Como escrever o livro?, questionou o rapaz que tentava colocar em palavras aquilo que não conseguia explicar.
Tenho tudo: o teclado e uma boa alfabetização (obrigado, professores!), além de um ambiente calmo e silencioso - na verdade ouço, neste momento, no volume máximo!, Deep Purple. No entanto, ainda não mencionei os mais importantes ingredientes para escrever um livro: inspiração, vontade e lembranças. Ah! e é aí que mora o muro que impede o meu avanço: lembranças.
Escrevo uma, duas linhas. Paro e começo a recordar, a sorrir, a sentir saudade. Pego o celular e envio uma mensagem. Coloco naqueles poucos caracteres palavras-chave que só nós dois entendemos. Poucos minutos depois, recebo a resposta. A leio e sorrio novamente. Volto ao teclado, ao rock and roll e ao livro. Escrevo um parágrafo e paro novamente. Lembro-me daquela música, daquela tarde de sol, daquela conversa.
Bate a saudade. Inevitável. Encontro no meio da bagunça do meu quarto o único objeto que não contém poeira: o porta-retrato. O pego, o analiso por um longo tempo e o coloco no lugar como se fosse o maior troféu de todos - e é.
Volto ao teclado, à música e ao projeto de livro. Penso nas próximas linhas. Planejo o que escreverei, tomando o cuidado de não colocar cedo demais algum fato. Devemos esmiuçar, num livro, todas as vivências. Regressamos, então, ao interior de nossa mente. No entanto, para o meu desespero, quando "acordamos" já se passou um longo tempo e não escrevi nada! Apenas (re) vivi minhas memórias.
Por Deus, como escrevo o livro?! Quando tento escrevê-lo começo a vivê-lo. Talvez o livro já esteja escrito. Não no papel, mas na minha, na tua, em nossa memória.
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