sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Títulos

Para um clube de futebol e, principalmente, para uma torcida, conquistar títulos é importantíssimo e proporciona um dos maiores prazeres do esporte. Mexe com a autoestima, enriquece a história do clube e orgulha uma legião de seguidores. Porém, não posso aceitar a ideia de que é essencial.

As conquistas são bonitas, enfeitam o museu do clube e adicionam uma estrela no uniforme. Os seus torcedores ficam orgulhosos, loucos e roucos. O grito de “é campeão!” é mítico. Enfim, ganhar títulos é bom, ou melhor, muito bom!

Título é o objetivo, mas não o fator que faz de mim um torcedor. Um exemplo: um homem se apaixona por uma mulher. Com o passar do tempo, descobre que ela prefere a relação sexual apenas após o casamento. O que ele faz? Se a ama de verdade, irá manter-se fiel e irá aguardar pacientemente para que o “dia D” chegue. Não é a mesma história?

Para mim, no mínimo, são similares. Quando amamos um clube, não o abandonamos porque há cinco, dez ou trinta anos não ganha um grande título. Pelo contrário, torcemos mais ainda para que, enfim, o momento de glória chegue. Manter-se fiel, ignorando possíveis conquistas dos rivais, é ser um verdadeiro torcedor.

Incomoda-me ver essas brigas pelas redes sociais de quem ganhou mais ou menos. Tanto faz, velho! O teu amor pelo clube depende de ti mesmo, não da lista de taças no site oficial. E outra: vivi momentos incríveis nas arquibancadas da Baixada, e em adversárias, que não trocaria por nenhum título. NENHUM MESMO!

Enfim, título é o objetivo, é importante. (Assim como o sexo no casamento!) Mas o que importa mesmo é o amor que depositas no clube. A fidelidade, a paixão e a insanidade.

Por isso, Brasil, quero títulos, sim! Quero vencer, sim! Quero vê-lo erguer taças e mais taças por este imenso país! Mas enquanto este grande momento não chega, eu e a massa Xavante o acompanhamos nas arquibancadas, ano após ano, fracasso após fracasso, porque gritar “GOL!” do fundo da alma junto a ti, Xavante, não há preço. E quando finalmente o campeonato ficar aqui na Baixada, comemoraremos da nossa forma inconfundível. E se não vierem, estaremos lá da mesma forma: entoando cânticos e o próprio hino que, com esperança, sempre nos diz que “nós este ano vamos vencer...”. 
Primeiro campeão gaúcho - 1919.

...SALVE O BRASIL, O CAMPEÃO DO BEM-QUERER!

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