segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Saí, modéstia à parte, vitorioso nos últimos anos. 2015 marca o novo passo

Olho para trás, de 2009 para cá, e percebo que cresci e amadureci. Sem ter deixado de lado, no entanto, o meu lado guri e brincalhão. Ainda sou rabugento, me estresso com facilidade, o que não é bom para mim nem para ninguém, mas consigo identificar uma evolução na vida profissional e afetiva.

Terminei o ensino médio de uma forma muito bacana. Alcancei notas altas e aproveitei ao máximo as aulas que tive. Não quis curso pré-vestibular. Para poupar dinheiro, claro, mas também porque acreditava em mim e no meu retrospecto recente. Ora, se desbravei com êxito os campos do ensino médio, provavelmente me sairia bem no exame que avaliava justamente essa trajetória escolar. Que nada. No Exame Nacional do Ensino Médio de 2009 me saí mal. Bastante mal.

Foi um soco no estômago. Uma rasteira da realidade. Eu precisava de mais.

No ano seguinte, pedi aos meus pais a inscrição num curso pré-vestibular. Obviamente não foi o mais caro, ainda bem, mas ainda um bom curso. Me joguei de cabeça. Escrevo com orgulho que não faltei a sequer uma aula. Participei de todos os plantões (aulas a mais no fim de tarde) e produzi, no mínimo, de três a quatro redações por mês. Eu queria me vingar, me superar e, claro, honrar o investimento e confiança depositados em mim. 

Em 2010, venci. Duas vezes. 

No vestibular da Universidade Católica de Pelotas, universidade privada, passei em quarto lugar para jornalismo. Fiquei bastante satisfeito, apesar de ter feito a prova já sabendo as condições (financeiras, principalmente) que me impediriam de realizar o curso. Tudo bem. Era bom, mas não era o meu objetivo principal.

No Enem a história foi outra. Fui incrivelmente bem em português e história, além de ter ido satisfatoriamente em matemática, o meu, até hoje, “calcanhar de Aquiles”. Não entrei, no entanto, na primeira chamada. Sequer na segunda ou na terceira. O número de estudantes era maior do que o número de matriculados. Simplesmente selecionavam a UFPel e o curso de jornalismo, mas não realizavam, de fato, a matrícula. Fui à chamada oral já sabendo que estava dentro. Bastava a matrícula.

Hoje, dia 15 de dezembro de 2014, praticamente me despeço do curso de jornalismo. Afinal, meu Trabalho de Conclusão de Curso foi aprovado, dias atrás, com nota 9. Minha média geral no curso é alta, atualmente 9,1. Aprovado em todas as cadeiras. Realizei, também, inúmeros estágios na área da comunicação, como a televisão, o rádio e o impresso. Saio vitorioso. 

No entanto, 2015 marca o novo passo que deve ser dado. Já formado e com o emprego que tenho hoje, como assessor de imprensa na Câmara Municipal de Pelotas, além de outras atividades, preciso me preparar ainda mais. Refazer o desafio desempenhado e superado em 2010.

À minha frente, na estrada do trabalho e crescimento, observo o estudo da língua inglesa, a preparação para concursos que me ajudem a trabalhar com o jornalismo e me deem suporte neste mundo capitalista, além do importante mestrado e mais alguns artigos, que são sempre trabalhosos e enriquecedores.

O ano de 2015 representa o novo passo. Venci até hoje, até aqui, mas preciso saltar novamente. Tenho que prosseguir. Parar agora fará com que boa parte dos muros derrubados no passado recente sejam reconstruídos. Será o ano do trabalho. Talvez o mais importante da minha vida. Nos próximos 365 dias, o meu caminho será construído com os tijolos dos muros derrubados.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Não faça do passado uma pescaria

A partir de um dado momento da minha vida iniciei a travessia de uma ponte. Não era muito longa, mas larga e com aspecto clássico. Uma verdadeira ponte centenária. Única construção humana, aliás, em quilômetros. Todo o resto é feito e mantido pela natureza. 

Quando te encontrei e a convidei para atravessar comigo a ponte, sempre ao meu lado, deixei para trás o que eu julgava não mais necessário. Lá, em cima da construção que me dá acesso ao outro lado do rio, peguei o que eu não queria mais e o larguei na água. Amarrado a uma pedra grande, o pacote afundou. 

Atravessei a ponte. Cheguei ao outro lado. Tu também. Só que, para o meu espanto, soltas a minha mão e retornas à ponte, de vez em quando. Lá de cima, preparas a vara, o anzol e travas uma luta contra a paciência. Começas, então, a pescar o passado. 

Nos piores dias em que isso acontece, consegues puxar o pacote todo. Tu abres, mexes um pouco naqueles arquivos já sem vida, sem memória, sem importância, e jogas tudo para cima. Muitas vezes, até, os atira em mim. Aquela quantidade imensurável de papel molhado, que se desmancha ao mais sensível toque, se choca ao meu rosto. Como uma bala, me atinge. 

Eu, em silêncio, não esboço reação. Porque toda a reação ocorre por dentro. 

Depois de muita discussão, inclusive com uma espécie de griteiro feito à base de palavras covardes, que nossos ouvidos recebem com incredulidade, fazemos as pazes. Juntamos as mãos que não tinham nenhum motivo real para terem se soltado. 

Então, pegamos o material, o embrulhamos novamente e o prendemos a uma pedra ainda maior. Jogo o mais longe possível para nunca mais ser acessado por ninguém. Lambemos as feridas e retornamos ao nosso lado do rio. Tudo, felizmente, retorna à maravilhosa realidade. 

Só que os dias passam e a ponte se torna, novamente para ti, sedutora. Nessas horas eu não sei o que fazer. No máximo grito o teu nome, mas a minha voz não parece a mesma e a escutas sempre de forma distorcida. 

Em meu íntimo, já ferido, só consigo fazer um pedido. Porém, sou incapaz de dizê-lo. Apenas a alma sussura o que, para mim, é um apelo.

“Por favor, meu amor, não suba mais a ponte. Fique comigo. Não faça do passado uma pescaria.”

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

George Harrison também é professor

George Harrison é genial - e hoje foi professor. Explico. Enquanto ouvia "That's The Way It Goes" percebi que havia a palavra Krugerrand e fiquei curioso. Talvez eu seja o último a saber, mas Krugerrand é a moeda da África do Sul e faz referência ao quinto presidente do país, Paul Kruger.

Agreguei um pouco mais de cultura através de uma música prazerosa de ouvir. Nada mal.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

As atitudes dizem, não as palavras

Caminho pela calçada e desvio de muitas pessoas, que também estão enfrentando a sua rotina, os seus problemas e angústias, mas todos eles, de certa forma, estão lutando. Uns menos, outros mais. O que os iguala, de fato, é que nenhum abre a boca para dizer bobagens, que faz o que não faz, pois simplesmente não dá tempo. Eles também não têm tempo para esbravejar e apontar com cólera nos olhos as atitudes dos outros. 

De certa forma é bom ter menos tempo.

Aprendi nos meus anos de contato com a Doutrina Espírita (que até hoje me guia e, ao mesmo tempo, me dá o poder de escolha, ou seja, o livre-arbítrio) que todos nós temos ciscos nos olhos e, portanto, não temos que perder tempo alertando que o outro tem, enquanto tu sofres também com o teu próprio empecilho. 

Eu não preciso dizer o que já escrevi. É fato. Eu sei. Está na cara (ou no olho). Minhas atitudes me guiam e os resultados estão aparecendo. As coisas estão mudando, a vida acontecendo e eu, graças a Deus, a mim e a muitas mãos, estou crescendo. 

Faz parte. Mas há um longo processo para que as coisas aconteçam e uma das etapas consiste em dizer menos e fazer mais.

Até logo, pois a luta continua e eu preciso enfrentar a chuva!

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A febre

Eu não sei explicar a sensação, mas meu pai, sem querer, a explicou quando pegou mais uma das edições de Tex que eu comprara há poucos minutos.

- Outra Tex? Bah, que febre!

É verdade, pai. Foi a melhor definição. Febre é o que sinto agora. 

Eu já conhecia Tex há alguns bons anos. A primeira que comprei foi em 2009, mais precisamente no dia 3 de outubro. Linda e ótima: Tex Almanaque número 38 - "O Matador de Índios". História completa, com roteiro de Nizzi e desenhos de Venturi. Inesquecível. Passou-se um tempo, comprei outra, mas ainda perdido no novo mundo, peguei uma edição que faz parte de uma coleção que ultrapassa as 500 edições e a história daquela revista terminava em outra. Nunca a encontrei pelas bancas. Mesmo assim prossegui. Certa vez visitei o sebo mais bagunçado e com poeira da cidade - portanto, o melhor - e encontrei várias edições. Comprei quase todas!

Porém, o tempo passou e deixei Tex de lado após ter lido todas que eu tinha. Só fui comprar uma nova Tex na cidade de Uruguiana, em 2012. Edição colorida. Relançamento da primeira história de Tex publicada. Lindona. Era a última da banca.

O tempo passou e só agora em 2014 que comprei novamente uma Tex. Edição gigante, especial, capa dura e colorida. Preço salgado: R$ 60. O investimento, porém, se fez necessário pela qualidade e beleza quase pujante da edição. Não pude resistir.

Foi aí que peguei a febre que agora me assola. Nas duas últimas semanas comprei várias outras. Quase todas oriundas de sebos espalhados pelo país através da internet. Edições marcantes. Edição número 200, 300, ou ainda as melhores histórias. Assisti ao filme da década de 80 dedicado ao herói. Até música escutei sobre o tema!

Enfim, estou enfermo, mas por chifres de bisonte, não me tragam medicamentos nem chamem os médicos. Essa doença eu quero ter - até os meus bolsos e bom senso (?) permitirem.

Até lá, pards!

Da esquerda à direita: Kit, Tex Willer, Tigre e Carson. Família.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A nossa média é de 85 likes

Eita, mas que parada é essa?

Todos nós já vimos uma pessoa defender as suas visões com números. Matérias jornalísticas também se utilizam da prática. 

"Brasileiro consome mais. É o que indica a pesquisa, que registrou um aumento de 15% em relação ao mesmo período do ano passado". 

É natural. Faz parte.

Agora medir aceitação ou rejeição através de "like"? "Like", para quem não sabe, é um dos recursos que existem na rede social mais utilizada hoje no mundo, ultrapassando a marca de 1 bilhão de usuários: o Facebook. 

É que quando a gente tenta por vias normais demonstrar o que já é escancarado aos olhos menos atentos e não consegue, ficamos sem saída e então buscamos alternativas e elas nem sempre nos agradam. Porém, o Facebook ainda assim serve como veículo para reforçar o quanto a gente é bem quisto pelas pessoas - e o número de "likes" deixados em nossas fotografias é o nosso mais forte argumento nesse contexto.

Na verdade, a gente luta nessa eterna guerra de - parafraseando Renato Russo - provar pra "todo mundo" que a gente não precisa provar nada a ninguém.

Nós nos amamos. Amém.

#22day

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Não é muito difícil de entender

As músicas trazem à luz muitas verdades, também nos inspiram e entretêm. Assim funciona, basicamente, com a maioria das pessoas. Desta vez, nesta postagem, Queen é quem ministra a aula com a música Under Pressure

Por que não podemos dar ao amor mais uma chance?
Por que não podemos dar amor? 
Dar amor, dar amor, dar amor
Dar amor, dar amor, dar amor
Dar amor, dar amor... 
Porque o amor é uma palavra tão fora de moda...
E o amor te desafia a se importar com as pessoas no limite da noite 
E o amor desafia você a mudar o nosso modo de nos preocupar com nós mesmos.

domingo, 6 de julho de 2014

Cadê você, concentração?

Cadê você? Te procuro em vão
Concentração, sinto faltas de você
Te procuro ali e aqui, quando vê já me perdi
Volta aqui, concentração, volta aqui.

Lembra quando eu tinha motivação?
Saía às 8 voltava quase madrugadão
Ainda dava tempo de ler um artigo
Escrever um pouco e fazer um pão.

Mas não consigo mais porque me falta
Concentração, cadê você?
Não me deixa na mão
Cadê você, concentração?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

O advento da escolha de novas necessidades

Nós, humanos, assim como os outros animais e demais seres vivos, temos nossas necessidades básicas. Estas podem ser semelhantes ou bastante diferentes, variando de acordo com os "habitantes". No geral a alimentação é uma das atividades mais importantes, senão a maior de todas. Nós também precisamos respirar. O contato humano, por sua vez, é incrivelmente relevante, pois trabalhamos melhor em bando. 

Todavia tudo muda. Com o passar do tempo, a humanidade evoluiu tecnologicamente. Hoje vivemos mais e, em tese e para parte da população, melhor. A internet e o aparelho celular são exemplos de "novas necessidades básicas" de muitas pessoas. Além disso, o capitalismo também é grande responsável por impulsionar de forma impactante a criação de novas necessidades, visando o lucro a partir dessas novidades. Claro que para acessar a essas novas formas de vida (ou viver a vida) é necessária a presença do faz-me rir - leia-se "pila". Todas essas mudanças resultaram no que chamo (com certa ousadia e irresponsabilidade, talvez) de advento da escolha de necessidade. 

Alheias ou não a essas mudanças, as pessoas agregam novas necessidades à própria existência. Uns precisam, além de comer, beber, dormir e respirar, de estantes repletas de livros dos mais variados assuntos. Outros agregam necessidades às necessidades, ou seja, optam por comer aquele biscoitinho sabor requeijão no café da manhã todos os dias. Já outros têm o enorme desejo de ir ao cinema uma ou duas vezes por mês. Todos eles vão se julgar mais infelizes, ou até mesmo incompletos, se por ventura essas necessidades não forem devidamente saciadas. 

É assim que funciona. 

Por outro lado, certas necessidades significam futilidades para alguns, enquanto para outro grupo o iPhone tem a maior das importâncias, superior até do que beber água - preferem energético. O que falta aqui, na verdade, é a tolerância às diferenças e, além disso, a compreensão de que os tempos mudaram e continuarão mudando, para a nossa sorte. O que é necessidade para mim pode não ser para ti, mas isso não quer dizer que eu ou você temos o direito de julgar de forma leviana e irresponsável as atividades do próximo. O debate pode até surgir a partir delas, mas o entendimento e respeito são fundamentais. 

Nos meus dias atuais, em época de trabalho de conclusão de curso e horários apertados, assistir a filmes via Netflix durante os fins de semana com uma taça de vinho tinto suave e amendoins japoneses ao lado são fulcrais para a recarga das energias. Essas minhas vontades produziram e ainda vão produzir boas lembranças. Tenho, e vocês também têm, o direito de escolha das próprias necessidades.

terça-feira, 24 de junho de 2014

"Eu avisei", diria John

Quando o ex-Beatle, ou talvez Beatle para sempre, John Lennon escreveu Woman Is The Nigger Of The World ele já denunciava o que acontece todos os dias com as mulheres. Sutilmente ou de forma escancarada, a mulher é sempre a responsável. Essa responsabilidade muitas vezes injusta é atribuída a elas pelos homens - e pasmem - pelas próprias mulheres.

As mulheres são os demônios do mundo. Tens alguma dúvida disso? Basta prestarmos atenção ao que acontece à nossa volta. Basta surgir uma para que a gota d'água se transforme em mar violento próximo a uma ilha habitada.

Nós fazemos ela pintar o rosto e dançar
Se ela não quer ser nossa escrava, dizemos que não nos ama
Se ela é sincera, nós dizemos que ela está tentando ser um homem
Enquanto botamos ela para baixo, fingindo que ela está acima de nós
Trecho de Woman Is The Nigger Of TheWorld

Veja você mesmo! Analise os comentários feitos pela própria família sobre a "namoradinha" do vizinho ou a noiva do fulano, sobrinho do ciclano, que mora em Arroio Grande. Perceba a maldade ou até mesmo a ingenuidade por trás das frases fabricadas pelo senso comum.

A culpa é sempre da mulher.
- Fulano faliu.
- Deve ter sido culpa da mulher. Torrava o dinheiro do guri que é trabalhador.
- Ciclano como é mulherengo, mas terminou com a esposa.
- Por quê?
- Ela saiu com o vizinho.
- Que vagabunda! Coitado do Ciclano.
- Como está o teu filho?
- Tá bem. Conseguiu emprego.
- Que ótimo. E a namorada?
- Ah, tá lá...
- Como ela é linda! :D
- rs rs...
O tempo, meus amigos, no entanto é o melhor remédio. Também é o melhor "soco no estômago" de quem se esconde atrás de uma parede ou de um rostinho aparentemente angelical, que muito pede e pouco dá. O custeio desse tipo de comportamento é o prolongamento por tempo indeterminado do que John Lennon já nos ensina há muito tempo. Pena que muitos que escutam essa música não percebem que são multiplicadores do que John condenava.

Eu também avisei, John. Pena que não querem ouvir.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Nos perdemos nas ruas, mas a gente se reencontra no teatro

Cortada por viadutos, ruas estreitas e calçadas movimentadas, Porto Alegre anoiteceu diferente na última terça-feira, 21. Músicos britânicos desembarcaram na capital gaúcha para tocar. Até encontrarmos o teatro, no entanto, nos perdemos pelas ruas da cidade.

"À direita? À esquerda? Sigo em frente? Aonde vamos?" Eram essas as perguntas mais repetidas durante todo o trajeto. Combustível queimando. Nervos à flor da pele. Liga-se o GPS, a conexão cai, a noite também, quase sete horas. Nada. 

Andamos pela escuridão à procura do som pesado mesclado a vozes perfeitamente sincronizadas. Uriah Heep e suas capas de disco, seus solos de guitarra e bateria enfurecida, nos obriga a percorrer caminhos desconhecidos, desconexos, desprotegidos da escuridão da noite e do frio da capital. 

Após idas e vindas, gritos e socos, nos reencontramos com a felicidade. O teatro apareceu ao nosso lado como mágica. 

URIAH HEEP!

Quase nove horas. Pausa para o lanche típico norte-americano. Capitalismo em forma de pão, recheio fantasiado de carne. Logo após subimos as escadas. Retiramos os ingressos. Nosso suado dinheiro já tinha sido depositado. Foi bastante, mas valia a pena. 

SHOWZAÇO!

Já no teatro nós nos reencontramos com o conforto da poltrona e com os efeitos de luz. Poucos minutos nos separavam da música. Quando o show começou os nossos olhos ficaram arregalados, nossos ouvidos foram intimados a escutá-los e a nossa mente, ó, esta se perdeu e se reencontrou ali, naquele espaço, naquele teatro.

Por fim, a mágica noite se resume nas palavras de nosso pai, piloto do Monza Tubarão ano 1991: esperei 40 anos pra ver esses caras.

A gente não se perde quando sabe para onde ir.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Prosa

Sonhei com um quadro pintado por um artista desconhecido, sujeito que não quis assinar o próprio nome e, assim, registrar para si a obra. Naquela tela pintada a óleo relembrei uma cena de minha vida, na qual eu estava na janela. Conversava com um homem mais velho, tipo cinco décadas a mais de experiência do que eu. 

Contava ele que existem muitos caminhos. Simplificou dizendo que eram como estradas. Existem as longas, outras mais curtas e os atalhos; algumas são asfaltadas, outras pavimentadas com pedra e existem aquelas de chão batido. Falando num tom mais baixo, quase sussurrando, mas de forma incrivelmente clara, me disse que, independente dos caminhos que eu escolhesse para prosseguir viagem, alcançaria as metas.

Fitei aqueles olhos por alguns instantes enquanto absorvia a lição. Acreditei, por fim, na sinceridade daquelas palavras.

Hoje, no escuro do meu quarto, pouco mais de quinze anos depois da conversa tão informal e marcante, compreendo totalmente o que aquele homem quis dizer. 

Tu também sabes. Ô!

Belmiro de Almeida [Public domain], via Wikimedia Commons

segunda-feira, 17 de março de 2014

22

Amor da minha vida.

Não sei se vais ser sempre o meu amor. De repente vamos terminar tudo daqui a dois meses. Quem sabe casamos. Vamos ficar juntos por muito tempo talvez ou decidimos, enfim, percorrer caminhos diferentes. Podemos também dar as mãos e caminhar na chuva. Quem sabe?

Aposto todas as minhas fichas, porém, que encontrei em ti quem e o que eu procurava. Achei que não existias, sabias? Nascestes longe pra DEDÉU, em Itaqui, crescestes em Uruguaiana, mas viestes para cá. Tínhamos que nos encontrar, sem dúvidas.

Teu sorriso é impressionante e surge ao natural. As tuas brincadeiras são tão divertidas que conseguem me levar a memórias que não existiram, como se eu te conhecesse desde criança.

Me motivas todos os dias. Por isso luto por ti - e não canso!

Hoje completas mais um aniversário e agradeço a tudo e a todos por ser aquele cara (o mais sortudo da galáxia) que vai ter a honra de te beijar a boca e dizer "meus parabéns, amor da minha vida".

Meus parabéns, amor da minha vida.

"I've got an angel..." 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Algo está errado e não sei como reagir

Algo não está bem. Tu podes dizer que estou julgando-os de forma leviana. Certo. Também podes sugerir que tudo é normal e a igualdade prevaleceu. Certo. Certo? Amigos, vos digo que a igualdade não é conquistada com a replicação de erros.

A minha confiança está indo embora e não sei se conseguirei segurá-la por muito tempo. Não me rendo antes que a guerra acabe, mas jogo as armas ao chão quando percebo a má vontade em lutar - ou a presença de um inimigo na trincheira.

Algo está errado e não sei reagir.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Apesar da chuva enxerguei teus olhos

Não foi a primeira tempestade. Naqueles degraus construídos tijolo a tijolo na década de 40 fiquei muitas vezes ensopado e com a carteira enrolada numa sacola de supermercado. Mas desta vez, naquele domingo, naquele temporal, naquele mesmo lugar, eu, com a mesma capa de chuva, notei que foi diferente de tudo o que outrora presenciei. 

Por um momento de puro desligamento com a realidade, enquanto entoava cânticos já cantarolados por gerações passadas, senti como se estivesse sozinho por lá, como antes foi. Eu, a chuva e a arquibancada. Mas desta vez, não. Definitivamente, não. 

Olhei para o lado e a enxerguei apesar da chuva, do vento forte que atingia o meu rosto com violência, apesar da visão turva por causa da água, apesar da capa de chuva que mais molhava do que protegia. Enxerguei ali, do meu lado, olhos que também miravam os meus. 

Lamento não ter nenhuma fotografia do exato momento em que ela sorriu. Ao nosso redor o mundo desabava e as pessoas cantavam, mas, naqueles segundos que quase congelaram, eu só consegui notar o sorriso mais belo que já tive o prazer de vislumbrar. 

Os olhos verdes, o sorriso bonito e o rosto molhado. O céu explodindo em relâmpagos e eu explodindo por dentro.

Eu nunca, em nenhuma hipótese, vou esquecer o que vi.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Saudade

A alta temperatura me acorda no meio da noite. A grande janela está aberta, as cortinas balançam devagar com o vento que entra e invade o meu quarto. O ventilador velho, que já enfrentou muitos verões, tenta resfriar o meu corpo que está quente por fora, frio por dentro.

Saudade. Sinto saudade. Muito mais saudade do que calor, aliás. Acordo no escuro e procuro alguma coisa sem enxergar nada. Bato com a mão no colchão e vou avançando, explorando cada centímetro do lençol. Eu estou com saudade de tê-la ao meu lado.

É uma saudade que sufoca, que dá sede, tira a fome, tira o sono, incomoda, me imobiliza. A procuro nos cantos da casa, na rua, no carro, nas fotografias, na memória, nas mensagens recebidas. Não a encontro.

São mais de quinhentos mil metros de distância. São mais de setenta e uma mil calçadas iguais a que existe em frente à minha casa, uma ao lado da outra. Todas elas nos separam.

Acordo à noite. Acordo mais cansado do que quando fui dormir. É difícil sorrir de forma completa quando não se tem por perto quem amamos.

É uma distância passageira. Em breve esse muro gigantesco que nos separa será derrubado e nossos peitos irão se encontrar. E o som do coração será, novamente, um só.
Enquanto isso, ó meu Deus, a procuro em vão.

Que saudade.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Perdi o bonde

Só que ainda quero sentar ao lado da janela. 

A 41ª Feira do Livro de Pelotas terminou há poucos dias. Ocorreu no Mercado Público ao invés da Praça Coronel Pedro Osório, onde normalmente acontece todos os anos. A mudança dividiu opiniões e parece que em 2014 a feira retorna à praça, mas não é disso que falarei.

Envolve a feira, os livros, o público e principalmente os lançamentos. No último dia 17, um domingo, a professora Loiva Hartmann lançou o CD "Poesias". O disco foi produzido por ela e traz poemas de dois livros também lançados pela professora. São eles "Eu falo de amor" e "Somos a chave de tudo?". 

Recebi o convite para conferir o lançamento. A própria produtora do CD que enviou a mensagem. Revelou que o fundo musical carrega o som do piano do impressionante Richard Clayderman. As palavras foram escritas por ela, e como ela mesma mencionou, trazem veracidade. As poesias são declamadas por Otávio Soares, homem bastante conhecido na cidade.

No entanto, apesar do convite para o lançamento, mesmo sabendo que lá estariam amigos, teria autógrafos e muitos textos verossímeis, não pude comparecer. Eu, definitivamente, perdi o bonde.

Por tal razão, publico aqui neste espaço o meu apreço pela obra. Ouvi trechos do trabalho e com certeza está encantador. Minha ausência sempre é física, mas nunca é de alma. De alguma forma eu compareço, mesmo que por pensamento. No entanto, lamentei não ter ido ao lançamento. Motivos maiores do que eu.

É engraçado pensar também na forma como conheci a professora Loiva. Foi no Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN), local que abriga a história e mantém vivo o maior escritor pelotense. Casa que sempre me acolheu de braços abertos como se eu fosse um personagem vivo das histórias do Capitão. Foi lá que a vi pela primeira vez. Conversei um pouco e fui presenteado com livro, DVD e ata do Núcleo de Estudos Simonianos (NES). A partir dali originou-se uma agradável entrevista que foi publicada na Folha do Instituto. Desde então a professora Loiva me convida para eventos - como o lançamento de seu CD - e liga até para desejar feliz Natal e um próspero ano novo. 

Pessoas assim, como Loiva, encontramos no varejo, não no atacado. Quando chegamos ao pequeno armazém, que comercializa produtos da terra, cultivados próximo dali, precisamos apontar ao vendedor o que queremos levar para casa. Às vezes é difícil e é preciso olhar com considerável persistência. Diferentemente do atacado. Produtos iguais, de fácil manuseio e descarte. Não duram muito em nossas vidas.

Por fim, outro fato a distingue. Tomei conhecimento de que a professora sempre presenteia o IJSLN com erva-mate da marca Barão. Ela se preocupa até com o mate na Casa do Capitão. Fica a dúvida: teria o conto O Mate do João Cardoso alguma influência nessa história interessante?

É. O bonde já está a quilômetros daqui. Tentei correr para tomá-lo de assalto, mas não obtive êxito. Fiquei ali, no ponto, esperando o próximo. Persistente que sou permanecerei firme à espera do bonde e do assento ao lado da janela.

sábado, 16 de novembro de 2013

O tempo e o inverno

Se a nossa história escrita a lápis se apagar com o tempo e os rigorosos invernos o que eu posso fazer? 

Tudo começa com todo o gás. O segredo é distribuí-lo de forma correta. Não muito rápido como o tempo nem muito lento como o bocejar de um bebê cansado. 

Nós recebemos objetivos no momento em que respiramos pela primeira vez. Não tem nada a ver com religião. É que a vida assim prossegue.

Nada terminou. Depois de tudo estruturas foram montadas. Muitas delas para a vida inteira. Ensinamentos infinitos, estes sim escritos à caneta. 

Comparando o antes com o depois é fácil perceber que és uma nova e ainda mais forte mulher. Teus olhos transmitem mais confiança e o verde está ainda mais verde. O reluzir de tu'alma alcança céus inalcançáveis às almas comuns. Caminhas determinada a chegar ao destino. Estás mais relaxada, mais feliz, mais tu mesmo. Aquelas velhas feridas e brechas ainda não foram totalmente preenchidas, e talvez nunca serão, mas elas estão mais quietas. Não se manifestam tanto nem com a mesma intensidade de antes.

Muita coisa mudou.

Os altos e baixos se foram. As decepções ainda compõem o cenário da tua vida, pois todos convivemos com elas, mas não são constantes. De vez em quando surgem, mas há braços sinceros dispostos a abraçá-la e confortá-la, pois as decepções - sabes bem - não virão de quem te abraça.

Muito ficou para trás. Agora queres o que vem à frente.

Nossa história, boa parte dela, já foi passada a limpo. As novas folhas receberam as nossas lembranças. Pouca coisa foi modificada e tudo o que foi escrito nestas linhas é à caneta. Tinta preta na maior parte do tempo. Vermelho para as coisas do coração.

Se a nossa história vai ser totalmente escrita à caneta e vai enfrentar o tempo e os rigorosos invernos o que posso fazer? Bem, eu pensaria primeiramente em preparar um chocolate quente...

domingo, 3 de novembro de 2013

Vencemos!

O sol está indo embora e nós estamos aqui. O exército de duas pessoas balança a bandeira da vitória. Aqui, no ponto mais alto da Terra. Eu e ela, lado a lado, de mãos dadas, celebramos a nossa conquista.

Foi uma luta complicada, que espalhou a nossa alma pelo chão e fez jorrar sangue de nossas feridas, mas ainda assim resistimos, lutamos e vencemos!

Os inimigos eram muitos. Invisíveis, cruéis e utilizavam táticas friamente calculadas em porões obscuros do bairro. Rodearam os nossos amigos e tentaram nos atingir através deles; escreviam com a intenção de ferir com palavras como se estas fossem flechas advindas de um arco maligno; arquitetaram por diversas vezes discussões que, na verdade, não eram nossas; e contrataram, por fim, mercenários para ganhar a nossa confiança e, na trincheira, desferir o golpe fatal.

Vencemos, apesar de tudo. 

A vitória foi justa nesta injusta guerra. 
O suor de nossa luta se transformou em lágrimas.
No fim o maior prêmio foi o nosso beijo ao nascer do sol, iniciando um novo dia.

sábado, 2 de novembro de 2013

O silêncio é sempre maior

Você sabe,
O que eu quero dizer não tá escrito nos outdoors
Por mais que a gente cante
O silêncio é sempre maior. Engenheiros do Hawaii
Muitas vezes me peguei ansioso esperando por aquele dia que demora a chegar. Momento para relaxar um pouco mais do que o normal, escutar uma boa música, ler um livro, ficar com quem a gente gosta. O problema é quando esse dia chega e o silêncio toma conta do ambiente de uma forma inexplicável. A boca fica seca, os olhos atônitos e as mãos suam frio. Não há o que dizer, definitivamente.

Geralmente busco respostas nas músicas, mas nem sempre elas têm as palavras certas para dizer. Ouvi Engenheiros do Hawaii e eles foram sinceros: por mais que a gente cante o silêncio é sempre maior. 

O que mais incomoda - e que paradoxalmente me deixa inquieto - é o barulho desse silêncio. É ensurdecedor. Parece que estamos em um estúdio sombrio. Não há som externo. Só ouvimos porque estamos dentro de tal sala. A qualidade sonora é alta, mas o que escutamos não é bom de se ouvir nem dizer.

Não há o que dizer.

Eu confio na humanidade, apesar dos pesares. 
Eu confio em mim, apesar das incertezas. 
Eu confio na vida e no que ela pode proporcionar, mesmo sabendo que coisas boas e ruins vêm e vão.
Agora, não posso confiar por dois.

Pensamentos invadem o meu crânio sem anestesia. Estes cortam a minha pele e empapam a faca com o meu sangue. Tento gritar, mas quem deve ouvir está tentando dormir com a luz acesa.

A quem pedir socorro?

Às vezes penso em malhar, aprender alguma outra língua, mas sei que é perda de tempo. A grama do vizinho é sempre mais verde, mas isso num mundo de aparências. Merda, este é o nosso mundo.

Tento exercitar ao máximo a minha sinceridade, mas nem sempre consigo falar a verdade. Minto com o meu sorriso, mas meus olhos, janelas de minh'alma, denunciam o sofrer de meu peito.

Eu ainda vou dar um voto de confiança para a vida. Sei que depois de toda tempestade vem a calmaria, a paz tão desejada e quiçá, Deus queira, as atitudes de se entregar ao outro como se estivéssemos há mais de 700 dias juntos. Tempo suficiente para olhar nos olhos e sorrir. 

Quero saber com quem divido a cama, o lanche da tarde e, num futuro próximo, talvez, a vida. Por enquanto os muros e os inimigos estão vencendo... e o silêncio é maior.

O inimigo conhece o campo tanto como eu. E isso sangra.