Não consigo desgrudar do meu moletom. Teu cheiro está impregnado nele. Por toda a parte. E esse perfume de rara beleza faz a imaginação trabalhar. É como se estivesses aqui, ao meu lado. Sinto tua presença. Sinto teu cheiro. Sinto teu coração batendo forte.
Estamos juntos mesmo longe. O cheiro nos aproxima. É uma conexão perfeita. E meu moletom continua a exalar teu corpo pelo ar. Teu olhar acompanha de alguma forma inexplicável todo esse movimento e sensações que acionam meu sistema olfativo, e que ativam todos os outros sentidos e fico sedado, sem reação.
É impossível manter os olhos abertos ao sentir o perfume. Respiro profundamente. Isso é vida! Era isso o que eu esperava encontrar algum dia. E essa é a famosa química de que tanto falavam. Mas aqui há mais do que química, há também a junção de muitos fatores desconhecidos, mas que conhecemos de qualquer forma.
Teu cheiro me comove de uma forma quase irracional. O calor do teu corpo ainda permanece. E o teu olhar ainda ilumina.
Quero abraçar esse perfume que está sendo exalado a todos os cantos do quarto. Quero guardá-lo num frasco e mantê-lo ali, para sempre senti-lo quando a saudade bater. As tuas mãos que apertaram as minhas deixaram marcas superficiais, mas ainda perceptíveis.
Teu perfume é efêmero? No tecido da roupa, sim. Mas em minha memória, trancafiado a sete mil chaves, ele será intocável, imutável e "vivo" para todo o sempre. Enquanto não se esgota do moletom cinza, fico aqui com teu cheiro...
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