Foi lá, sentado ao teu lado, que percebi o quão poderoso era aquele momento. Eu sabia que tudo seria registrado nos mínimos detalhes em minha memória. E realmente foi. Tenho em minha escrivaninha um envelope, no qual há folhas e cheiros, além de uma corrente que se tornou, desde que ganhei, em um amuleto. Nas letras rabiscadas no papel colorido há palavras que... que dificultam esta escrita. Elas enchem os olhos d'água, apesar das inúmeras tentativas de evitar isso.
Já estivemos à beira do abismo.
Estive perto de entregar-lhe esse mesmo envelope, que é o item mais valioso que possuo. Que não se compra, não se vende e, normalmente, não se entrega nem devolve a ninguém.
O receio de perder algo que não queremos é infernal. O mundo parece girar muito mais rápido do que o normal, enquanto torcemos fervorosamente para acordarmos e percebermos que é um fatídico pesadelo. No entanto, nada muda enquanto ouço o fecho da tua mochila se fechar. O tempo vai passando e aquele silêncio barulhento surge. Não há palavras nem olhares.
Não confio em quase ninguém, principalmente naqueles que te rodeiam. Naqueles que te conhecem há mais tempo do que eu. Não sinto segurança, nem sentirei. No entanto, o que fazer?
Folhas de caderno transformadas em papel de carta. Olho as fotografias e o álbum bonito. Sinto-me paralisado ao ler frases como "para sempre", "os melhores meses", ou ainda "teu beijo me acalma". Minha vontade é pegar o telefone e dizer alguma coisa. Qualquer coisa.
Como dormir se há o receio de acordar e perceber que tudo mudou?
Não sei, mas acho que não estou sendo o que devo ser. Ontem à noite questionei o quão fora dos padrões eu sou. Às vezes tenho a sensação de que já perdi o que realmente fazia a diferença. Talvez eu não seja quem eu realmente sou. Talvez perder quem me acompanha na travessia da ponte seja só o princípio da queda inevitável.
Por não acreditar mais que sou um guri fora dos padrões, publico o meu último post por aqui. A partir de agora, sou o guri. Sempre serei. Obrigado por todos que leram e acreditaram em minhas palavras. Foram verdadeiras, algumas passageiras e outras erradas. É da vida. Talvez escreva em algum outro blog, mas nunca mais será a mesma coisa.
Agora vou-me. Esta ponte já foi atravessada. Aguardo pelas próximas travessias.
Adeus. E perdoe-me.