Confesso que fico entristecido quando conheço alguém que age sem pensar porque não tem nada a perder. Geralmente tento interpretar tais atitudes como simples vontade própria, mas ao longo do tempo percebo que estou tentando enganar a mim mesmo. A verdade está diante de mim: ela, na verdade, age sem pensar porque não tem nada a perder. O problema aumenta quando a criatura, de alguma forma ou de outra, "contagia" as outras pessoas que a rodeiam. Daí nasce um problemão.
Pelo que observo esse ser tenta se encontrar em tudo - ou em todos - numa busca infinita e insana. E o pior: acredita estar vivendo intensamente. Engana-se. No entanto, isso não me tira o sono. Se ela vai dormir com um, dois, três ou vinte (!) ou se vai fumar alguma coisa, pouco me importa. Cada um com as suas visões de mundo.
Porém, gurizada, isso não pode, em hipótese alguma, atingir outras pessoas. Atingir quem eu amo, sendo mais claro. É intolerável. Por que levar ao próximo a tua irresponsabilidade?
Sempre percebo alguns recados. Compartilha nas redes sociais imagens que ironizam os ditos namoros sérios - para mim todo namoro, por essência, deve ser sério. Lança algumas mensagens que indiretamente tentam chegar a alguém - ou a mim. Oferece isso e aquilo quando tem chance. Canta vantagem, "pega" tudo e todos. "Poderosa" e "irresistível". Por favor!
Busca nas drogas (incluindo as legalizadas), no sexo, na esculhambação do corpo e no modo de agir algo que preencha o vazio que possui.
Faça o que quiser com a tua vida, mas não interfira na minha. Simples.
Para finalizar, afirmo que gosto daquela loucura que vem de dentro para fora. Uma loucura boa, sem vícios. Aquele riso sincero, companheiro e reconfortante. Nada de gargalhadas (quase) diabólicas com um copo na mão. Não, não e não! Não é preciso muita coisa. A melhor loucura é aquela silenciosa, com fones no ouvido e baquetas imaginárias na mão.
Não tens nada a perder. Nem a ganhar.
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