida, o amor e a música.

Palavras não seriam suficientes. Nunca foram.
Valeu, Jess.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Insisto

Não estrague.
Não pense pelos outros.
Não aja de forma irracional.

Caso erre, tudo bem.
Reconheça a falha.
Aceite, mas não a repita.
E tudo ficará bem.

Brigue com quem não te liga!
Que não liga!
Que não conversa!
Que cobra!
Que não cede!
Que não pensa em ti!

Eu penso.
Eu desejo.
E eu insisto: não estrague.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A rua

Nos dias de calor quase infernal, lembro-me daquelas tardes de outono em ruas vazias. Lembro-me do meio-fio da calçada cheio de folhas secas. Recordo-me da cabeça cheia de ideias. Lembro-me de pedalar sem destino nem importância. Apenas decidia passar por aquela rua quieta, fria e tranquila.

Tempo em que andava por vias esburacadas para chegar ao calçamento desnivelado.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Trevo de quatro folhas

Tropecei, mas não caí. Tudo faz muito sentido, mas não entendo nada. O sol está forte e brilhante, em meio a nuvens, enquanto pássaros cortam o azulado céu infinito. De repente, encontro um trevo de quatro folhas. O arranco com todo o cuidado e o coloco - como minha avó me disse, anos atrás - dentro do livro. "Para dar sorte nos estudos". Talvez dê tudo certo a partir de agora.

Continuo. Há muito calor e poucas sombras. As poucas árvores que existem no caminho nos convidam a parar e dormir sob a refrescante proteção natural; mas não posso dar fim aos meus passos que, por ora, estão acelerados. Preciso chegar no fim desta estrada porque há uma árvore com uma sombra muito, mas muito maior. Gigantesca. Incomparável.

Lembram-se do trevo de quatro folhas? Ele continua dentro do livro. Está me proporcionando sorte nos estudos. Assim posso aproveitar melhor as oportunidades e seguir em frente com tranquilidade. Sereno e convicto do que quero piso forte na empoeirada via de acesso ao sucesso.

Espero que o trevo de quatro folhas resista ao calor. Ainda falta muito.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Sem controle

Às vezes eu perco o controle, guria. Fico louco, suo muito. Não durmo direito, não leio e não raciocino. Às vezes a insanidade quase toma conta e o ciúmes inexistente então surge.

Eu estava sonhando com o passado,
E meu coração estava batendo rapidamente,
Eu comecei a perder o controle,
Eu comecei a perder o controle...*


A dor subia à cabeça. Eu queria me afastar de ti. Não queria que tuas mãos tocassem nas minhas nem a porra da aliança no dedo. Em meu peito havia o sentimento de não merecê-la, de não poder beijá-la nem amá-la por muito tempo mais. Tive medo.

É que tive um sonho. Nele eu te perdia. Naquelas perdas irreparáveis. Te via caminhar para nunca mais regressar. Aquele teu sorriso tão belo, agora quase de despedida. Lembro com tristeza de ti virando a cabeça para frente, rumando a um destino oposto ao meu.

Oposto do que é o nosso objetivo. É meu maior medo. Não vá...

Eu estava me sentindo inseguro,
Você poderia não me amar mais,
Eu estava tremendo por dentro,
Eu estava tremendo por dentro...*


O sonho era tão real dentro da minha cabeça que resolvi deixá-lo acontecer. Talvez esse cara não seja eu, pensava. Talvez eu esteja viajando na 1ª classe com uma passagem cortesia. Em algum momento serei convidado a me retirar.

Acreditei que o momento havia chegado. Resolvi tentar me retirar da tua vida retirando a minha mão suada da tua tão amigável, tão macia e divina.

Falei bobagens. Fiquei nervoso, tenso e incrivelmente chato. Tudo era motivo para perder o controle, perder totalmente o controle, te perder.

Eu estava sonhando com o passado,
E meu coração estava batendo rapidamente,
Eu comecei a perder o controle,
Eu comecei a perder o controle...*


Perdão, meu amor. Desculpa-me pelos meus erros e julgamentos infundados. Eu estava mergulhado num pesadelo, numa areia movediça. Preso num buraco, acorrentado em muros altos num continente distante. Eu estava me sentindo longe de ti, longe de nosso sonho, de nosso amor.

Eu já estava sentindo saudades dos nossos planos...
 
Eu não pretendi te ferir,
Eu sinto muito se te fiz chorar,
Oh não, eu não quis te ferir,
Eu sou apenas um rapaz ciumento...*

Fique, permaneça ao meu lado. Não suma na escuridão. Seja o meu raio de sol naquela manhã fria. Fique. Por favor. Eu te amo. Fique.

E olhe para trás. Talvez eu esteja correndo em tua direção.

* Trechos da música Jealous Guy, de John Lennon

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Love is real! (um ano e três meses)

O tempo passa, a vida ensina.
Somos teimosos e apaixonados.
E continuamos a caminhar
Enquanto a galera xia.

Isto não é poesia
Nem falsas palavras.
Apenas a amo com se fosse minha
Quando, de fato, eu sou dela.

Lutamos juntos,
Crescemos lado a lado,
Choramos e sorrimos
A cada novo obstáculo.

O dia 22 surge mês a mês.
Mas o nosso amor
É cultivado dia a dia.

Porque love is real
E John Lennon nos contou
Que o tempo passa, a vida ensina.

22 de outubro de 2011
22 de janeiro de 2012
22 de algum mês de infinito

domingo, 20 de janeiro de 2013

Eu não disse que eu entendia Lennon? (e vice-versa)

Saboreie:


Perguntaram a John Lennon:
- Por que você não pode ficar sozinho, sem a Yoko?
E ele respondeu:
- Eu posso, mas não quero. Não existe razão no mundo porque eu devesse ficar sem ela. Não existe nada mais importante do que o nosso relacionamento, nada. E nós curtimos estar juntos o tempo todo. Nós dois poderíamos sobreviver separados, mas pra quê? Eu não vou sacrificar o amor, o verdadeiro amor, por nenhuma piranha, nenhum amigo e nenhum negócio, porque no fim você acaba ficando sozinho à noite. Nenhum de nós quer isto, e não adianta encher a cama de transa, isso não funciona. Eu não quero ser um libertino. É como eu digo na música, eu já passei por tudo isso, e nada funciona melhor do que ter alguém que você ame te abraçando.


Obrigado, Lennon. Obrigado por ter existido.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Entendendo John Lennon

Não, não entendi, apesar do título afirmar que sim. Apenas desloco alguns fatos de sua vida, parte de suas letras, outra tanto de seu comportamento e recolo nos espaços vazios que existem em minha existência. Ao ver todas as peças colocadas em seus devidos lugares então percebo que, em tese, e para a minha surpresa, entendo o grande Lennon. Pois passo por situações semelhantes, não iguais; porque amo como um louco e desejo que o mundo vire de ponta cabeça. Porque me vejo em um mundo paralelo ao ouvir as suas músicas, ao entender as suas letras, ao viver a minha vida.

Entendo John Lennon. Logo me entendo também.

Se segura John, John se segure
Vai ficar tudo bem
Você vai ganhar a luta

Se segura Yoko, Yoko se segure
Vai ficar tudo bem
Você vai fazer o voo

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Feridas na alma

O dia havia sido tranquilo. Após chegar trinta minutos mais tarde em casa do que de costume, um furacão covarde resolve bagunçar a cabeça, os sentimentos e o espírito. Após diálogo de cerca de cinco minutos, que mais pareceu durar centenas de anos, a carne sangrou e o espírito viu perder um pouco do seu brilho. 

No dia em que descobri ter conquistado mais um dez numa avaliação da universidade, fui chamado de ignorante pela pessoa que mais amo na vida. Ela não estava sob efeito de álcool nem drogas. Estava sóbria, sã e consciente dos seus atos. Não obstante, desferiu mais algumas palavras que torturam e continuam a martelar dentro da cabeça. Enquanto minhas lágrimas de tristeza e profunda decepção escorriam por toda a face, ouvi o golpe final: pode chorar, Pedro Henrique. Pode chorar.

Feridas assim não cicatrizam nem são curadas com pedidos de perdão. Elas permanecem abertas, sangrando e ardendo por toda a eternidade. Memórias inesquecíveis e que levam ao delírio, ao desespero e ao medo. 

Não sei mais o que pensar. Também não sei o que fazer. Apenas sinto uma enorme necessidade de gritar por auxílio e acordar vinte quarteirões ao meu redor. 

A dor que sinto não cabe no peito. A ferida está ardendo.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Estou aqui

Abra os teus olhos e contemple o amor mais puro. Sinta a mão quente que seca as tuas lágrimas, acaricia teus cabelos e que pressiona teu queixo como se dissesse para ter calma, pois agora estás em segurança. 

As ruas desertas cheias de gente, as lágrimas afiadas que deixavam cicatrizes no rosto e lâminas no antebraço estão no passado. 

À sua frente há um rapaz mais baixo, mais estressado e mais amigo do que os outros abrindo caminho enquanto golpeia os galhos que bloqueiam a passagem e impedem a visão de um futuro bonito. Apenas siga os passos do guri que emprestou o próprio agasalho para te aquecer na manhã gelada, que te liga à noite para saber se estás bem, que larga o que estiver fazendo e fica ao lado da porta te esperando.

Apenas deixe a vida acontecer. Fique tranquila. Há amores que surgem do nada e permanecem por tempo indeterminado. Há almas que se encontram após trilharem caminhos completamente diferentes. Há pessoas dispostas a dedicar toda sua existência para, assim, dividi-la com alguém. Há um guri feliz e orgulhoso por estar ao teu lado.

Esqueça o que não merece ser lembrado. Olhe para o objeto prateado e brilhante em teu dedo e sinta o coração, que está em outra parte da cidade e em outro corpo, bater por dois.

O vazio pode ainda estar vazio, mas agora, no fundo da caixa empoeirada, há uma alma olhando por ti, te protegendo. Lá há um guri que é teu amigo, teu guardião e namorado. 

Estou aqui.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que torna o simples em especial

Obviamente o Natal - o verdadeiro; aquela festa em que se celebra o amor e a esperança e se presenteia com troca de mais amor e esperança - não é uma data simples, muito menos dia normal. É, na verdade, e com todos os méritos, um dia bastante especial. No entanto, as pessoas e as palavras certas podem torná-lo numa lembrança inesquecível. Memória que se marca com ferro quente no meio do coração, não na mente. É aquele tipo de recordação que fica guardada no consciente e inconsciente. Armazenada n'alma.

Hoje, no fim do dia 25 de dezembro, portanto Natal, sofri uma queimadura no fundo do peito. Em meio aos batimentos cardíacos, acompanhados do barulho do ponteiro do relógio na parede do quarto, ouvi de minha namorada que este foi o melhor Natal que ela já viveu em toda a sua existência.

Pessoa certa e palavras certas. O Natal de 2012 foi um dia especial.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Duas décadas + 1

Há 21 anos, num quarto de hospital universitário, nasci. Meu primeiro ato ao chegar neste lugar com tanta gente, tanta vida e tantos Xavantes, foi chorar. Não fui às lágrimas por achar que o futuro seria algo torturante. Chorei por, finalmente, concretizar o sonho de um pai e, principalmente, de uma mãe que aguardaram, se esforçaram e sonharam com o dia do meu nascimento.

Talvez o meu primeiro espetáculo, se é que teve algum, foi o de exibir aos meus familiares mais próximos a mancha negra de nascença que possuo. No antebraço direito, bem no meio, está o sinal que me acompanha até hoje. De lá para cá, tento arrancar aplausos dos que me rodeiam, mas nunca, em hipótese alguma, para massagear o meu ego. Apenas quero traçar no mapa o caminho até o pote de ouro, ao sucesso, à realização profissional. Se houver reconhecimento e sorrisos, melhor.

Não sou o melhor cara do mundo nem o mais fora do padrão - há outros por aí que criam os seus próprios padrões e meios de viver a vida. Também bebo Coca-Cola, assisto futebol, leio, namoro e até assisti ao filme Strip-Tease, anos atrás, com a TV no mudo e escondido dos meus pais, assim como todo mundo. Eu e você fazemos parte de um planeta recheado de padrões e quebra de padrões. Eu tento criar o meu, simplesmente.

Também já tive muitos amigos. Talvez eu não tenha tantos como antes, mas possuo o suficiente. Afinal, possuo meus pais, minha irmã, minha namorada e mais algumas almas que, longe ou perto, batalham comigo por campos abertos localizados no velho mundo.

Olhando para trás e relendo este post chego à conclusão de que minha bagagem já foi de mão. No entanto, agora minha existência requer malas maiores e mais resistentes a temporais e ao rigoroso inverno. Guardo as melhores lembranças nos pequenos compartimentos ao lado das fotografias antigas. Possuo no rosto o beijo de mãe que me pede para tomar cuidado e nas costas as digitais de um pai que abraça e vê no filho a sua própria imagem. Se engana quem pensa que frequento aeroportos com minhas malas pesadas, mas reconheço perambular por estações de trem. Quem gosta de avião é minha irmã, que espera ansiosamente na sessão de embarque com destino a Madrid.

Enfim, minha vida pode ser resumida em 21 palavras, 21 parágrafos, 21 páginas ou 21 segundos. O que importa é que completo 21 anos sem ter mudado os meus objetivos e meu estilo de vida.

Agradeço, por fim, ao rock and roll que é minha companhia diária há bons longos anos e à minha namorada que tornou o meu caminho mais verdes com os seus olhos, estes também verdes.

Estou mais velho e à espera de novos desafios.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Filho da mãe!

Os pingos de chuva persistem em cair na noite escura e quente. Parado enquanto aguardo a chegada do ônibus, o rapaz observa o vermelho mudar para verde que, por sua vez, passa para amarelo, retornando, enfim, ao vermelho, num ciclo infinito. Refiro-me aos semáforos presentes numa encruzilhada. Duas ruas se cruzam, fazendo do vai-e-vem de automóveis algo bastante comum.

Enquanto a fraca chuva molhava lentamente o asfalto, uma cena chamou-lhe a atenção.
"Cê tá loco?!... Filho da mãe!"
A dona de tal frase era uma senhora de, aparentemente, 65 anos. Com cabelos brancos e um cachorrinho da raça poodle preso pela coleira, a mulher atravessava a rua, calmamente. Ela estava sob chuva e sobre a faixa de pedestres. O semáforo mostrava o sinal de cor rubro para veículos. Tudo dentro dos conformes.

No entanto, um automóvel de cor escura, tão escura quanto aquela noite, surgiu. Sempre avante, o veículo não freou, apesar do sinal vermelho, da faixa de pedestres e da senhora que transitava calmamente com o pequeno cachorro de pelos brancos. O motorista da caminhonete ignorou todos os fatos que obrigavam-no a parar e passou em frente à senhora, desprezando, pois, o direito alheio de trafegar em segurança.

Nada mais natural, portanto, a reação da senhora através de uma frase pragmática e assertiva.
[...] Filho da mãe!
Depois de presenciar cena tão incomum, louco seria não transpô-la ao papel. A atitude daquele filho da mãe não poderia ser ignorada da mesma forma que o sinal vermelho foi.

22.12.2012

O mundo não acabou e nem poderia. Afinal, como iria terminar um dia antes de eu completar um ano e dois meses de namoro com a Jess? Seria injusto.

Novamente completamos mais um mês. Em nosso namoro há muito mais sorriso, mais afeto, mais respeito. Não brigamos, não batemos boca, não ferimos. Há companheirismo mútuo. Nosso relacionamento não é um fardo em nossas vidas, não é impecilho, não nos tira a liberdade. Pelo contrário, nos dá asas para voar, pernas para andar e um sonho para sonhar. Basicamente isso.

Grande amor cultivamos em nosso peito.

PH

sábado, 15 de dezembro de 2012

Raios de esperança (part two)

Acordei cedo. O café quente esquenta a caneca e o aroma toma conta do ar. Abro a janela como se abrisse uma nova porta para o futuro. Vejo que a luz do sol ilumina o que antes fora escuridão. Realmente o sol nasceu. Ele voltou e trouxe os raios de esperança.

Bobagem ter questionado o seu retorno. Renato Russo já cantava há muito tempo e me dizia. Eu que não dei ouvidos.

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã...
(Mais uma vez - Renato Russo)

Obrigado.

O sol (part one)

O sol vai morrendo ao final do dia. No céu, os últimos raios da estrela de fogo tentam resistir pintando a paisagem de um laranja quase sangue, enquanto a escuridão vai tomando conta, pouco a pouco.

Embaixo de uma árvore, dou a primeira mordida no sanduíche gelado. Não há nada por lá. Apenas ouço o som das águas e da folha de alface sendo triturada por dentes amarelados. Não há pássaros cantando porque não há alegria, não há mais sol. Resta apenas o silêncio de bocas que não mais falam, apenas mastigam.

O sanduíche, lentamente, vai diminuindo de tamanho. Não há sabor nem cheiros. Cada fatia daquele pedaço de comida parece um grande monte de migalhas do que já foi um dia enorme banquete.

O sol continua a morrer. O fogo daquela estrela parecia infinito, incrivelmente quente e invencível, mas basta algumas horas para tudo definhar. Não há volta, não há dor, não há pena. A escuridão esconde e esfria tudo. O que já foi vibrante, agora está estagnado. Não há revolta, mas grandes e repentinas rupturas.

Não há mais saída. Não há escapatória. A boca tenta romper o silêncio, mas as palavras regressam tão rapidamente que fica a sensação de que nada mais pode ser dito, ouvido ou sentido. O muro está alto demais e não sei se há alguém do outro lado à minha espera.

Espero que o sol regresse amanhã.