domingo, 30 de junho de 2013

Nosso contrato

Não há nada escrito. Não existem pilhas de papéis grampeados com dez mil caracteres e termos jurídicos que firmam, ou não, mútuo acordo. Nosso contrato é oriundo do olhar à meia-noite, com a cabeça sobre o travesseiro. Rostos se encaram, olhares se entrelaçam e o sorriso brota, cresce e assina o termo vitalício de cumplicidade. 

Não ligo se a conta bancária está prestes a ficar no vermelho antes do dia 15 do mês. O importante é ter algo para comemorar no dia 22. Tão logo recebo, protagonizo grandes performances e organizo vasta agenda de atividades. Cinema, comida, algum livro, outra saída, filme em casa e à vontade, além do sono reconfortante na maior cama de casal para solteiro do mundo.

Nosso contrato, enfim, foi firmado à luz do monitor, à luz do celular que desperta às seis da manhã, à luz do olhar esverdeado que ilumina, à luz da própria luz que vem de cima, espanta a escuridão e sinaliza que o dia já chegou.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Os livros me escolhem, não o contrário


- Olá, boa tarde. Posso ver alguns livros?
- Claro, fique à vontade.

O relógio marca 15 horas. Eu e centenas de livros numa sala grande. Poucos são novos. A maioria deles já passeou por diversas mãos. 

Procuro algo legal, diferente e interessante, mas não busco nada específico. Prefiro ir ao sebo para o livro me encontrar. É quase a mesma coisa que aquela história do chapéu da saga Harry Potter, em que o objeto repousa sobre a cabeça e traça o teu destino numa determinada escola. Minha relação com os livros, principalmente nos sebos, funciona assim.

Pois bem. Liberto a minha visão para que ela rastreie potenciais títulos que, de alguma forma, demonstrem que eu preciso deles e eles de mim. Alguns minutos passam enquanto passo a mão nas capas amareladas. Até que, bingo, um livro me chama a atenção. Duplamente. Primeiro porque, de cara, vi que não seria meu, mas serviria de presente a alguém especial. Segundo porque o preço estava ótimo, o livro impecável e era uma biografia entre tantas outras. O livro, de certa forma, saltou aos meus olhos!

Vou levar, penso.

No entanto, na fração de segundo em que pensei em ir ao caixa efetuar a compra e voltar à rua, outro livro me encontra e me encanta. Ele é pequeno, bastante fino, mas com conteúdo de aspecto documental, visivelmente fruto de um trabalho jornalístico e essencialmente humano. O preço é pequeno, apenas R$ 4. Mais um que me ganha.

Finalmente vou ao caixa. Entrego o dinheiro de plástico, digito a senha, pego a nota fiscal e vou embora.

Na minha estante há um novo livro. Na dela também.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O prêmio pelo nada

A vida é injusta desde que mundo é mundo e não vejo meios para mudar esse movimento cíclico.

Complicado visualizar pessoas incrivelmente esforçadas e focadas em seu progresso (seja ele pessoal, moral, financeiro, entre outros) perderem espaço por outros que, pelos mais diversos fatores, exceto o mérito, ocupam lugares incompatíveis do ponto de vista meritocrático. A vida, no entanto, e preciso reafirmar, é injusta e sempre será.

O que me tranquiliza como ser humano e jovem como sou, atualmente com 21 anos, é a observação que faço todos os dias. Vejo que, apesar de injusta as formas de seleção, premiação (em seus mais diversos sentidos) e reconhecimento, os mais esforçados conseguem atingir a maioria de seus objetivos, visto que a escalada ao sucesso não é fácil e o sobrenome pomposo nem sempre segura as pontas na "hora da onça beber água".

O sucesso também não vê mordomia como aliado. 

Só que o triunfo dos inocentes numa guerra injusta pode levar anos para acontecer. Até lá há muito sofrimento, esforço e, acima de tudo, paciência enquanto a escada leva ao alto o menos convicto do que fez, faz ou fará.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Estou te perdendo?

O despertador toca e reclamo. Com os olhos fechados estendo o braço e te procuro, mas o lado direito está frio e vazio. Me levanto e encontro uma carta escrita à mão num papel qualquer. Abro rapidamente e leio lentamente aquelas linhas tortas, palavras escritas com caneta vermelha, cor que simbolizava o sangue que coagulava em meu peito como se alguém tivesse feito um corte profundo.

Te perdi.

Sumistes.

Corri até a porta, olhei para fora, gritei teu nome. Em vão.
Corri à parada do ônibus, mas não havia mais ninguém. Perguntei aos vizinhos, aos desconhecidos, aos Céus, mas nada nem ninguém a viu partir. 

Sair, assim, da minha cama, da minha casa, da minha vida... Por quê? O que fiz? Estou te perdendo? Te perdi?

Me perdi.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Lagartear

Como proceder se o meu maior estímulo para levantar da cama às seis da manhã está ao meu lado, dormindo? Não faz muito sentido. Ainda mais quando contextualizamos a cena e constatamos que estamos no inverno e sob cobertas que, com êxito, isolam o nosso calor corporal. Não há lugar melhor no mundo.

No entanto, apesar de lamentar o insano despertador que nos acorda, nos levantamos e damos sequência à nossa rotina. Afinal, o nosso maior estímulo está ao lado, esperando que tenhamos força para abrir a porta, enfrentar o frio e voltar para casa, horas depois, com o dever cumprido e com a certeza de que caminhamos um pouco mais em direção ao futuro, à nossa felicidade.

Percebo, tardiamente, talvez, que nosso maior estímulo está em todo lugar. Aqui ou lá, do meu lado ou à distância, ou ainda em nosso peito. O que nos estimula permanece em nós.

Por isso, olhos de esperança, saí hoje na manhã fria, da mesma forma que fiz ontem e farei amanhã. Porque quero que nossa vida se complete numa sacada, sete horas depois das seis da manhã, sob a luz da sol, ao degustar a nossa bergamota.

Nosso estímulo, por fim, nos faz querer - como se diz no sul - lagartear.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vem que o ônibus vai partir!

Não demora, por favor
Que eu só quero te encontrar
Pra te dar de volta
Tudo o que sonhei
(Lobão)

Quase três horas da manhã, guria. Arruma as malas. Vamos! Vem que o ônibus vai partir. 

Acelera, guria. Não, não precisa passar mais batom. Tá bom assim. (Nossa, como estás linda!) Vem, rápido, vem, por favor.  

Corre! Tá começando a chover. Anda! 

(Lindona. Quando tu corres assim na minha direção o meu mundo para)

Vem! O motorista apressadinho já ligou o motor. Anda, guria!

Vem! Vem me fazer feliz mais uma vez.

sábado, 25 de maio de 2013

Um aviso

A vida é jogo rápido, às vezes injusta, mas toda ação tem uma consequência.

Neste caso as consequências já saltam aos olhos, estão escancaradas e fazem teu peito sangrar. No entanto, apesar de toda a resposta fria da vida, continuas a exercer teu papel medíocre a quem não merece. Porém quero lembrá-la, ó mulher incrível (dos infernos), que a dureza das consequências também aumenta. Não aja como se a batalha estivesse vencida. A guerra já terminou, de fato, mas tu fazes parte do lado derrotado.

A vida não perdoa. É um aviso.

Já saiu de casa quem mais tu querias que permanecesse. É assim mesmo. Só lamento.

A vida não perdoa. É um aviso.

Não sei a quem enganas. Porque nem cara de santa tens. Estás mais para algo diabólico, sujo e caído junto ao paralelepípedo da tua rua fria, sem luz nem lua.

Ela virá. Ficará conosco. E tem o que teus filhos não têm e nunca terão: uma mãe bonita.

"As tesouras que cortam cabelos também cortam coração, incluindo (e somente) o teu".

A vida não perdoa. Último aviso.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Te trago esta flor

Porque hoje é dia 22.

Ah, Jéssica, minha amiga, minha amada. Mais um mês completado. 

Somos fortes e intransponíveis como um muro alto no meio da floresta. Estamos cercados de proteção, apesar das tochas vindas de todas as direções, principalmente dos soldados entrincheirados em nosso próprio território.

No entanto, vencemos batalha por batalha. A vitória nesta injusta e ímpia guerra - parafraseando o hino gaúcho - virá! Avante!

Do sempre, sempre teu,

Pepê.

One year and seven months | #22day

terça-feira, 21 de maio de 2013

Eu preciso de coragem!

Agora é diferente.

Um dia ajoelhei-me em frente à imagem de São Jorge no meu quarto enquanto chorava. Pedi com fervor para que protegesse a minha avó. 

Precisei de coragem para seguir em frente depois daqueles dias tão desleais.

Hoje peço mais coragem, mais força, mais fé. Temo o futuro, calculo minhas atitudes e oro para estar certo, no caminho correto, a caminho da minha felicidade.

Peço coragem para aguentar tantas atitudes antagônicas à minha frente.
Peço força para consolar àquela que é maior do que eu e que precisa de todo o meu afeto e amor.
Peço garra para enfrentar as adversidades.
Peço paciência, além de tudo.

No entanto, é nessas horas em que peço coragem que percebo o quão forte sou. O quanto já fiz para estar aqui. Todos têm suas batalhas particulares. Outras mais difíceis, outras mais longas. Mas a minha eu conheço. 

Eu tenho brio e vou em frente!
Hoje é dia de luta.
Há um futuro à minha espera.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Olhar

Há sempre um outro olhar. Outra opinião. Não há somente dois lados. Há três, quatro, seis mil diferentes visões. 

Minha ideia acerca deste post é uma. As outras cabem a vocês.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Reflexão

É sobre a minha avó materna, Marilda, ou para seus netos apenas vó Iaiá. Ela deixou este planeta em 2003. Eu estava na quinta série.

Se foi, mas ainda está aqui, dentro de mim. Além de avó, era minha madrinha. Dizia a mim que se eu não a beijasse eu não cresceria. Meus beijos ela sempre teve, portanto - e teria independente de qualquer coisa. Acredito que ela estava certa, pois depois não cresci como deveria. Os beijos fizeram falta.

Nunca esqueço. Meu pai, na madrugada em que ela estava na U.T.I., me disse: "se tua avó se for vai ser uma 'bomba arrasa quarteirão', Pedro Henrique". Verdade. E foi, infelizmente. Ninguém acreditou. Muito menos eu. Como minha avó, aquela que me beijava como se fosse a última vez ou como se disso dependesse meu crescimento, poderia ter ido tão nova, tão cedo?

A resposta nunca terei.

No entanto, no último texto publicado neste blog, "Fazia tempo que não via", escrito no último dia 19, dia do índio e dia do aniversário de minha avó, conta muita coisa. Percebi isso há um dia.

O texto conta, de modo direto, sem rodeios, o que presenciei numa manhã fria de Pelotas, enquanto me dirigia ao estágio. No entanto percebi que não era só isso. Lembrei da flor rosa que o menino segurava com tanto esmero. A flor era idêntica às flores que nasciam de uma árvore que minha avó plantou e cuidou com tanto carinho. Árvore que foi resgatada após um temporal que a arrancou do solo. 

A flor do menino era igual.

Pode ter sido coincidência. Pode. As cores eram iguais, a flor era igual, tudo igual, mas tudo pode ter sido "obra do acaso". Mas pensando melhor, e acreditando em algo maior do que apenas o que conseguimos enxergar, talvez aquela flor simbolizasse que a minha vó Iaiá não está apenas dentro de mim, mas em todo o lugar em que eu for.

Fico contente. Aliviado. Me sinto amado e beijado por ela. Voltarei a crescer.

Fazia tempo que não via...

Postado originalmente no dia 19 de abril de 2013, no Facebook. Recebeu 42 "likes". As pessoas ainda respiram esperança.

Fazia tempo que não via uma cena tão motivadora.

Hoje de manhã, por volta das oito horas, eu caminhava calmamente pela XV de Novembro. À minha frente pai e filho caminhavam juntos. O pequeno não devia ter mais do que cinco anos e ia à escola enquanto puxava uma mochila de rodinhas dos Cavaleiros do Zodíaco. Por si só isso já chama a atenção, visto que vivemos a era Ben 10. No entanto, foi outra coisa que realmente fez a diferença.

O guri arrancou uma flor. A única num raio de dois quilômetros. Para alguns pode representar uma violência à natureza, mas não. Apesar dos fones de ouvido escutei que a flor seria entregue à professora. Poxa, há muito tempo não via algo parecido. Já no meu tempo de ensino fundamental, quando ainda chutava garrafas pet para jogar futebol no recreio, era difícil ver algo do tipo. Tal atitude era restrita ao dia do professor - e quando havia alguma flor na jogada. Muitas vezes a data passava em branco.

Ele podia estar com sono, sem vontade de ir ao colégio ou ansioso para jogar videogame novamente. Poderia, mas não esqueceu da professora ao ver aquela flor rosa numa rua tão cinzenta e fria.

Às vezes parece que não, mas ainda existem atitudes bonitas e, geralmente, elas vêm dos pequenos. Que bom! Que bom. Valeu o dia.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

One year and six months

Mais um mês. Totalizando 18 meses de namoro.

É, mas parece que foi ontem que recebi uma solicitação de amizade na rede social azul de uma guria da minha turma de Jornalismo. Diferente das outras vezes, além de aceitá-la, mandei uma mensagem de boas-vindas. Não era do meu feitio, mas era diferente apesar de eu não saber ainda disso. Fui mais além e a incluí na minha rede de contatos no messenger. Pronto! Depois disso passamos a nos falar todos os dias, indo, inclusive, até às cinco da manhã. A conversa era muito boa, muito engraçada, muito dinâmica. Parecia que nos conhecíamos há muito tempo. Tipo aquelas histórias de crianças que estudaram juntas e que se encontraram dez, quinze anos depois. Mágico.

Nos encontramos apenas em 2011. Eu com 19, ela também. Poderia ter sido bem antes, mas se foi assim era para ser. O importante é que nossa conversa e nosso entendimento supera o tempo com grande facilidade. Tempo, aliás, que nunca é suficiente. Quero vê-la sempre mais. E os dias em que estamos juntos parecem minutos.

Enfim, hoje é mais um dia 22. O 18º. O mais bonito disso tudo é que em nosso peito e em nossa alma queremos mais. Porque juntos somos mais fortes.

Te amo, Jess. Obrigado pelos maravilhosos 18 meses. O guri, ao teu lado, cresceu e agora toca o céu com a ponta dos dedos.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Não posso me calar

Por favor. Por favor! Pare e pense. Pense com a tua cabeça.

Por favor. Por favor! Não seja tola. Viva a vida. Acorda! (literalmente)

Por favor. Por favor! A vida tá passando ao lado. George já cantava para todo mundo ouvir que o sol estava chegando. Aproveite! Não troque o dia pela noite.

Por favor. Por favor! Fale frente a frente. Covardes, aqui, não são bem-vindos.

Por favor. Por favor! Pare com isso. Parabéns pelo nível "boxeador de teclado". Que avanço!

Por favor. Por favor! Eu estou bem. No caminho certo. Vou ao estágio, ao outro estágio, conquisto notas altas, boas falas, só bem quisto. Encontrarão defeitos meus, óbvio, mas nunca acomodação - digo apenas por mim.

Por favor. Por favor! Cuidado com as "amizades". Geralmente a maioria é de festa, mas as tuas - pelo que se percebe - nem para festas servem. Parabéns! :D

Por favor. Por favor! Escute John Lennon como sempre escutei. No entanto, não ofenda a ele nem à sua obra. Ele fala de amor. Aja de acordo com isso.

Por fim, por favor!, se não entendeu até agora não entenderás mais.

É isso. Já não posso mais me calar.

sábado, 30 de março de 2013

Ah, o futebol...

Na minha visão, ao escolher um clube de futebol para torcer, deve-se ter em mente toda a história de fundação da agremiação que defenderás nas arquibancadas. Tomo como exemplo aqueles clubes que no início de sua existência não admitiam negros em seus elencos. Eu nunca torcerei para uma agremiação desse tipo.

No entanto, às vezes as pessoas apenas simpatizam com o clube por causa de seu estádio, sua torcida, seu distintivo, sem levar em conta toda a sua trajetória. Acredito que nesse caso não há maiores problemas, porque apenas gostas da cor da camisa ou da torcida extraordinária, nada mais do que isso. Não é preciso, com isso, conhecer toda história da agremiação e concordar, se for o caso, com ela.

Eu, por exemplo, torço exclusivamente para o clube de minha cidade, o Grêmio Esportivo Brasil, fundado em 1911. Porque sua origem é nobre, pois abrangeu a parcela mais humilde da cidade e combateu de peito aberto os clubes da elite. Nada contra a elite, mas esta não aceitava negros. Quem é de Pelotas entende o que estou dizendo. Além disso, o Xavante, como é conhecido o clube, justamente por ter abraçado a parte humilde da cidade, possui uma torcida imensa e apaixonada. Atualmente possui torcedores de todos os tipos e cores. Nas arquibancadas do estádio Bento Freitas todos são iguais porque todos são Xavantes. Meu clube já disputou as finais do campeonato brasileiro de 1985 e foi o terceiro colocado naquela edição. O Flamengo de Zico sucumbiu ao time dos "Negrinhos da Estação". Foi lindo.


Também nutro simpatia por diversos clubes do futebol mundial. O que mais me atrai é o Fulham Football Club, agremiação fundada em 1879, na gigante Londres (Inglaterra). É um clube simpático e com uma história bonita, distintivo muito interessante e dono de um dos estádios mais bonitos do planeta, o Craven Cottage. Atualmente o clube disputa a English Premier League, a primeira divisão inglesa. Tenho duas camisas desse clube tão grandioso.
Admiro também um clube italiano. Bem mais vitorioso do que o Fulham, a Juventus Football Club, de Turim, acumula títulos e histórias incríveis. É a agremiação que melhor representou seu país pelo mundo e possui a maior torcida da Itália. Fundada em 1897, La Vecchia Signora disputa a primeira divisão italiana e avança a passos largos rumo a mais uma conquista na competição.

Portugal também detém um clube que me chamou atenção ainda quando criança. O Sporting Clube de Portugal foi fundado em 1906 na capital Lisboa. O motivo pelo qual comecei a gostar do Sporting foi a camisa branca com listras verdes na horizontal. Atualmente disputa a primeira divisão portuguesa e possui 18 taças dessa competição.
Na Espanha minha atenção é direcionada ao Valencia Club de Fútbol, da cidade de Valência. Sempre achei lindo o distintivo do clube apesar de conhecer pouco dessa agremiação. Outro clube que me chama a atenção, desta vez pela sua história, é o Club Atlético de Madrid, o Atlético de Madrid, que historicamente faz frente a um dos maiores clubes do planeta, o Real Madrid. Gosto do Atlético por enfrentar o rival que, décadas passadas, foi ajudado por um ditador espanhol que não merece ter seu nome citado.


Por fim, nutro especial apreço por outro clube inglês. No entanto, este joga a terceira divisão inglesa, a League One. O Cheltenham Town Football Club, fundado em 1887, joga no charmoso estádio Whaddon Road. Torço para que o clube continue a desempenhar as suas atividades e, assim, orgulhar o seu torcedor conhecido como The Robins.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sereno

Ah, tenho pressa para muitas coisas, para a maioria delas. Pressa para ir ao banco, à farmácia. Pressa em atravessar a rua, a arrumar a cama, a secar a louça para ajudar a mãe querida que faz aquele bolo de chocolate cheiroso. Tenho pressa em crescer, em ser alguém melhor, em orgulhar meus pais. Tenho pressa em ser bom exemplo à minha irmã, pressa ao descer de elevador e subir pelas escadas.

Tenho pressa, definitivamente.

O amor, sem querer, nunca foi motivo de pressa. Sempre o quis, desejei ferozmente em alguns momentos, mas o tratei como algo que viria naturalmente. Aos poucos. Com calma. Diferente do meu comportamento, mas encarei dessa forma.

E ele veio. Gostei.
Veio e ficou. Gostei mais ainda.
Parece que não irá embora. É, eu gosto do amor!

Curti viver essas coisas. Ficou muito mais interessante o cair do Sol, ao longe, até sumir por trás das árvores cheias de pássaros cantarolantes.

"É sereno o nosso amor", cantou Renato Russo. É verdade. Nosso amor é calmo, tranquilo, mas temos pressa!
Pressa em viajar por mil estradas sobre duas, quatro rodas.
Pressa em entrar num daqueles prédios grandes com salões enormes e dançar a música mais bonita. Pressa em acordar cedinho, preparar o café e rir um pouco mais pela manhã.
Pressa em escrever um livro, um recado no guardanapo do barzinho ou um bilhete no bolso do casaco velho e desbotado.
Pressa em chegar à parada do ônibus para ir ao cinema e pressa para chegar lá e ver os trailers dos próximos filmes.
Pressa em abraçar mesmo sabendo que ele será lento em sua execuação - porque queremos assim.
Pressa em nos formarmos na faculdade.
Pressa em comprar aquela roupa bonita para a festa.
Pressa em te levar para sair.
Pressa em ficar contigo.
Porque nosso amor é sereno.

terça-feira, 26 de março de 2013

Amor sabor Nutella

(Ainda) Não somos casados. Pensando melhor, não tenho uma definição para explicar o que somos, de fato. Sendo pragmático, vos digo que somos namorados. O que é uma grande verdade. No entanto, acredito que reunimos diversos fatores que extrapolam isso. Por exemplo: fomos ao supermercado. Chegando lá buscamos pesquisar e comparar os preços de produtos que, em tese, oferecem as mesmas condições ao consumidor, como chocolate da marca X comparado ao da marca Y. Assim fomos. Como não somos casados - o que deixei claro desde o início do texto - não buscamos fazer o rancho para o mês, comprar sabão em pó ou a laranja que está faltando na cesta. Colocamos no carrinho, um a um, pacotes de biscoitos, chocolates e, claro, Nutella. Somos assim.

Minutos antes, outro exemplo, passamos e quase infartamos - com educação - ao entrarmos numa loja que vende bonecos simplesmente perfeitos, de personagens como Mario, Freddy Krueger ou as esferas do Dragão. Perto dali fomos a uma loja que comercializa produtos relacionados ao rock and roll. Babamos, quase literalmente, pelas camisas de The Beatles, Pink Floyd e Pearl Jam. Também perto dali, compramos uma Rolling Stone porque há, na capa, a banda Pearl Jam e em seu interior bandas como The Beatles e Muse. Também olhamos vitrines, trocamos beijos e olhares, além de conversarmos sobre os mais diversos assuntos. Somos assim.

Incrivelmente gostamos de tudo que o outro gosta. Por exemplo, eu gosto de mim e ela também. Ouvimos quase todas as mesmas músicas, crescemos jogando os mesmos jogos, comemos os mesmos alimentos. Parece - apesar de ser clichê - que fomos feitos um para o outro. Sem mentira!

Não sei até quando esse encantamento vai durar. A princípio, e acredito, que não vai cessar nunca, visto nossas afinidades e nosso tremendo entendimento. Nos respeitamos e vivemos o mesmo sonho: vivermos nossa própria vida em nossa própria casa, andando no nosso próprio carro e comprando a nossa Nutella. Simples. Não precisamos muito mais do que isso.

Não mudaremos. Porque amanhã compraremos a mesma Nutella de hoje à tarde.

terça-feira, 12 de março de 2013

Reparta a beterraba

Acho que foi um sonho, faz muito tempo, mas não posso afirmar nada. Talvez tenha acontecido realmente e minha memória me faz lembrar apenas do importante. Era manhã, talvez sábado ou domingo, e o sol estava imponente no céu azul. Meio-dia. A comida estava sendo preparada e eu estava sentado à mesa à espera da refeição. Estava com fome. Não era fome velha, graças a Deus, mas estava ansioso pelo prato quente de comida feita com tanto esmero. De repente é colocado no meio da mesa uma tijela com rodelas de beterraba. Eram várias. Elas tinham uma cor muito bonita e era possível ver o sal por cima. O cheiro era incrível. Peguei uma rodela e comi. Rapidamente peguei mais uma. Continuei a repetir a ação mais e mais vezes e em menos tempo. Já era tarde de mais quando percebi que tinha comido todas as beterrabas do prato. Só havia resquícios do azeite.

As panelas vieram e com elas a surpresa. Quem estava preparando a refeição viu que não havia mais beterrabas e ficou chateada. “Poxa! Comeram todas. Nem me esperaram terminar o restante”. Talvez não tenha sido essas palavras, ou ainda nem tenham existido, mas é assim que recordo. Fiquei envergonhado comigo mesmo. Não tive a intenção, mas cometi o ato irresponsável e egoísta – por que não? – de matar a minha fome sem pensar nas consequências. Depois daquele dia procurei repartir tudo o que possuo. Não que eu vá sair por aí distribuindo minhas camisetas, mas nunca negarei uma quando for preciso.

Hoje reparto a beterraba.
Reparta as tuas também.
Teu prato ficará bem mais farto.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Encontre o valor de x

Nos últimos dias tenho vivenciado momentos únicos e, até então, nunca imaginados. Explico, com a calma que não tenho, como encontrar o valor de x. Ela presta atenção, por vezes mostra sinais de insegurança, mas continua.

"Menos com menos, mais. Mais com menos, menos". E ela continua. "Três vezes três dá nove. Nove vezes três dá 27". E persiste.

Enquanto ela procura a resposta numa equação qualquer, tipo - 2x + 1 . (2 + 3 - 4 . + 5)² : 10² + 5 . 2, sei que já encontrei o resultado. Ela ainda não percebe, mas compreendi uma equação muito maior. O valor de x ainda não foi obtido, mas achei na minha mãe o desejo de reencontrar aquele caminho abandonado há tantos anos.

Ela agora procura o valor de x após ver que seu irmão - portanto meu tio - ingressou na universidade. Um serviu de inspiração ao outro. Que, por sua vez, inspiram o filho e sobrinho.

Continua a procurar o valor de x, mãe. Prossiga. No final verás que a resposta está, na verdade, no sorriso do teu orgulhoso filho.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Areia

Pisei na areia num dia de chuva. 

Fui teimoso e saí mesmo com o céu fechado, mesmo depois de ter visto nuvens negras a caminho. Eu saí e pisei no barro. Sim. Fiz isso porque eu quis. Foi minha vontade.

No entanto, após caminhar por tanto tempo na chuva, a gente cansa. Desisti de sentir frio, de ficar molhado, de ficar andando por caminhos embarrados e completamente encharcados.

Voltei para casa. Tomei um bom banho e dormi. No outro dia, fui limpar os meus sapatos embarrados pelo longo temporal, pela chuva que durou longos anos. O barro ainda estava lá, mas seco, nas ranhuras marcadas no solado. Peguei os dois calçados e bati um contra o outro. Aquela crosta começou a se desprender e a cair. Restou, no fim, apenas pó. 

Pó de uma areia que um dia foi de uma terra cheia de esperança, mas que não resistiu ao clima, à chuva e ao desrespeito.

Hoje caminho por trilhas bem mais secas e bonitas. Hoje - há mais de um ano - o sol me acompanha. Por entre árvores, os raios da maior estrela da Terra atingem o meu rosto e os meus sapatos. Estes agora secos e limpos.

Piso na areia num dia bonito.