sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tragédias: qual a maior?

Pergunta ruim de ler, não é mesmo? Mas é justamente isso que tenho lido nas redes sociais, principalmente no Facebook. Há um pequeno texto que relata (e questiona) a perspectiva da Globo sobre os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos da América. A seguir, o texto na sua versão integral:
Se não fosse a Globo e Globo News como fonte de informação, o que nós, reles mortais ignorantes, saberíamos? Hoje, por exemplo, aprendi que o 11/09/2001 foi o maior atentado terrorista da História. E eu que pensava, na minha pouca sabedoria, que o maior eram as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Mas, claro que 220 mil japoneses que morreram na explosão (sem contar os que morreram pela radiação) são menos que os 2.996 americanos que morreram nas Torres Gêmeas!
A questão, pessoal, não é saber qual tragédia foi maior. É claro que quanto mais elevado for o número de pessoas mortas, maior será o infeliz evento. Porém, toda vida é vida e merece ser respeitada. As bombas lançadas sobre o país japonês no fim da segunda guerra, pelos americanos, é um exemplo do quanto o ser humano pode ser cruel e covarde. E vejo nas declarações das pessoas ao falar sobre os eventos de 2001 contra os EUA um "ar" de satisfação, em razão de Hiroshima e Nagasaki, além de tantos outros conflitos. Mas há uma contradição muito grande ao pensar assim, afinal os americanos mortos também eram inocentes da mesma forma que os japoneses.
Você pode estar pensando que o texto viral no Facebook não quer dizer isso, mas que a Globo tenta induzir-nos a pensar que o 11.09 é maior do que as bombas atômicas. É uma interpretação. E, de fato, as duas cidades japonesas foram vítimas de uma das maiores atrocidades de todos os tempos. Entretanto, não gosto de olhar por essa perspectiva. Um ser humano morrer antes do que deveria - outras pessoas poderiam considerar que era a "hora" da pessoa partir, mas envolve religiões e perderei o foco -, por motivos fúteis ou ainda por ser vítima de um ataque terrorista, é uma tragédia. Não importa se é um ou 200 mil. Se começarmos a pensar que a tragédia do ano tal é maior do que a outra, vamos passar a aceitar as tragédias "menores". Iremos desconsiderar a morte de um jovem vitimado pelas drogas ou a de um idoso num corredor do pronto-socorro por serem apenas um? Não vamos, não devemos e não podemos aceitar. 
Portanto, no momento que lerem algo a respeito disso, procurem interpretar de várias maneiras. Eu interpretei assim porque acho prudente acreditar que toda vida perdida é uma tragédia.

Grande abraço!

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