Ruas lotadas, pessoas vazias. Rostos conhecidos e pouco amigáveis.
Caminho entre elas. Eu as encaro, as questiono: quem são vocês? Mas ninguém responde. E tudo para, de repente, como se alguém lá em cima tivesse pressionado o botão de uma gigante máquina fotográfica.
E todos estão paralisados. Seus rostos amargurados também. Apenas posso visualizar os seus olhos movendo-se, como se procurassem a saída. O que está acontecendo? E daquela visão assustadora em preto e branco, algo passa a colorir tudo e todos. Mas como colorir o que está morto há tanto tempo? Impossível.
São ruas tomadas por seres humanos que permanecem vivos, mas que desistiriam de viver. E eu não quero mais vê-los. Não estou tão desesperado por morte. Quero vida.
A fotografia havia sido revelada e todos voltaram a se mexer. Saí de lá e encontrei outro local: não era uma visão ruim como antes nem em preto e branco. Se o que vi era uma fotografia, essa era da mais alta qualidade. Pois lá havia pessoas que desistiram de desistir da vida, assim como eu. Seres que pegaram em armas e foram à luta. Se for para morrer, que possamos perder a vida enquanto estamos vivos!
E da última fotografia fiz um porta-retratos e pendurei na parede do meu quarto. Assim não esquecerei de que há outros sonhadores e combatentes pelo mundo afora, aguardando para agir quando necessário.
Vamos mudar para melhor. Fotografe e verás.
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