O sino não badala mais. A estação férrea de Pelotas estava - e continua - em ruínas. Enquanto o transporte ferroviário agonizava e morria, um guri estava surgindo. Ignorando o seu futuro, desprezando a possibilidade dele preferir viajar sobre trilhos do que rodas, os trens foram obrigados a parar. O pequeno da foto pouco ouviu o sino badalar. Nas paredes da estação, a tinta que descasca denuncia a falta de interesse dos grandes, também representa os restos mortais do meio de transporte que, por muito tempo, transportou e carregou em seus vagões o futuro. Futuro que se tornou passado. Enquanto isso, o pequeno do presente (na foto) não poderá viver no futuro o que ficou para trás. O seu eventual desejo de trilhar pelo estado foi roubado, assim como os trilhos.
O guri cresceu e mudou. A realidade, não. O futuro continua no passado e o sino não existe mais...

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