segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Camiseta

O teu grito silencioso percorre quarteirões, supera os limites do bairro e se espalha pelo ar. Poucos o ouvem. Eu o sinto. 

A dor de perder um objeto que quase não há valor comercial, mas precioso do ponto de vista sentimental, extrapola o ato físico de gritar. Quem sofre é a própria alma.

Aos incautos, o meu conselho: não deves tratar a camiseta "velha" (alheia) como se ela fosse a tua vida. Tua existência talvez não tenha mais valor, mas a camiseta ainda tem um corpo quente para cobrir. 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O que eu seria hoje?

Eu sei lá o que eu seria hoje caso não tivesse te conhecido.
Mas ninguém pensa no pior.
Eu preciso pensar no melhor.
E como é melhor a minha vida contigo.

Espero que gostes das flores.
Regue-as depois.
Vamos para a nossa casa.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O querer não desapegar

Quando decidi tornar-me jornalista não imaginei que iria me identificar tanto com a profissão como hoje. Era o que eu queria, almejava, pois envolve o escrever, o pensar, o pesquisar. Também não tinha ideia de que passaria por experiências extremamente enriquecedoras, que marcariam para sempre a minha memória. E é sobre elas que desejo escrever.

Após uma combinação improvável de acontecimentos, ingressei como estagiário na TV Câmara Pelotas, no início do ano de 2013. Inicialmente, atuei e colaborei com o gabinete do vereador e ex-prefeito, Dr. Anselmo Rodrigues, que foi o fio condutor para esse meu período de aprendizagem e trabalho, muito trabalho. 

Permaneci na TV até maio do ano passado. Até hoje morro de saudades das atividades e amizades que lá cultivei.

Durante esse período, que durou quase um ano e meio, conheci as minhas principais falhas enquanto estudante de jornalismo e aprendi a corrigir boa parte delas. Também compreendi o que é ir a campo e dialogar com a realidade, com as pessoas que, através das reportagens, explicitavam os problemas que enfrentavam diariamente. Portanto, eu e todos daquela equipe buscávamos atender ao interesse público da melhor forma possível. Com as dicas dos outros jornalistas e editores da TV, agreguei novas formas de informar e produzir conteúdo de qualidade. Ensinamentos que carrego comigo até hoje. 

O sentimento de nostalgia aumenta quando revejo fotos ou os amigos. Foram vários, todos muito importantes, personagens de uma grande amizade, e talvez disso é o que sinto mais falta. Lembro-me com carinho das manhãs de sexta-feira, pois geralmente era o dia mais calmo da TV. Nem sempre, é claro, mas nos permitia beber um pouco de café enquanto conversávamos sobre os mais diversos assuntos. Por conta dessa relação homogênea que existia, a equipe era um corpo só, que lutava para desempenhar da melhor forma o seu papel. 

Ríamos sempre e trabalhávamos muito. O relacionamento era realmente ótimo. Bom demais para terminar, mas o fim foi (e geralmente é) inevitável. 

Hoje, quando revejo as fotografias ou ainda relembro momentos marcantes, sinto um enorme aperto no peito. Eu sempre fui assim. Nunca lidei bem com despedidas. Talvez por isso busquei sair rapidamente da TV ao receber (e aceitar) o convite para trabalhar no gabinete. Seria muito mais difícil ter que me despedir de todos.

A equipe, desde a minha saída, também mudou. Porém, boa parte dela ainda "reside" no grupo que criamos, na época, no Facebook. Ninguém mais o conhece e é integrado apenas por aqueles que trabalham na TV. Hoje, resolvi sair de lá. Porém, para isso, preciso enfrentar o querer não desapegar, afinal lá permanecem conversas e imagens nossas, registros de um passado recente, momentos que não mais retornarão. Arquivei o que eu podia e, agora, preciso seguir adiante. É a segunda despedida, talvez por isso é tão mais difícil. 

Espero que as amizades que cresceram dentro das salas de redação e edição, no estúdio, ou ainda no Fiat Uno (que nada mais é do que um Chevrolet Camaro disfarçado) que nos transportava, nunca terminem. Que as memórias nunca se apaguem. Que o sabor do café das sextas nunca "evapore" da minha memória.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A boca que não fala também grita socorro

O silêncio nem sempre é vazio, tranquilo, ausente de sons e mensagens. Ele também pode ser ensurdecedor, um pedido de ajuda que não cessa, gritos que só podem ser ouvidos por quem tem coração e sangue compatíveis com o emissor. 

O problema é quando este coração bombeia o sangue com dificuldade, em razão dos batimentos mais fracos, danificados pelos anos de solidão e carência. Corroído por dentro, não consegues mais escutar a voz que pede ajuda. Seria possível ouvi-la em condições normais, apesar da distância que existe hoje - até mesmo a geográfica. 

Deves tentar ouvi-la, mais uma vez. Por mais que as duas bocas peçam socorro ao mesmo tempo e por motivos semelhantes, tu deves ir ao encontro do apelo. Deves dar um “tiro no escuro” à procura do que não está tão claro à sua frente. Como um radar defeituoso, terás que rastrear a voz através do coração, este mesmo que está ferido e com lacunas quase irrecuperáveis, impossíveis de serem preenchidas novamente. 

Ela te deu a vida, te trouxe à luz. Faça o mesmo por ela, pelo menos uma vez, apesar do suposto silêncio alheio. Lembre-se que a boca que não fala também grita socorro. 

Nesses momentos de angústia, lembro-me sempre da placa de sinalização localizada geralmente antes dos trilhos do transporte ferroviário: pare, olhe e escute.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Devo ser estranho

Eu caminhava apressadamente por uma calçada estreita. Nos meus ouvidos, os fones reproduziam a música Love de John Lennon.

Love is you. You and me...

Que letra incrível. Que músico foi Lennon, um dos integrantes da banda mais bem sucedida do planeta, The Beatles.

Love is touch. Touch is love...

Não poderia ser diferente: eu ouvia e relembrava dos nossos planos, que estão tão próximos de serem alcançados. Era o caminhar de um jovem apaixonado.

Love is reaching. Reaching love.
Love is asking to be loved...


A melodia foi interrompida por um diálogo entre dois homens. Próximo a eles, uma mulher ouvia, discretamente.

- Tchê, quem tem uma mulher ferrado. Agora, quem tem duas mulheres é miserável.

Os dois, apenas eles, riram da piada sem graça, sem sentido. A mulher ao lado continuou quieta. E eu? Bom, eu devo ser muito estranho.

terça-feira, 24 de março de 2015

A maior derrota de um homem

Não é a ausência de grandes cifras na conta bancária, que seriam capazes de nos levar a todos os continentes do planeta, que me deixa cabisbaixo. O futuro incerto também não me causa tristeza, apesar dos receios que ele impõe. A derrota do time do coração não representa a maior das quedas, mesmo eu apaixonado pelo pelota que rola nos gramados afora.

Essas coisas são solucionáveis, remediáveis, superáveis. Questão de opinião ou não, é possível encontrar soluções e/ou alternativas que façam da derrota um triunfo quase inacreditável. Basta, para isso, ter coração.

No entanto, este meu coração que bate (de vez em quando) descompassado não consegue tudo superar. Foi ele quem me mostrou a maior derrota - e nunca poderei transformá-la em vitória. No máximo, um empate momentâneo.

Não é piegas. É queda. O desmoronar de um muro aparentemente indestrutível. É o afundar do navio mais bem construído. É o início do túnel que nunca termina. São várias formas de transcrever a minha maior derrota. Todas sem êxito.

Não vou desistir, admito. Nunca pensei em parar de correr, mesmo sabendo que chegaria sempre atrás, consciente de que no final da maratona não teria uma faixa me esperando. Porém, a vida - volta e meia - me mostra que nessa questão serei sempre derrotado.

Tive até dificuldades para dormir nos últimos dias. Como esquecer as palavras que ouvi? Como admitir que tão pequenina frase é capaz de derrubar, novamente, todas as minhas esperanças em tapar as lacunas d’alma?

Lembro-me de todas as conversas como se fosse hoje. Impossível esquecê-las. Eu teria que estar morto para não recordá-las.

- Eu vou preencher esses vazios no teu peito.
- Não vais conseguir.
- Não?... Posso tentar, pelo menos?
- Pode.

E eu tento. Todos os dias. Porém, estavas certa. Não vou conseguir.

“A mãe nunca me liga no meu aniversário”.

Puta merda, isso me destrói completamente. Mesmo o meu coração, que em relação a sangue não tem nada a ver, um verdadeiro estranho no ninho, sangra, imagina o teu que é tão intimamente conectado... Como fica o teu coração, meu amor?

É a minha maior derrota saber que mil ligações minhas não equivalem a uma ligação dela. O mais difícil ainda é compreender que quem possui a vitória na mão não a convoca. São muitas perguntas para poucas respostas. Muitas delas seriam encontradas se a invenção do senhor Bell fosse utilizada.

Porém, eu a amo demais para desistir. Não é piegas. É querer não cair. É o construir novamente um muro aparentemente indestrutível. É o colocar no mar o navio mais bem construído. É a luz no fim do túnel. São várias as formas de transcrever a minha vontade de vencer mesmo com a maior derrota à frente.

Ainda bem que o incrível Gandhi me tranquiliza. “A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita”.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Há dia de luta e de glória

Eu sempre fui um felizardo. Enfrentei dificuldades que todo mundo enfrenta de forma, mais ou menos, semelhante. Porém, repito, tive muito mais privilégios do que barricadas pelo caminho. A muitas mãos os atalhos foram construídos. Não precisei abdicar (por obrigação) dos meus hobbies e dos meus momentos de lazer com familiares e amigos.

Apesar de sempre ter estudado em escolas públicas, tive a sorte de conviver com excelentes profissionais. Durante o ensino fundamental, pude conhecer e reconhecer os melhores professores. Aquelas pessoas que ganham todos os holofotes sem ter isso como primeiro objetivo de suas vidas. Gente que me fazia ir para casa com muitas dúvidas e quase nenhuma certeza. Que me incomodavam com as questões complicadas e as provas pouco acessíveis. Sim, exatamente aqueles professores que mais ouviam grosserias (ao invés de aplausos) nas reuniões com os pais. Justamente porque nós, os alunos, não estávamos acostumados a tamanho rigor, levando-nos à quase exaustão. Éramos vistos como vítimas pelos pais e, acreditem, pelos professores. Afinal, os mestres sabiam que a maioria de nós cresceu com aulas "produzidas em série". Muita cópia e pouca dor de cabeça.

A esses professores desafiadores, que muitas vezes quase derrubaram uma turma inteira, o meu mais sincero agradecimento. Vocês me fizeram mais resistente e interessado.

Logo quando iniciei o ensino médio, prometi a mim mesmo nunca mais passar trabalho nem sufoco em busca das notas. É como a frase fantástica que li dia desses no Facebook: não estudei para a prova, estudei para a vida. Com a pele cheia de marcas e os pés cascudos de tanto correr atrás da máquina, retomei as boas notas. Foram três anos de médias altas. Encontrei, novamente, professores desafiadores. Foram poucos. Conto, inclusive, nos dedos: dois. Uma dupla que valeu por todos. Dessa vez, estava blindado e as dificuldades transformaram-se em fonte de inspiração e saber. Obrigado, mestres. 

Hoje, quatro anos depois, estou formado em Jornalismo. O curso que escolhi. Como eu disse, há dia de luta e de glória. 

Apesar das dificuldades e das perdas de pessoas importantes (e insubstituíveis) ao longo da jornada, venci. Tive méritos, é verdade, e teimosia - tenho de sobra. Só que o meu sucesso foi facilitado por muitos fatores. Tentei ingressar na UFPel e integrar a primeira turma de Jornalismo da universidade, mas o meu desempenho foi bastante ruim. Tive, por conta disso, o apoio financeiro dos meus pais para que eu realizasse um curso pré-vestibular. O curso não exigia altos investimentos, longe disso, mas já servia como filtro: mesmo acessível para muitos, o curso ainda era inacessível para outros. Levei a sério, novamente, os livros. John Lennon foi o meu maior companheiro durante as "viagens" de ônibus coletivo até o centro da cidade. Suas letras, voz e talento foram o combustível que me permitiu acelerar e aproveitar esses atalhos. Deu certo. Estava na universidade!

Foi mais uma vitória. Tive, novamente, méritos. Porém, tive também uma família que me cedeu os ombros para eu alcançar degraus mais altos. Enquanto universitário, continuei a ser mais um privilegiado do que um vencedor. Eu fiz parte de uma "elite" composta por pouco mais de 7 milhões de pessoas que, assim como eu, estavam (ou ainda estão) no ensino superior. Enquanto o país tem uma população que ultrapassa os 200 milhões. Por outro lado, o curso de Jornalismo, por ser bastante novo, não disponibilizava equipamentos para a prática da profissão, laboratórios e até mesmo uma grade curricular atraente. É claro que o curso tem evoluído com o passar dos anos, mas essas ausências representaram uma dificuldade. 

Por ser incompleto, busquei fora dos muros da universidade mais conhecimento e meios de praticar o que assistia nas aulas à noite. Fiz parte de grupos de pesquisa e extensão, estágios (remunerados ou não) dentro e fora da UFPel, além de escrever para diversos sites. Ajudei a publicar um pequeno jornal impresso, fiz entrevistas e mexi com câmeras fotográficas. Todas as dificuldades anteriores serviram de motivação para buscar aquele algo mais. Clichê, mas verdadeiro.

Essa busca por mais foi valorizada pelos professores. Novamente surgiram em nosso caminho profissionais inspiradores. O mais incrível deles apareceu a quatro semestres do fim do curso. Foi pouco tempo, mas o suficiente para mexer com a nossa cabeça. Muito obrigado, professor.

Novamente: apesar de todas as dificuldades, tive o apoio de muitas pessoas importantes, que foram fundamentais para que eu tivesse os meios necessários de realizar as outras atividades - tidas por mim como complementares. Não fossem eles, provavelmente não teria conseguido. Talvez dê para me rotular como "o boxeador que tem a sorte impregnada nas luvas vermelhas".

E foi na universidade que conheci a guria da minha vida. Existem muitas dias de glória, senhores. Também temos muitos dias de luta, dias em que a vida quase nos sufoca. Faz parte.

Enfim, resumo: em nossa existência há dia de luta e de glória. Hoje é o meu dia de vitória. Sou jornalista - e vibro muito.




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Silêncio na pequena casa

Meu pai, meu amigo. Enfrentamos já há algum tempo um período chuvoso. Nuvens escuras, pesadas, carregadas. A chuva não cessa sequer por um instante. Parece que a grande tempestade, no entanto, só chegou agora.

Vejo-o cabisbaixo. Durante as conversas, repetes os fatos, relatos que já ouvi dezenas de vezes nos últimos dias. Porém, procuro escutar com interesse, pois o ato de falar talvez o ajude a superar todas as barreiras impostas, que foram criadas, parece, ao mesmo tempo. 

Estou aqui para ajudá-lo, mas sei que a minha mão, mesmo estendida ao máximo, é limitada. É difícil o filho ajudar o pai. Geralmente é o contrário e, aliás, sempre e continuo sendo auxiliado por ti e pela mãe durante as nossas caminhadas.

Corro até a nossa pequena casa. O vazio e o silêncio estão escancarados aos nossos olhos e ouvidos. Procuro o guarda-chuva porque a tempestade insiste em ficar - e não tem data para sumir.

Sei também, pai, que nós dois somos teimosos. Esbravejamos muito. E perdemos o sono, quando preocupados, com facilidade. 

No entanto, meu pai, há aquele ditado que diz: após a tempestade sempre vem a calmaria. É o que espero. Desejo vê-lo calmo, pois quando estás assim nós também permanecemos bem. 

Vamos superar. Eu acredito.

Ninguém rouba o amor de um filho. Nunca roubarão. Mesmo que matem este filho que bate no peito ao dizer o teu nome. O que sinto é atemporal, imaterial e se espalha pelo ar. Meu amor e admiração por ti, pai, inundam o meu ser.

Estamos juntos. A calmaria é logo ali.

À merda os problemas! Devemos sair desta pequena casa silenciosa, pois há outra maior, avermelhada e ensurdecedora. Agora veste a camisa, vamos ao estádio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Saí, modéstia à parte, vitorioso nos últimos anos. 2015 marca o novo passo

Olho para trás, de 2009 para cá, e percebo que cresci e amadureci. Sem ter deixado de lado, no entanto, o meu lado guri e brincalhão. Ainda sou rabugento, me estresso com facilidade, o que não é bom para mim nem para ninguém, mas consigo identificar uma evolução na vida profissional e afetiva.

Terminei o ensino médio de uma forma muito bacana. Alcancei notas altas e aproveitei ao máximo as aulas que tive. Não quis curso pré-vestibular. Para poupar dinheiro, claro, mas também porque acreditava em mim e no meu retrospecto recente. Ora, se desbravei com êxito os campos do ensino médio, provavelmente me sairia bem no exame que avaliava justamente essa trajetória escolar. Que nada. No Exame Nacional do Ensino Médio de 2009 me saí mal. Bastante mal.

Foi um soco no estômago. Uma rasteira da realidade. Eu precisava de mais.

No ano seguinte, pedi aos meus pais a inscrição num curso pré-vestibular. Obviamente não foi o mais caro, ainda bem, mas ainda um bom curso. Me joguei de cabeça. Escrevo com orgulho que não faltei a sequer uma aula. Participei de todos os plantões (aulas a mais no fim de tarde) e produzi, no mínimo, de três a quatro redações por mês. Eu queria me vingar, me superar e, claro, honrar o investimento e confiança depositados em mim. 

Em 2010, venci. Duas vezes. 

No vestibular da Universidade Católica de Pelotas, universidade privada, passei em quarto lugar para jornalismo. Fiquei bastante satisfeito, apesar de ter feito a prova já sabendo as condições (financeiras, principalmente) que me impediriam de realizar o curso. Tudo bem. Era bom, mas não era o meu objetivo principal.

No Enem a história foi outra. Fui incrivelmente bem em português e história, além de ter ido satisfatoriamente em matemática, o meu, até hoje, “calcanhar de Aquiles”. Não entrei, no entanto, na primeira chamada. Sequer na segunda ou na terceira. O número de estudantes era maior do que o número de matriculados. Simplesmente selecionavam a UFPel e o curso de jornalismo, mas não realizavam, de fato, a matrícula. Fui à chamada oral já sabendo que estava dentro. Bastava a matrícula.

Hoje, dia 15 de dezembro de 2014, praticamente me despeço do curso de jornalismo. Afinal, meu Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado, dias atrás, com nota 9. Minha média geral no curso é alta, atualmente 9,1. Aprovado em todas as cadeiras. Realizei, também, inúmeros estágios na área da comunicação, como a televisão, o rádio e o impresso. Saio vitorioso. 

No entanto, 2015 marca o novo passo que deve ser dado. Já formado e com o emprego que tenho hoje, como assessor de imprensa na Câmara Municipal de Pelotas, além de outras atividades, preciso me preparar ainda mais. Refazer o desafio desempenhado e superado em 2010.

À minha frente, na estrada do trabalho e crescimento, observo o estudo da língua inglesa, a preparação para concursos que me ajudem a trabalhar com o jornalismo e me deem suporte neste mundo capitalista, além do importante mestrado e mais alguns artigos, que são sempre trabalhosos e enriquecedores.

O ano de 2015 representa o novo passo. Venci até hoje, até aqui, mas preciso saltar novamente. Tenho que prosseguir. Parar agora fará com que boa parte dos muros derrubados no passado recente sejam reconstruídos. Será o ano do trabalho. Talvez o mais importante da minha vida. Nos próximos 365 dias, o meu caminho será construído com os tijolos dos muros derrubados.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Não faça do passado uma pescaria

A partir de um dado momento da minha vida iniciei a travessia de uma ponte. Não era muito longa, mas larga e com aspecto clássico. Uma verdadeira ponte centenária. Única construção humana, aliás, em quilômetros. Todo o resto é feito e mantido pela natureza. 

Quando te encontrei e a convidei para atravessar comigo a ponte, sempre ao meu lado, deixei para trás o que eu julgava não mais necessário. Lá, em cima da construção que me dá acesso ao outro lado do rio, peguei o que eu não queria mais e o larguei na água. Amarrado a uma pedra grande, o pacote afundou. 

Atravessei a ponte. Cheguei ao outro lado. Tu também. Só que, para o meu espanto, soltas a minha mão e retornas à ponte, de vez em quando. Lá de cima, preparas a vara, o anzol e travas uma luta contra a paciência. Começas, então, a pescar o passado. 

Nos piores dias em que isso acontece, consegues puxar o pacote todo. Tu abres, mexes um pouco naqueles arquivos já sem vida, sem memória, sem importância, e jogas tudo para cima. Muitas vezes, até, os atira em mim. Aquela quantidade imensurável de papel molhado, que se desmancha ao mais sensível toque, se choca ao meu rosto. Como uma bala, me atinge. 

Eu, em silêncio, não esboço reação. Porque toda a reação ocorre por dentro. 

Depois de muita discussão, inclusive com uma espécie de griteiro feito à base de palavras covardes, que nossos ouvidos recebem com incredulidade, fazemos as pazes. Juntamos as mãos que não tinham nenhum motivo real para terem se soltado. 

Então, pegamos o material, o embrulhamos novamente e o prendemos a uma pedra ainda maior. Jogo o mais longe possível para nunca mais ser acessado por ninguém. Lambemos as feridas e retornamos ao nosso lado do rio. Tudo, felizmente, retorna à maravilhosa realidade. 

Só que os dias passam e a ponte se torna, novamente para ti, sedutora. Nessas horas eu não sei o que fazer. No máximo grito o teu nome, mas a minha voz não parece a mesma e a escutas sempre de forma distorcida. 

Em meu íntimo, já ferido, só consigo fazer um pedido. Porém, sou incapaz de dizê-lo. Apenas a alma sussura o que, para mim, é um apelo.

“Por favor, meu amor, não suba mais a ponte. Fique comigo. Não faça do passado uma pescaria.”

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

George Harrison também é professor

George Harrison é genial - e hoje foi professor. Explico. Enquanto ouvia "That's The Way It Goes" percebi que havia a palavra Krugerrand e fiquei curioso. Talvez eu seja o último a saber, mas Krugerrand é a moeda da África do Sul e faz referência ao quinto presidente do país, Paul Kruger.

Agreguei um pouco mais de cultura através de uma música prazerosa de ouvir. Nada mal.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

As atitudes dizem, não as palavras

Caminho pela calçada e desvio de muitas pessoas, que também estão enfrentando a sua rotina, os seus problemas e angústias, mas todos eles, de certa forma, estão lutando. Uns menos, outros mais. O que os iguala, de fato, é que nenhum abre a boca para dizer bobagens, que faz o que não faz, pois simplesmente não dá tempo. Eles também não têm tempo para esbravejar e apontar com cólera nos olhos as atitudes dos outros. 

De certa forma é bom ter menos tempo.

Aprendi nos meus anos de contato com a Doutrina Espírita (que até hoje me guia e, ao mesmo tempo, me dá o poder de escolha, ou seja, o livre-arbítrio) que todos nós temos ciscos nos olhos e, portanto, não temos que perder tempo alertando que o outro tem, enquanto tu sofres também com o teu próprio empecilho. 

Eu não preciso dizer o que já escrevi. É fato. Eu sei. Está na cara (ou no olho). Minhas atitudes me guiam e os resultados estão aparecendo. As coisas estão mudando, a vida acontecendo e eu, graças a Deus, a mim e a muitas mãos, estou crescendo. 

Faz parte. Mas há um longo processo para que as coisas aconteçam e uma das etapas consiste em dizer menos e fazer mais.

Até logo, pois a luta continua e eu preciso enfrentar a chuva!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A febre

Eu não sei explicar a sensação, mas meu pai, sem querer, a explicou quando pegou mais uma das edições de Tex que eu comprara há poucos minutos.

- Outra Tex? Bah, que febre!

É verdade, pai. Foi a melhor definição. Febre é o que sinto agora. 

Eu já conhecia Tex há alguns bons anos. A primeira que comprei foi em 2009, mais precisamente no dia 3 de outubro. Linda e ótima: Tex Almanaque número 38 - "O Matador de Índios". História completa, com roteiro de Nizzi e desenhos de Venturi. Inesquecível. Passou-se um tempo, comprei outra, mas ainda perdido no novo mundo, peguei uma edição que faz parte de uma coleção que ultrapassa as 500 edições e a história daquela revista terminava em outra. Nunca a encontrei pelas bancas. Mesmo assim prossegui. Certa vez visitei o sebo mais bagunçado e com poeira da cidade - portanto, o melhor - e encontrei várias edições. Comprei quase todas!

Porém, o tempo passou e deixei Tex de lado após ter lido todas que eu tinha. Só fui comprar uma nova Tex na cidade de Uruguiana, em 2012. Edição colorida. Relançamento da primeira história de Tex publicada. Lindona. Era a última da banca.

O tempo passou e só agora em 2014 que comprei novamente uma Tex. Edição gigante, especial, capa dura e colorida. Preço salgado: R$ 60. O investimento, porém, se fez necessário pela qualidade e beleza quase pujante da edição. Não pude resistir.

Foi aí que peguei a febre que agora me assola. Nas duas últimas semanas comprei várias outras. Quase todas oriundas de sebos espalhados pelo país através da internet. Edições marcantes. Edição número 200, 300, ou ainda as melhores histórias. Assisti ao filme da década de 80 dedicado ao herói. Até música escutei sobre o tema!

Enfim, estou enfermo, mas por chifres de bisonte, não me tragam medicamentos nem chamem os médicos. Essa doença eu quero ter - até os meus bolsos e bom senso (?) permitirem.

Até lá, pards!

Da esquerda à direita: Kit, Tex Willer, Tigre e Carson. Família.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A nossa média é de 85 likes

Eita, mas que parada é essa?

Todos nós já vimos uma pessoa defender as suas visões com números. Matérias jornalísticas também se utilizam da prática. 

"Brasileiro consome mais. É o que indica a pesquisa, que registrou um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado". 

É natural. Faz parte.

Agora medir aceitação ou rejeição através de "like"? "Like", para quem não sabe, é um dos recursos que existem na rede social mais utilizada hoje no mundo, ultrapassando a marca de 1 bilhão de usuários: o Facebook. 

É que quando a gente tenta por vias normais demonstrar o que já é escancarado aos olhos menos atentos e não consegue, ficamos sem saída e então buscamos alternativas e elas nem sempre nos agradam. Porém, o Facebook ainda assim serve como veículo para reforçar o quanto a gente é bem quisto pelas pessoas - e o número de "likes" deixados em nossas fotografias é o nosso mais forte argumento nesse contexto.

Na verdade, a gente luta nessa eterna guerra de - parafraseando Renato Russo - provar pra "todo mundo" que a gente não precisa provar nada a ninguém.

Nós nos amamos. Amém.

#22day

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Não é muito difícil de entender

As músicas trazem à luz muitas verdades, também nos inspiram e entretêm. Assim funciona, basicamente, com a maioria das pessoas. Desta vez, nesta postagem, Queen é quem ministra a aula com a música Under Pressure

Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?
Por que não podemos dar amor? 
Dar amor, dar amor, dar amor
Dar amor, dar amor, dar amor
Dar amor, dar amor... 
Porque o amor é uma palavra tão fora de moda...
E o amor te desafia a se importar com as pessoas no limite da noite 
E o amor desafia você a mudar o nosso modo de nos preocupar com nós mesmos.

domingo, 6 de julho de 2014

Cadê você, concentração?

Cadê você? Te procuro em vão
Concentração, sinto faltas de você
Te procuro ali e aqui, quando vê já me perdi
Volta aqui, concentração, volta aqui.

Lembra quando eu tinha motivação?
Saía às 8 voltava quase madrugadão
Ainda dava tempo de ler um artigo
Escrever um pouco e fazer um pão.

Mas não consigo mais porque me falta
Concentração, cadê você?
Não me deixa na mão
Cadê você, concentração?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O advento da escolha de novas necessidades

Nós, humanos, assim como os outros animais e demais seres vivos, temos nossas necessidades básicas. Estas podem ser semelhantes ou bastante diferentes, variando de acordo com os "habitantes". No geral a alimentação é uma das atividades mais importantes, senão a maior de todas. Nós também precisamos respirar. O contato humano, por sua vez, é incrivelmente relevante, pois trabalhamos melhor em bando. 

Todavia tudo muda. Com o passar do tempo, a humanidade evoluiu tecnologicamente. Hoje vivemos mais e, em tese e para parte da população, melhor. A internet e o aparelho celular são exemplos de "novas necessidades básicas" de muitas pessoas. Além disso, o capitalismo também é grande responsável por impulsionar de forma impactante a criação de novas necessidades, visando o lucro a partir dessas novidades. Claro que para acessar a essas novas formas de vida (ou viver a vida) é necessária a presença do faz-me rir - leia-se "pila". Todas essas mudanças resultaram no que chamo (com certa ousadia e irresponsabilidade, talvez) de advento da escolha de necessidade. 

Alheias ou não a essas mudanças, as pessoas agregam novas necessidades à própria existência. Uns precisam, além de comer, beber, dormir e respirar, de estantes repletas de livros dos mais variados assuntos. Outros agregam necessidades às necessidades, ou seja, optam por comer aquele biscoitinho sabor requeijão no café da manhã todos os dias. Já outros têm o enorme desejo de ir ao cinema uma ou duas vezes por mês. Todos eles vão se julgar mais infelizes, ou até mesmo incompletos, se por ventura essas necessidades não forem devidamente saciadas. 

É assim que funciona. 

Por outro lado, certas necessidades significam futilidades para alguns, enquanto para outro grupo o iPhone tem a maior das importâncias, superior até do que beber água - preferem energético. O que falta aqui, na verdade, é a tolerância às diferenças e, além disso, a compreensão de que os tempos mudaram e continuarão mudando, para a nossa sorte. O que é necessidade para mim pode não ser para ti, mas isso não quer dizer que eu ou você temos o direito de julgar de forma leviana e irresponsável as atividades do próximo. O debate pode até surgir a partir delas, mas o entendimento e respeito são fundamentais. 

Nos meus dias atuais, em época de trabalho de conclusão de curso e horários apertados, assistir a filmes via Netflix durante os fins de semana com uma taça de vinho tinto suave e amendoins japoneses ao lado são fulcrais para a recarga das energias. Essas minhas vontades produziram e ainda vão produzir boas lembranças. Tenho, e vocês também têm, o direito de escolha das próprias necessidades.

terça-feira, 24 de junho de 2014

"Eu avisei", diria John

Quando o ex-Beatle, ou talvez Beatle para sempre, John Lennon escreveu Woman Is The Nigger Of The World ele já denunciava o que acontece todos os dias com as mulheres. Sutilmente ou de forma escancarada, a mulher é sempre a responsável. Essa responsabilidade muitas vezes injusta é atribuída a elas pelos homens - e pasmem - pelas próprias mulheres.

As mulheres são os demônios do mundo. Tens alguma dúvida disso? Basta prestarmos atenção ao que acontece à nossa volta. Basta surgir uma para que a gota d'água se transforme em mar violento próximo a uma ilha habitada.

Nós fazemos ela pintar o rosto e dançar
Se ela não quer ser nossa escrava, dizemos que não nos ama
Se ela é sincera, nós dizemos que ela está tentando ser um homem
Enquanto botamos ela para baixo, fingindo que ela está acima de nós
Trecho de Woman Is The Nigger Of TheWorld

Veja você mesmo! Analise os comentários feitos pela própria família sobre a "namoradinha" do vizinho ou a noiva do fulano, sobrinho do ciclano, que mora em Arroio Grande. Perceba a maldade ou até mesmo a ingenuidade por trás das frases fabricadas pelo senso comum.

A culpa é sempre da mulher.
- Fulano faliu.
- Deve ter sido culpa da mulher. Torrava o dinheiro do guri que é trabalhador.
- Ciclano como é mulherengo, mas terminou com a esposa.
- Por quê?
- Ela saiu com o vizinho.
- Que vagabunda! Coitado do Ciclano.
- Como está o teu filho?
- Tá bem. Conseguiu emprego.
- Que ótimo. E a namorada?
- Ah, tá lá...
- Como ela é linda! :D
- rs rs...
O tempo, meus amigos, no entanto é o melhor remédio. Também é o melhor "soco no estômago" de quem se esconde atrás de uma parede ou de um rostinho aparentemente angelical, que muito pede e pouco dá. O custeio desse tipo de comportamento é o prolongamento por tempo indeterminado do que John Lennon já nos ensina há muito tempo. Pena que muitos que escutam essa música não percebem que são multiplicadores do que John condenava.

Eu também avisei, John. Pena que não querem ouvir.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Nos perdemos nas ruas, mas a gente se reencontra no teatro

Cortada por viadutos, ruas estreitas e calçadas movimentadas, Porto Alegre anoiteceu diferente na última terça-feira, 21. Músicos britânicos desembarcaram na capital gaúcha para tocar. Até encontrarmos o teatro, no entanto, nos perdemos pelas ruas da cidade.

"À direita? À esquerda? Sigo em frente? Aonde vamos?" Eram essas as perguntas mais repetidas durante todo o trajeto. Combustível queimando. Nervos à flor da pele. Liga-se o GPS, a conexão cai, a noite também, quase sete horas. Nada. 

Andamos pela escuridão à procura do som pesado mesclado a vozes perfeitamente sincronizadas. Uriah Heep e suas capas de disco, seus solos de guitarra e bateria enfurecida, nos obriga a percorrer caminhos desconhecidos, desconexos, desprotegidos da escuridão da noite e do frio da capital. 

Após idas e vindas, gritos e socos, nos reencontramos com a felicidade. O teatro apareceu ao nosso lado como mágica. 

URIAH HEEP!

Quase nove horas. Pausa para o lanche típico norte-americano. Capitalismo em forma de pão, recheio fantasiado de carne. Logo após subimos as escadas. Retiramos os ingressos. Nosso suado dinheiro já tinha sido depositado. Foi bastante, mas valia a pena. 

SHOWZAÇO!

Já no teatro nós nos reencontramos com o conforto da poltrona e com os efeitos de luz. Poucos minutos nos separavam da música. Quando o show começou os nossos olhos ficaram arregalados, nossos ouvidos foram intimados a escutá-los e a nossa mente, ó, esta se perdeu e se reencontrou ali, naquele espaço, naquele teatro.

Por fim, a mágica noite se resume nas palavras de nosso pai, piloto do Monza Tubarão ano 1991: esperei 40 anos pra ver esses caras.

A gente não se perde quando sabe para onde ir.