Caminho durante o dia. Vejo vitrines de lojas de jogos, compro um jornal e me sento em um banco da praça para lê-lo. Após folhear as páginas do informativo diário, avalio a minha vida e constato: não tenho do que reclamar. As dores que tive, até agora, são situações inevitáveis a qualquer ser humano. Não sou, portanto, beneficiado ou prejudicado.
Anos se passaram. Encontrei, enfim, a guria que soube valorizar o que dei. Ela foi a única que colocou água naquelas rosas que roubei do jardim do vizinho. Mais: ela deixou claro que esperava mais de mim. No entanto, nunca imaginei que ao conhecê-la iria ter motivos para reclamar da vida. Não falo queixar-me de mim ou dela, mas da vida.
É difícil explicar em poucas palavras.
De alguma forma choro o choro dela. As lágrimas que escorrem em meu rosto são resultado de uma dor que não é minha; mas que me atinge de forma direta. É a dor de não ter a encontrado antes, ou ainda de não ter percebido antes a sua presença ao meu redor.
Às vezes imagino o que eu poderia ter feito para cobri-la. O meu abraço ou o meu sorriso talvez fossem bons antídotos ao seu mal. Sinto muito por não ter estado com ela naquelas noites; eu estaria ao seu lado, ambos sentados na calçada fria observando o nada.
No entanto, eu a faria olhar para o céu e a indicaria uma estrela – a maior e mais brilhante. Diria que, daqui a alguns anos, aquela estrela iria cair em seu olhar. Talvez a cegasse no início, mas que faria uma revolução em sua vida. Uma revolução estampada no meu rosto, enquanto a encaro com um olhar tenro e sincero.
O que posso dizer é que a amo. E que a tua dor também é minha.
Não posso garantir que sou a solução dos problemas – seria, inclusive, muita prepotência de minha parte. No entanto, te prometo toda a verdade do mundo. Ou seja, diz respeito ao que sinto por ti. Também não posso afirmar que será eterno, mas durará uma vida ou duas.
Não chore em vão. Não estás mais sozinha. Vim para ficar. Te amo.
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