A música clássica toca ao fundo, proveniente de caixas de som estrategicamente colocadas. Estou em pé. Participo de uma longa fila à espera do atendimento, assim como todo mundo. O caixa para o qual desloquei-me é especial, conhecido como "caixa rápido". De rápido não tem nada, mas não é disso que trato aqui. Mas, sim, do sucesso capitalista.
Carrego em minha mão um produto. É industrializado e dotado de uma chamativa e agradável embalagem. A outra mão está vazia, mas não por muito tempo.
Eu e as outras pessoas presentes estamos ficando cada vez mais envolvidos pelo clima mercantil e feroz do supermercado. As prateleiras próximas ao caixa estão tomadas de chocolates, refrigerantes, revistas, entre outros produtos (supérfluos). Aos poucos, um após o outro, mão após mão, os clientes iniciam o que chamo de "compra compulsiva". Um pega um bombom; outro, refrigerantes. Tudo isso quando o objetivo de ter ido ao supermercado era a necessidade de comprar salsichas.
Fica evidente que o mundo capitalista soube estudar o comportamento humano. Ou ainda, mais além, conseguiu criar outro comportamento. Compramos e consumimos mais do que precisamos. Enquanto isso, a relaxante música toca e a fila não anda.
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