sábado, 15 de dezembro de 2012

O sol (part one)

O sol vai morrendo ao final do dia. No céu, os últimos raios da estrela de fogo tentam resistir pintando a paisagem de um laranja quase sangue, enquanto a escuridão vai tomando conta, pouco a pouco.

Embaixo de uma árvore, dou a primeira mordida no sanduíche gelado. Não há nada por lá. Apenas ouço o som das águas e da folha de alface sendo triturada por dentes amarelados. Não há pássaros cantando porque não há alegria, não há mais sol. Resta apenas o silêncio de bocas que não mais falam, apenas mastigam.

O sanduíche, lentamente, vai diminuindo de tamanho. Não há sabor nem cheiros. Cada fatia daquele pedaço de comida parece um grande monte de migalhas do que já foi um dia enorme banquete.

O sol continua a morrer. O fogo daquela estrela parecia infinito, incrivelmente quente e invencível, mas basta algumas horas para tudo definhar. Não há volta, não há dor, não há pena. A escuridão esconde e esfria tudo. O que já foi vibrante, agora está estagnado. Não há revolta, mas grandes e repentinas rupturas.

Não há mais saída. Não há escapatória. A boca tenta romper o silêncio, mas as palavras regressam tão rapidamente que fica a sensação de que nada mais pode ser dito, ouvido ou sentido. O muro está alto demais e não sei se há alguém do outro lado à minha espera.

Espero que o sol regresse amanhã.

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