quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pensando sobre isso

Após assistir ao filme "Um mestre em minha vida", que trata da questão racial nos EUA, na década de 50, pensei muito. E não é a primeira vez que reflito sobre assuntos desse tipo.


Sempre fiquei revoltado ao imaginar todo tipo de humilhação que muitas pessoas já passaram, passam e, infelizmente, irão passar. Vem-me à mente a própria questão racial. Nem preciso citar os exemplos, todo mundo sabe das perseguições, mortes e humilhações. Também lembro das mulheres e de como sofreram - e ainda sofrem. É muita violência contra aquela que é a obra-prima da perfeição. E são tão superiores...
Recordo-me, também, das guerras em nome das religiões, da intolerância e preconceito - que já sofri por ser espírita. 
E, ultimamente, temos visto os problemas enfrentados pelos homossexuais. Sofrem com o preconceito e estão sendo perseguidos em todo lugar, inclusive aqui, em Pelotas. E é com vocês que compartilho uma das cenas mais lamentáveis que presenciei em toda a minha vida:
Houve, no último dia 30, a Xalassa - festa à fantasia que reuniu muita gente, sem exagero. E foi divertida. Curti com amigos e amigas de longa data. Mas, na saída, por volta das seis horas da manhã, presenciei dois homossexuais serem agredidos covardemente por dois caras. Nem a viatura policial que se encontrava próxima amedrontou os agressores - talvez pelo fato da presença policial não ter feito nada. Os que agrediram saíram tranquilamente, enquanto alguns chamavam a SAMU e outros RIAM do ocorrido. As frases "não, por favor, não me bate" e "para, por favor!" que ouvi nunca sairão de minha memória. Sabe, eu não achei que a situação de nossa sociedade fosse tão decadente. Se em Pelotas, uma cidade com menos de 500 mil habitantes, acontece esse tipo de coisa, imagine o que não ocorre pelas cidades maiores? Alguns casos são mostrados na grande imprensa, é verdade, mas são poucos. O resto é empurrado para debaixo do tapete.
E assim como o preconceito sexual, todas as outras intolerâncias citadas (e não citadas) ainda ocorrem em todo lugar, a todo momento. Mulheres apanham de maridos alcoolizados, negros sofrem discriminações, homossexuais são agredidos, religiosos são ridicularizados, entre tantos outros casos. Enfim, tudo isso que me causa vergonha e raiva estão espalhadas por aí. Estão debaixo de nosso nariz. Ou na casa ao lado.
E pensando sobre isso, percebo o quão difícil será mudar todo esse panorama de selvageria. Pensando sobre isso, lembro-me de John Lennon. Pensando sobre isso, lembro-me das aulas de história e de suas denúncias de um passado que, por vezes, foi vergonhoso; e essa mesma história deveria ser estudada e valorizada para não ser repetida, mas evitada, ao invés de escrevermos mais páginas que contarão aos alunos das próximas gerações que, em pleno século XXI, ainda ocorrem toda essa sujeira social. Pensando sobre isso, lembro-me de que preciso contribuir de alguma forma para uma mudança. Se quiser, pode chamar de utopia, loucura ou perda de tempo. E você pode dizer que eu sou um sonhador, mas não sou o único. Pensando sobre isso, lembro de Imagine, do mesmo John Lennon; música acima citada. Pensando sobre isso, sinto vergonha da humanidade. E, por fim, pensando sobre isso, pergunto-me quando o mundo "será um só". (Ainda) Estamos vivendo dias desleais...

Uma boa noite.

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