Todos nós já vimos nas telas de cinema imagens que passam esperança, humanidade, bondade, entre outros sentimentos. Mas sabemos que são cenas pensadas previamente ao invés de espontâneas. E nem poderia ser, pois são filmes. São pensadas, gravadas e reproduzidas milhares de vezes.
Entretanto, eu vi uma cena de cinema. E aqui em Pelotas. Foi na segunda-feira passada (31), perto do estádio do segundo time da Princesa do Sul. Sim, ali na avenida Bento Gonçalves. Então, como relatei, foi uma cena de cinema...
Enquanto esperava o ônibus, quatro mulheres passaram por mim. Conversavam e riam. Um grupo de amigas como qualquer outro. Porém, mais adiante, uma delas avistou um cachorro de rua. Parecia um pouco assustado. Uma delas agachou-se e estendeu a mão que segurava uma bolacha. Ele recuou devagar. Mas com uma paciência incrível, ela parecia conversar com ele. Até que, lentamente, o cãozinho aproximou-se. Não mordeu de imediato a bolacha oferecida, mas recebeu o carinho daquela moça. E ela desempenhava o papel principal de uma produção cinematográfica anônima. E os únicos espectadores eram as suas amigas e eu. Foi uma cena linda. Mais lindo ainda foi ver o cachorro perder o medo, sentir confiança e aceitar a oferta. E após isso, elas recomeçaram a caminhar. E o cãozinho? Bem, ele as seguiu. E eu sei por que ele juntou-se a elas: é que nem todo ser humano se agacha, oferece alimento e acaricia gratuitamente um cachorro de rua. Isso, geralmente, só acontece nas telas de cinema.
Mas essa cena, felizmente, foi verídica.
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