quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ventania

Para chegar até você estou pedalando. E venta demais.
Estou cansando. Eu sei que preciso chegar aí. Eu quero.
Mas o vento está cada vez mais forte. Pedalo cada vez mais e ando cada vez menos.
Minha razão diz para parar, mas não quero.

E agora?

Não sei o que faço. O vento gelado bate com violência em minha jaqueta. E a rua está deserta.
Só há eu, minha bicicleta, vento e sacolas plásticas voando.
Tenho dificuldades, mas continuo. Preciso chegar. Mas será que consigo?
Começo a achar que não. Parece que tudo tenta evitar. Por quê? É um aviso?

Talvez.

Os fios nos postes vibram com a força dos ventos. As árvores também estão agitadas. Começo forçar para pedalar mais rápido, mas já não tenho tanta energia. Estou cansando.
Aliás, cansado já estou há algum tempo. Estive pedalando, investindo contra o vento. E para quê? Começo a achar que você é o vento.

Ventania.

É. Pelo jeito não irei a lugar algum. Por quê? Porque parei de pedalar. Pela primeira vez, freiei.
Foi um momento tão frio quanto o vento. Foi possível ouvir o atrito entre a borracha do pneu com o asfalto.

Parei. Vou seguir o que a vida - ou o vento - quer. Darei meia-volta. De agora em diante, os ventos estarão ao meu favor.
Adeus. Não! É um até logo. Daqui a um tempo, quem sabe, a ventania passe. Talvez.

Até logo...

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