quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Cena de cinema

Todos nós já vimos nas telas de cinema imagens que passam esperança, humanidade, bondade, entre outros sentimentos. Mas sabemos que são cenas pensadas previamente ao invés de espontâneas. E nem poderia ser, pois são filmes. São pensadas, gravadas e reproduzidas milhares de vezes.
Entretanto, eu vi uma cena de cinema. E aqui em Pelotas. Foi na segunda-feira passada (31), perto do estádio do segundo time da Princesa do Sul. Sim, ali na avenida Bento Gonçalves. Então, como relatei, foi uma cena de cinema...
Enquanto esperava o ônibus, quatro mulheres passaram por mim. Conversavam e riam. Um grupo de amigas como qualquer outro. Porém, mais adiante, uma delas avistou um cachorro de rua. Parecia um pouco assustado. Uma delas agachou-se e estendeu a mão que segurava uma bolacha. Ele recuou devagar. Mas com uma paciência incrível, ela parecia conversar com ele. Até que, lentamente, o cãozinho aproximou-se. Não mordeu de imediato a bolacha oferecida, mas recebeu o carinho daquela moça. E ela desempenhava o papel principal de uma produção cinematográfica anônima. E os únicos espectadores eram as suas amigas e eu. Foi uma cena linda. Mais lindo ainda foi ver o cachorro perder o medo, sentir confiança e aceitar a oferta. E após isso, elas recomeçaram a caminhar. E o cãozinho? Bem, ele as seguiu. E eu sei por que ele juntou-se a elas: é que nem todo ser humano se agacha, oferece alimento e acaricia gratuitamente um cachorro de rua. Isso, geralmente, só acontece nas telas de cinema.

Mas essa cena, felizmente, foi verídica.

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