Falam muito, pouco dizem. Cochicham mais, pouco ensinam. Analisam todos, menos a si mesmos. E assim caminham.
Suas rodas de conversa nem sempre têm assunto, mas há sempre uma forma de encontrá-lo. Agindo como “juízes celestiais”, julgam e apontam o dedo, dizem e tapam a boca com a mão. São apenas tristes almas tentando sorrir ao transformar o outro, às vezes alguém tão próximo, num ser menor.
Vozes silenciosas. Suas palavras são lançadas ao vento como papéis picados de um jornal do dia anterior. Suas bocas nada produzem, mas transmitem a sua inexpressiva existência. O seu interior é macabro, cheio de falhas. Mas, para tais bocas, seus erros são normais e vivem perdoando a si mesmos. E os outros? Bom, eles não merecem tal perdão e suas falhas serão comentadas por nós, pessoas igualmente recheadas de erros.
Sinto muito dizer a vocês, vozes silenciosas, mas não as escuto. Não preciso nem quero. Eu filtro e seleciono o que desejo ouvir. Se não há nada por perto para distrair-me, basta lembrar-me daquela pessoa que amo ou cantar mentalmente uma bela canção.
Suas bocas sentem fome, mas não têm o que comer. Meu coração também sente fome, mas é alimentado com boas atitudes e olhares verdadeiros de alguém que erra como ele. Um humano ciente de suas falhas, mas que não as esquece para não repeti-las.
E se for para falar, diga algo bom. Trabalhe isso. Caso contrário, continuarão falando muito sem dizer nada.
"Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada"
(Engenheiros do Hawaii - Toda forma de poder)
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