O silêncio nem sempre é vazio, tranquilo, ausente de sons e mensagens. Ele também pode ser ensurdecedor, um pedido de ajuda que não cessa, gritos que só podem ser ouvidos por quem tem coração e sangue compatíveis com o emissor.
O problema é quando este coração bombeia o sangue com dificuldade, em razão dos batimentos mais fracos, danificados pelos anos de solidão e carência. Corroído por dentro, não consegues mais escutar a voz que pede ajuda. Seria possível ouvi-la em condições normais, apesar da distância que existe hoje - até mesmo a geográfica.
Deves tentar ouvi-la, mais uma vez. Por mais que as duas bocas peçam socorro ao mesmo tempo e por motivos semelhantes, tu deves ir ao encontro do apelo. Deves dar um “tiro no escuro” à procura do que não está tão claro à sua frente. Como um radar defeituoso, terás que rastrear a voz através do coração, este mesmo que está ferido e com lacunas quase irrecuperáveis, impossíveis de serem preenchidas novamente.
Ela te deu a vida, te trouxe à luz. Faça o mesmo por ela, pelo menos uma vez, apesar do suposto silêncio alheio. Lembre-se que a boca que não fala também grita socorro.
Nesses momentos de angústia, lembro-me sempre da placa de sinalização localizada geralmente antes dos trilhos do transporte ferroviário: pare, olhe e escute.
0 comentários:
Postar um comentário