Há 21 anos, num quarto de hospital universitário, nasci. Meu primeiro ato ao chegar neste lugar com tanta gente, tanta vida e tantos Xavantes, foi chorar. Não fui às lágrimas por achar que o futuro seria algo torturante. Chorei por, finalmente, concretizar o sonho de um pai e, principalmente, de uma mãe que aguardaram, se esforçaram e sonharam com o dia do meu nascimento.
Talvez o meu primeiro espetáculo, se é que teve algum, foi o de exibir aos meus familiares mais próximos a mancha negra de nascença que possuo. No antebraço direito, bem no meio, está o sinal que me acompanha até hoje. De lá para cá, tento arrancar aplausos dos que me rodeiam, mas nunca, em hipótese alguma, para massagear o meu ego. Apenas quero traçar no mapa o caminho até o pote de ouro, ao sucesso, à realização profissional. Se houver reconhecimento e sorrisos, melhor.
Não sou o melhor cara do mundo nem o mais fora do padrão - há outros por aí que criam os seus próprios padrões e meios de viver a vida. Também bebo Coca-Cola, assisto futebol, leio, namoro e até assisti ao filme Strip-Tease, anos atrás, com a TV no mudo e escondido dos meus pais, assim como todo mundo. Eu e você fazemos parte de um planeta recheado de padrões e quebra de padrões. Eu tento criar o meu, simplesmente.
Também já tive muitos amigos. Talvez eu não tenha tantos como antes, mas possuo o suficiente. Afinal, possuo meus pais, minha irmã, minha namorada e mais algumas almas que, longe ou perto, batalham comigo por campos abertos localizados no velho mundo.
Olhando para trás e relendo este post chego à conclusão de que minha bagagem já foi de mão. No entanto, agora minha existência requer malas maiores e mais resistentes a temporais e ao rigoroso inverno. Guardo as melhores lembranças nos pequenos compartimentos ao lado das fotografias antigas. Possuo no rosto o beijo de mãe que me pede para tomar cuidado e nas costas as digitais de um pai que abraça e vê no filho a sua própria imagem. Se engana quem pensa que frequento aeroportos com minhas malas pesadas, mas reconheço perambular por estações de trem. Quem gosta de avião é minha irmã, que espera ansiosamente na sessão de embarque com destino a Madrid.
Enfim, minha vida pode ser resumida em 21 palavras, 21 parágrafos, 21 páginas ou 21 segundos. O que importa é que completo 21 anos sem ter mudado os meus objetivos e meu estilo de vida.
Agradeço, por fim, ao rock and roll que é minha companhia diária há bons longos anos e à minha namorada que tornou o meu caminho mais verdes com os seus olhos, estes também verdes.
Estou mais velho e à espera de novos desafios.
Feliz aniversário, meu amor.
ResponderExcluirTe amo muito.
O aniversário é teu, mas... haha PLÁGIO
Te amoooooooooooooooooooooooooooooooooooooo <3