quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Apunhalado no peito

[ É um texto sobre futebol (e a revolta sobre ele). Caso não se interesse por isso, alerto desde já. ]

Sinto-me exausto. Um cansaço mental e físico. Não sei por onde começar diante de tão grave situação. Parece que perdi alguém da família - mas, de certa forma, perdi. Parece que tenho um punhal cravado em meu peito. Sinto-me traído. Estou desamparado, e resisto - em vão - controlar as lágrimas. É uma dor que aniquila bem devagar. Estou sem chão, sem esperanças. Por fora, aparento estar "normal", o mesmo PH de sempre, mas, na verdade, estou num misto de raiva e tristeza. 
Muitas teorias crio para tentar responder o por que que ocorreu a decisão maldita, a qual culminou no rebaixamento do meu clube. E, de verdade, não consigo explicar. Penso em jogo de interesses ou em mais uma tentativa para derrubar-nos. E conseguiu, por enquanto. Não sei se terei forças para levantar-me. A queda foi feia. Não consigo pensar racionalmente num momento como esse. E quando consigo, torço para que menos pessoas sejam cativadas por esse clube que tanto nos faz bem, mas que machuca e entristece. Sofro nem tanto por mim, mas pelos pequenos que, como eu fui, são apaixonados. E não irão compreender como que, em tão pouco tempo, e através da decisão de algumas dezenas de pessoas, algo assim faz uma falange inteira sofrer.
Durante toda a tarde, sofri calado enquanto meu peito gritava agonizante, questionando mais e mais. Por quê? Por quê? Parece que, mesmo com nossa grande torcida, fazemos parte de uma minoria. Minoria que não será tolerada. Querem apenas alguns clubes em atividade. E se, por acaso, alguma agremiação corajosa de uma cidade com menos de 500 mil pessoas ousar - é a palavra certa - e tentar levar perigo aos mais abastados, o "mal" será cortado pela raíz. Sem chances de reação. Um golpe mortal.
Não tenho mais o que escrever nem o que pensar. Eu não deveria estar tão mal assim. É futebol. Mas nossa insanidade é latente por esse vício mortal chamado Grêmio Esportivo Brasil.

UPDATE: Encontrei um texto sobre esse fato. O título é "O lado obscuro do futebol", escrito por Luciano Coimbra. Clique aqui para lê-lo.

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