Carregávamos a M1 Garand, lembras?
Não estávamos na Segunda Grande Guerra, mas travávamos corajosamente a nossa própria batalha. Eu queimei muita pólvora, rasguei meu uniforme e fui atingido por estilhaços.
Em nenhum momento pensei em levantar a bandeira branca, porra!
Quando corríamos em direção ao topo da montanha, aos gritos do nosso imperdoável comandante, eu fitava o teu rosto e presenciava o sorriso que batia de frente com qualquer face fechada. À guerra!
E à guerra fomos. Lutamos por anos. Não caímos frente a ninguém.
Sempre dávamos um jeito. Era motivador correr a plenos pulmões para, finalmente, alcançar o abrigo durante o tiroteio incessante. Na mureta baixa e danificada, estávamos nós dois. Sujos de sangue e barro, permanecíamos ali.
Sabíamos que tudo poderia ser diferente. Que os ataques covardes, um dia, cessariam.
Nós acreditávamos. Por isso carregávamos a M1 Garand a qualquer lugar, pois estávamos sempre pronto para lutar.
Depois de tudo isso, no entanto, fomos atingidos. Fogo amigo.
A guerra acabou.
11 de janeiro de 2016 - 02h15min.

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