Estou sentado e pensando. O fundo do ônibus está escuro. E seus movimentos ao transitar pela cidade jogam meu corpo de um lado ao outro. O veículo está praticamente vazio. Na rua também não há ninguém. O tempo está chuvoso, frio e escuro. Não há lua, estrelas nem vida. Desço daquele veículo escuro e barulhento, e agora estou numa rua escura e silenciosa. A chuva está mais calma. Alguns pingos solitários, teimosamente, continuam a cair. É melhor correr. E assim corro por alguns metros pela desértica, fria, molhada e escura rua. O som dos meus pés no asfalto e o barulho que a mochila faz quebra todo o silêncio daquela via abandonada. Estou quase chegando em casa. Ainda bem. E apesar de estar muito perto, olho para trás e contemplo as gotas caindo calmamente naquela selva de concreto. Uma após a outra.
Caminho, giro a chave na porta e, finalmente, chego em casa. E percebo que, do fundo do ônibus até aqui, tudo é uma grande viagem.
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