quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que torna o simples em especial

Obviamente o Natal - o verdadeiro; aquela festa em que se celebra o amor e a esperança e se presenteia com troca de mais amor e esperança - não é uma data simples, muito menos dia normal. É, na verdade, e com todos os méritos, um dia bastante especial. No entanto, as pessoas e as palavras certas podem torná-lo numa lembrança inesquecível. Memória que se marca com ferro quente no meio do coração, não na mente. É aquele tipo de recordação que fica guardada no consciente e inconsciente. Armazenada n'alma.

Hoje, no fim do dia 25 de dezembro, portanto Natal, sofri uma queimadura no fundo do peito. Em meio aos batimentos cardíacos, acompanhados do barulho do ponteiro do relógio na parede do quarto, ouvi de minha namorada que este foi o melhor Natal que ela já viveu em toda a sua existência.

Pessoa certa e palavras certas. O Natal de 2012 foi um dia especial.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Duas décadas + 1

Há 21 anos, num quarto de hospital universitário, nasci. Meu primeiro ato ao chegar neste lugar com tanta gente, tanta vida e tantos Xavantes, foi chorar. Não fui às lágrimas por achar que o futuro seria algo torturante. Chorei por, finalmente, concretizar o sonho de um pai e, principalmente, de uma mãe que aguardaram, se esforçaram e sonharam com o dia do meu nascimento.

Talvez o meu primeiro espetáculo, se é que teve algum, foi o de exibir aos meus familiares mais próximos a mancha negra de nascença que possuo. No antebraço direito, bem no meio, está o sinal que me acompanha até hoje. De lá para cá, tento arrancar aplausos dos que me rodeiam, mas nunca, em hipótese alguma, para massagear o meu ego. Apenas quero traçar no mapa o caminho até o pote de ouro, ao sucesso, à realização profissional. Se houver reconhecimento e sorrisos, melhor.

Não sou o melhor cara do mundo nem o mais fora do padrão - há outros por aí que criam os seus próprios padrões e meios de viver a vida. Também bebo Coca-Cola, assisto futebol, leio, namoro e até assisti ao filme Strip-Tease, anos atrás, com a TV no mudo e escondido dos meus pais, assim como todo mundo. Eu e você fazemos parte de um planeta recheado de padrões e quebra de padrões. Eu tento criar o meu, simplesmente.

Também já tive muitos amigos. Talvez eu não tenha tantos como antes, mas possuo o suficiente. Afinal, possuo meus pais, minha irmã, minha namorada e mais algumas almas que, longe ou perto, batalham comigo por campos abertos localizados no velho mundo.

Olhando para trás e relendo este post chego à conclusão de que minha bagagem já foi de mão. No entanto, agora minha existência requer malas maiores e mais resistentes a temporais e ao rigoroso inverno. Guardo as melhores lembranças nos pequenos compartimentos ao lado das fotografias antigas. Possuo no rosto o beijo de mãe que me pede para tomar cuidado e nas costas as digitais de um pai que abraça e vê no filho a sua própria imagem. Se engana quem pensa que frequento aeroportos com minhas malas pesadas, mas reconheço perambular por estações de trem. Quem gosta de avião é minha irmã, que espera ansiosamente na sessão de embarque com destino a Madrid.

Enfim, minha vida pode ser resumida em 21 palavras, 21 parágrafos, 21 páginas ou 21 segundos. O que importa é que completo 21 anos sem ter mudado os meus objetivos e meu estilo de vida.

Agradeço, por fim, ao rock and roll que é minha companhia diária há bons longos anos e à minha namorada que tornou o meu caminho mais verdes com os seus olhos, estes também verdes.

Estou mais velho e à espera de novos desafios.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Filho da mãe!

Os pingos de chuva persistem em cair na noite escura e quente. Parado enquanto aguardo a chegada do ônibus, o rapaz observa o vermelho mudar para verde que, por sua vez, passa para amarelo, retornando, enfim, ao vermelho, num ciclo infinito. Refiro-me aos semáforos presentes numa encruzilhada. Duas ruas se cruzam, fazendo do vai-e-vem de automóveis algo bastante comum.

Enquanto a fraca chuva molhava lentamente o asfalto, uma cena chamou-lhe a atenção.
"Cê tá loco?!... Filho da mãe!"
A dona de tal frase era uma senhora de, aparentemente, 65 anos. Com cabelos brancos e um cachorrinho da raça poodle preso pela coleira, a mulher atravessava a rua, calmamente. Ela estava sob chuva e sobre a faixa de pedestres. O semáforo mostrava o sinal de cor rubro para veículos. Tudo dentro dos conformes.

No entanto, um automóvel de cor escura, tão escura quanto aquela noite, surgiu. Sempre avante, o veículo não freou, apesar do sinal vermelho, da faixa de pedestres e da senhora que transitava calmamente com o pequeno cachorro de pelos brancos. O motorista da caminhonete ignorou todos os fatos que obrigavam-no a parar e passou em frente à senhora, desprezando, pois, o direito alheio de trafegar em segurança.

Nada mais natural, portanto, a reação da senhora através de uma frase pragmática e assertiva.
[...] Filho da mãe!
Depois de presenciar cena tão incomum, louco seria não transpô-la ao papel. A atitude daquele filho da mãe não poderia ser ignorada da mesma forma que o sinal vermelho foi.

22.12.2012

O mundo não acabou e nem poderia. Afinal, como iria terminar um dia antes de eu completar um ano e dois meses de namoro com a Jess? Seria injusto.

Novamente completamos mais um mês. Em nosso namoro há muito mais sorriso, mais afeto, mais respeito. Não brigamos, não batemos boca, não ferimos. Há companheirismo mútuo. Nosso relacionamento não é um fardo em nossas vidas, não é impecilho, não nos tira a liberdade. Pelo contrário, nos dá asas para voar, pernas para andar e um sonho para sonhar. Basicamente isso.

Grande amor cultivamos em nosso peito.

PH

sábado, 15 de dezembro de 2012

Raios de esperança (part two)

Acordei cedo. O café quente esquenta a caneca e o aroma toma conta do ar. Abro a janela como se abrisse uma nova porta para o futuro. Vejo que a luz do sol ilumina o que antes fora escuridão. Realmente o sol nasceu. Ele voltou e trouxe os raios de esperança.

Bobagem ter questionado o seu retorno. Renato Russo já cantava há muito tempo e me dizia. Eu que não dei ouvidos.

Mas é claro que o sol vai voltar amanhã...
(Mais uma vez - Renato Russo)

Obrigado.

O sol (part one)

O sol vai morrendo ao final do dia. No céu, os últimos raios da estrela de fogo tentam resistir pintando a paisagem de um laranja quase sangue, enquanto a escuridão vai tomando conta, pouco a pouco.

Embaixo de uma árvore, dou a primeira mordida no sanduíche gelado. Não há nada por lá. Apenas ouço o som das águas e da folha de alface sendo triturada por dentes amarelados. Não há pássaros cantando porque não há alegria, não há mais sol. Resta apenas o silêncio de bocas que não mais falam, apenas mastigam.

O sanduíche, lentamente, vai diminuindo de tamanho. Não há sabor nem cheiros. Cada fatia daquele pedaço de comida parece um grande monte de migalhas do que já foi um dia enorme banquete.

O sol continua a morrer. O fogo daquela estrela parecia infinito, incrivelmente quente e invencível, mas basta algumas horas para tudo definhar. Não há volta, não há dor, não há pena. A escuridão esconde e esfria tudo. O que já foi vibrante, agora está estagnado. Não há revolta, mas grandes e repentinas rupturas.

Não há mais saída. Não há escapatória. A boca tenta romper o silêncio, mas as palavras regressam tão rapidamente que fica a sensação de que nada mais pode ser dito, ouvido ou sentido. O muro está alto demais e não sei se há alguém do outro lado à minha espera.

Espero que o sol regresse amanhã.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Vencerei. Com certeza.

Neste instante, na madrugada de quinta para sexta-feira, cai uma chuva de meteoros. Dentro da minha mente também chove, mas ao invés de grandes pedaços de matéria, caem ideias, dúvidas, receios e certezas.

Cultivo ideias para o futuro, projetos e planos que podem abrir outras portas (quiçá janelas) que me ajudarão a enfrentar a vida; e, posteriormente, vencê-la. Além das ideias, veem os receios e as dúvidas. "Vai dar certo?", penso. "Não vai dar certo...", concluo, pessimista. Cuidado com as trevas, canta George Harrison. Disso tudo, após ouvir o grande Beatle, chego às certezas.

Tenho certeza que farei o melhor possível.
Tenho certeza que minha existência não será em vão.
Tenho certeza que minha coragem é suficiente para transpor os maiores muros.
Tenho certeza que os medos que se aproximam não me assustam, apenas me deixam em estado de alerta.

Vencerei. Com certeza.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

UPDATE: Sorrindo para a morte

Postado originalmente no dia 07 de maio de 2011 
 
 
Ontem, ao "pegar" o ônibus para casa, depois da faculdade, deparei-me com uma cena triste, com a qual refleti muito.

22h30min, aproximadamente. Subo no ônibus, passo a carteirinha da passagem, e sento-me mais ao fundo. Enquanto ajeitava-me e guardava minha carteira, um homem chamou-me a atenção: - Isso aqui é teu? Indagou-me. Olhei para o seu pé, o qual estava sobre um maço de cigarros e respondi que não. Depois de minha negativa, ele virou-se para outro rapaz e repetiu a pergunta, e ouviu a mesma resposta. Imediatamente, pegou o maço caído e comemorou: - Bah, rapaz, "tá" quase cheio. E sorriu, satisfeito.

Virei-me para a janela e passei a observar os veículos passarem, enquanto lamentava a cena que há poucos segundos presenciara. Sabe, é triste ver alguém comemorar ao encontrar um maço de cigarros. Certamente, o homem avaliou o achado como uma economia para o bolso, mas não percebeu que a única economia feita é a de sua vida.
 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

One year and one month

Não há muito segredo. Somos um casal que se respeita, se conhece e se ama. 

Esses são os ingredientes necessários para que uma relação dê certo; na qual os dois querem que prossiga infinitamente. 

Hoje completamos um ano e um mês. Todo dia 22 é uma celebração. Poucos minutos - até segundos - após a meia-noite, o telefone toca. É ela. Tão bom isso.

Faço de tudo para agradá-la. Sinto que ela faz o mesmo. Nos dividimos e nos unimos quando necessário. 

Sou amigo dela e ela é minha amiga; sou namorado dela e ela é minha namorada; somos felizes.

Feliz 365 dias + 30. Te amo.

sábado, 17 de novembro de 2012

Não posso aceitar tais condições

Complicado escrever algo sobre a morte de um colega do curso de jornalismo. É estranho lembrar que na última quarta-feira, 14, ele chegou a brincar comigo sobre um texto que fiz juntamente com a minha namorada. O que aconteceu é inexplicável e incompreensível.

Juliano Castro, um cara alegre e fanático pelo Grêmio FBPA, ficava no fundo da sala de aula. Com ele, os seus amigos mais próximos. Estavam sempre rindo e "groselhando", como diziam. Quando chegava à sala de aula, Juliano me cumprimentava com o "E aí, Pedro!" habitual. Um grande companheiro de jornada. Também recordo com alegria das vezes que compartilhamos uma quadra de futebol e da vibração a cada gol feito, como se fosse uma final de campeonato.

É estranho pensar que, em algumas horas, tudo iria mudar. 

A Jéssica Barz abraçou-me enquanto chorava. A lágrima dela ficou e escorregou em meu rosto, como se fosse minha também. Depois precisei amparar os meus outros camaradas. O sofrimento dos meus colegas é o que tortura a minha mente. Não posso aceitar tais condições.

Quando o rever, Juliano, perguntarei sobre o que achastes deste texto. E provavelmente dirás, com aquele bom humor de sempre, o seguinte:

- Ficou uma groselha do caralho, seu filho da puta.

Vá em paz, cara.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Conclusões

Caminho durante o dia. Vejo vitrines de lojas de jogos, compro um jornal e me sento em um banco da praça para lê-lo. Após folhear as páginas do informativo diário, avalio a minha vida e constato: não tenho do que reclamar. As dores que tive, até agora, são situações inevitáveis a qualquer ser humano. Não sou, portanto, beneficiado ou prejudicado.

Anos se passaram. Encontrei, enfim, a guria que soube valorizar o que dei. Ela foi a única que colocou água naquelas rosas que roubei do jardim do vizinho. Mais: ela deixou claro que esperava mais de mim. No entanto, nunca imaginei que ao conhecê-la iria ter motivos para reclamar da vida. Não falo queixar-me de mim ou dela, mas da vida. 

É difícil explicar em poucas palavras. 

De alguma forma choro o choro dela. As lágrimas que escorrem em meu rosto são resultado de uma dor que não é minha; mas que me atinge de forma direta. É a dor de não ter a encontrado antes, ou ainda de não ter percebido antes a sua presença ao meu redor. 

Às vezes imagino o que eu poderia ter feito para cobri-la. O meu abraço ou o meu sorriso talvez fossem bons antídotos ao seu mal. Sinto muito por não ter estado com ela naquelas noites; eu estaria ao seu lado, ambos sentados na calçada fria observando o nada. 

No entanto, eu a faria olhar para o céu e a indicaria uma estrela – a maior e mais brilhante. Diria que, daqui a alguns anos, aquela estrela iria cair em seu olhar. Talvez a cegasse no início, mas que faria uma revolução em sua vida. Uma revolução estampada no meu rosto, enquanto a encaro com um olhar tenro e sincero. 

O que posso dizer é que a amo. E que a tua dor também é minha. 

Não posso garantir que sou a solução dos problemas – seria, inclusive, muita prepotência de minha parte. No entanto, te prometo toda a verdade do mundo. Ou seja, diz respeito ao que sinto por ti. Também não posso afirmar que será eterno, mas durará uma vida ou duas. 

Não chore em vão. Não estás mais sozinha. Vim para ficar. Te amo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Vinte anos por vinte reais

Eu poderia desejar viver mais vezes o tipo de dia que vivi na tarde de ontem. No entanto, se fosse assim, eu não saberia valorizar o acontecido como merece. Foi um dia cheio, mas produtivo e totalmente surpreendente. 

É impressionante o que poucas notas na carteira e uma companhia boa e sincera ao teu lado podem fazer. Com cerca de R$ 20, sacados pela primeira vez de um banco, consegui trazer para casa dois dos primeiros livros que li.

O título "Na Barreira do Inferno", da Coleção Vagalume, foi o primeiro que li em minha vida. Eu possuía - estudante universitário que sou - poucas moedas em minha carteira. Provavelmente iriam ser utilizadas em xerox. Não foram, felizmente. Pois ao passearmos pelas bancas da 40ª Feira do Livro de Pelotas, na tarde da última quarta-feira, encontrei o livro que mencionei acima. Foi algo inesperado, visto que o procurava há muito tempo nos sebos locais e nunca encontrava. Apesar de estar custando míseros três reais, eu não tinha moedas o suficiente para cobrir o valor. No entanto, entrou em cena a minha namorada. Contando moedinhas, comprei o livro.

Minutos mais tarde resolvi ver se havia alguma forma de sacar dinheiro da minha conta bancária, que há poucas semanas foi aberta. Para a nossa surpresa, em frente ao caixa eletrônico, vimos a nota amarela de R$ 20 sair. Voltamos rapidamente à feira e procuramos o segundo livro que eu buscava. "Quem manda já morreu" é o título, também da Coleção Vagalume. Após uma vasta procura, encontramos. O valor era o mesmo: três dilmas

A felicidade estava estampada em meu rosto. Afinal, esses dois livros marcaram a minha vida. Foram eles os responsáveis pela formação do gosto pela leitura. Sem eles, talvez, eu não teria me apegado ao fantástico mundo literário. 

Para coroar um dia marcante e repleto de sorrisos, levei a minha guria à sorveteria. Parada obrigatória. Compartilhamos risadas, beijos e até o próprio sorvete - sendo que era do mesmo sabor. Foi, de fato, um daqueles dias que valem por mil.

Tudo isso com R$ 20.

Não é loucura pensar que cada real gasto representou um ano de minha vida. Vinte anos vividos em um dia no valor de apenas vinte reais.

A volta do que não foi

Tchê, é impressionante.

Pensei conseguir me afastar deste blog, deste GURI, mas não dá. Para alguém eu sou fora do padrão, tenho certeza disso. Ao ler os meus textos antigos, lembrar de algumas atitudes, assumo que errei ao questionar a mim mesmo o que eu era, na verdade. Eu sou o mesmo guri de sempre. Talvez errando menos do que antes, mas ainda assim o mesmo PH. Não sairei daqui. Porque, de fato, nunca saí. É o retorno de uma fuga que nunca fiz. 

O meu "adeus" nunca existiu.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

À beira do abismo, enxergo o fim

Foi lá, sentado ao teu lado, que percebi o quão poderoso era aquele momento. Eu sabia que tudo seria registrado nos mínimos detalhes em minha memória. E realmente foi. Tenho em minha escrivaninha um envelope, no qual há folhas e cheiros, além de uma corrente que se tornou, desde que ganhei, em um amuleto. Nas letras rabiscadas no papel colorido há palavras que... que dificultam esta escrita. Elas enchem os olhos d'água, apesar das inúmeras tentativas de evitar isso.

Já estivemos à beira do abismo. 

Estive perto de entregar-lhe esse mesmo envelope, que é o item mais valioso que possuo. Que não se compra, não se vende e, normalmente, não se entrega nem devolve a ninguém.

O receio de perder algo que não queremos é infernal. O mundo parece girar muito mais rápido do que o normal, enquanto torcemos fervorosamente para acordarmos e percebermos que é um fatídico pesadelo. No entanto, nada muda enquanto ouço o fecho da tua mochila se fechar. O tempo vai passando e aquele silêncio barulhento surge. Não há palavras nem olhares.

Não confio em quase ninguém, principalmente naqueles que te rodeiam. Naqueles que te conhecem há mais tempo do que eu. Não sinto segurança, nem sentirei. No entanto, o que fazer?

Folhas de caderno transformadas em papel de carta. Olho as fotografias e o álbum bonito. Sinto-me paralisado ao ler frases como "para sempre", "os melhores meses", ou ainda "teu beijo me acalma". Minha vontade é pegar o telefone e dizer alguma coisa. Qualquer coisa.

Como dormir se há o receio de acordar e perceber que tudo mudou?

Não sei, mas acho que não estou sendo o que devo ser. Ontem à noite questionei o quão fora dos padrões eu sou. Às vezes tenho a sensação de que já perdi o que realmente fazia a diferença. Talvez eu não seja quem eu realmente sou. Talvez perder quem me acompanha na travessia da ponte seja só o princípio da queda inevitável.

Por não acreditar mais que sou um guri fora dos padrões, publico o meu último post por aqui. A partir de agora, sou o guri. Sempre serei. Obrigado por todos que leram e acreditaram em minhas palavras. Foram verdadeiras, algumas passageiras e outras erradas. É da vida. Talvez escreva em algum outro blog, mas nunca mais será a mesma coisa.

Agora vou-me. Esta ponte já foi atravessada. Aguardo pelas próximas travessias.

Adeus. E perdoe-me.

sábado, 27 de outubro de 2012

Viajar em ônibus (ou em qualquer lugar)

Toda vez que preciso deslocar-me de casa até a algum destino longe o suficiente para obrigar-me a não ir a pé, preciso tomar o ônibus.

Estou esperando o veículo passar. Na mesma situação estão as pessoas ao meu redor que, de vez em quando, esticam o pescoço tentando ver se há algum ônibus se aproximando. Após alguns (longos) minutos, o transporte chega. Todos se preparam para subir. Subo, pago a passagem e giro a catraca. Olho a frente à procura de um assento vago. Com sorte, encontro um. Ao lado da janela.

Finalmente abro a mochila e pego o último livro que estou lendo. Ora de ficção, ora sobre comunicação. Agora, sim, posso dizer que estou viajando. O título do post pode dar uma ideia errada sobre a viagem em questão. Não é o ônibus que me conduz, mas o livro.

São centenas de páginas que, semelhante a um tapete persa voador, levantam voo. E te conduz numa viagem sem volta. Depois que a leitura conquista um novo viajante, este nunca mais deixa de viajar. Sempre há novos títulos, ou melhor, destinos. É o melhor turismo existente neste e em outros planetas. Sem dúvida alguma.

O ônibus chega ao meu destino. Preciso descer. Fecho o livro e o guardo em minha mochila. A viagem no transporte coletivo terminou, mas a que faço com o livro apenas começou. Sabe, percorro esse caminho há muito tempo...


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O que é bom deve ser compartilhado

No início do século passado, o escritor pelotense João Simões Lopes Neto dava ao mundo honrosas e belas produções literárias. O seu pioneirismo e talento, no entanto, só foi reconhecido após a sua morte, em 1916. Os seus livros, até hoje lidos e admirados, são peças fundamentais à estante de um apreciador de boa literatura. 

Atualmente - cem anos após o lançamento do livro Contos Gauchescos -, há pessoas que trabalham na preservação e divulgação desse rico material. Gente apaixonada pela literatura de João Simões Lopes Neto. Homens e mulheres decididos a não deixar esquecida a obra do escritor pelotense. 

Há, também, algumas ideias sendo colocadas em prática. Que tal homenagear e gerar ainda mais conteúdo a essas pessoas que há anos trabalham em prol do trabalho de J. Simões Lopes Neto? E mais: produzir algo que atraia também novos leitores e admiradores, atitude tão importante quanto preservar. Parece um sonho.

No entanto, sempre há a possibilidade de acordarmos do sonho e colocá-lo em prática. Realizá-lo com todas as nossas forças. E é isso que está acontecendo há alguns meses.

Em menos de trinta dias, sob as Três-Marias, essa novidade será revelada a todos. Aguarde.


Patrício, escuta-o!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Na coletiva de imprensa, o coletivo da esperança

Hoje, no pequeno auditório da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), houve uma coletiva de imprensa com o reitor eleito Mauro Del Pino. Mais do que uma coletiva para apresentações, perguntas e respostas, ali estava o coletivo da esperança. Homens e mulheres que irão administrar até 2016 a Universidade Federal de Pelotas. Ao todo, além do reitor e vice-reitor, são sete pessoas que irão guiar a faculdade pelo caminho do progresso. 

Eleito com mais de cinco mil votos (5.376, mais precisamente), incluindo alunos, docentes e técnico-administrativos, o reitor Mauro Del Pino é a esperança de uma comunidade acadêmica inteira. Hoje, naquele auditório, enquanto todos observavam atentamente às respostas do novo reitor às questões da imprensa, eu pensava na importância daquela coletiva. Por tal razão, talvez, fui incapaz de questioná-lo quando tive chance. 


Aquelas pessoas nomeadas para compor a reitoria da UFPel, como disse, são o coletivo da esperança.

Que a UFPel seja maior, melhor, mais democrática e eficiente. 

É a minha esperança.

A noite traz a saudade

No escuro do meu quarto a única fonte de luz é o monitor. Não espanta a escuridão, muito menos a saudade que sinto a esta hora. Já é rotina sentir um aperto no peito quando o relógio marca que um novo dia já chegou. No entanto, para mim, um novo dia só chega quando a vejo. 

Como há na música de Nando Reis, ela tem a mão que aquece e espanta o frio. Ou mesmo a escuridão de meu quarto. 

Ah, que saudade.

sábado, 20 de outubro de 2012

365 dias, uma vida inteira (One year)

365 dias e mais um pouco. Este pouco pode ser representado de diversas formas: mais está por vir; o número "trezentos e sessenta e cinco" é apenas um número, pois o real valor é muito maior; representa um ano e mais uma vida, duas, três vividas juntas; "mais um pouco" significa que viveremos lado a lado por um tempo mais, tipo mais 365 ou 730 dias.

O que sei é que 365 dias já configuram uma vida inteira. Conviver um ano inteiro ao lado de alguém que te respeita e te ama é um privilégio. É bom ser retribuído. Às vezes não sei quem dá mais e acho que há uma batalha para saber quem ama mais. Uma batalha disputada de mãos dadas.

Há muitas coisas que eu gostaria de dizer, mas não consigo sem embassar a visão. No entanto, não tenho vergonha de sentir lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Acredito que alcancei o mais elevado dos sentimentos, mesmo sendo ainda relativamente novo. Com vinte anos, tenho a vontade de crescer sem parar, sede de conhecimentos, vontade de mudar alguma coisa - já estarei satisfeito de mudar o mundo daquela que me ama. Para melhor, é claro. Como já disse, eu sou o sol que traz as boas novas.

Há cada dia vejo mais evidências de que deveríamos nos conhecer. De um jeito ou de outro esse dia chegaria. Hoje enxergo com muito mais clareza essas provas de que realmente somos muito parecidos e, ao mesmo tempo, diferentes. É um complemento. Gostamos das mesmas coisas, tipo eu dela e ela de mim. E gostamos, também, de nós mesmos. Viu? Somos iguais.

No último sábado descobri que amarramos o tênis da mesma forma. (Quase) Todo mundo faz aquele laço estilizado. Não sei como explicar, mas é aquela "técnica" de enforcar o lanço e amarrar, por fim, o calçado. Nós, não. Já estou pensando em intitulá-la de "guria fora dos padrões". No entanto, ela está dentro do meu padrão. Ah! se todo mundo fosse assim...

Completamos um ano, mas aparentemente já estamos há mais tempo. Não sei bem explicar. Já há um entrosamento natural, sem frescuras e verossímil. Somos felizardos.

De Itaqui ao meu coração, numa viagem sem volta. É ela quem me esperava na estação. Agora eu sei.

365 dias, uma vida inteira. Porque eu sei que não termina aqui. É engraçado, mas não vai haver fim.

Te amo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Vazio

Enfrento uma guerra particular. Como já escrevi em outro post, luto numa batalha na qual nunca sairei vencedor. Talvez, com sorte, eu receba alguma medalha ou reconhecimento pelo esforço, mas nunca chegarei à glória. Infelizmente.

Há muitas coisas que são insubstituíveis.

The Beatles, por exemplo, nunca será substituído por nenhuma banda, por mais fantástica que seja; segundo a fabricante Tigre, seus canos e produtos são os melhores - com eles o cliente não paga mico; eu prefiro café sem açúcar, mas o adoçante nunca o substituirá; o chocolate Sem Parar nunca será um Bis, por mais que tente ser; e Maradona não substituiu Pelé - aqui, uma ressalva: Messi pode ser a exceção.

Eu tenho certeza que o vazio que ela sente todos os dias é impossível de ser preenchido. É um sentimento insubstituível. Por mais que eu tente preenchê-lo com todo o meu afeto sincero, a quantidade de areia nunca é a suficiente para tapar o buraco. Tento todos os dias, mas não consigo. Às vezes parece que estou chegando à vitória e ao preenchimento total do vazio, mas num piscar de olhos tudo desmorona. Não posso substituir um sentimento por outro, apesar do meu ser bem mais presente do que o faltante; este, no entanto, é mais forte.

É uma droga saber que nunca poderei completá-la por inteiro. O que tortura o peito é ler que a moça em questão não lembra mais a sensação de estar completa. É uma dor que vem da alma, passa por cada veia e termina num soco direcionado ao objeto mais próximo. 

É uma droga lutar numa guerra perdida. 

No entanto, continuo lutando. Se há alguém que deve cair, este sou eu.