segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Lixo

.



Lixo. É a palavra que resume tudo. Depois de dias insossos, a gente tenta se reencontrar. Por alguns momentos consegue, mas a verdade sempre vem à tona. Em frente ao espelho vejo o meu rosto. Na pele as marcas de uma vida que há pouco atingiu 1/4 de século. A memória guarda bons e maus momentos - mas é impressionante como apenas uma lembrança ruim aniquila centenas de outras boas. É tudo um grande saco de lixo. A gente caminha mais um pouco, alguns dias passam, e novas pessoas se aproximam. Conversam, riem e bebem conosco. Finalmente os meus olhos enxergam uma nova vida. Um recomeço. E a gente começa sem planejamento, sem freio e sem escrúpulos para depois descobrir que cativou um outro coração alheio. A realidade entra em cena, nos tapeia o rosto e grita em nossos ouvidos: és lixo, magrão, és mais um lixo contaminando uma vida, seja ela qual for. Volto ao espelho, novamente fito o meu rosto e concordo: me transformei em lixo. O que um dia achei que fosse uma qualidade, hoje vejo que na verdade não passa de lixo. Lixo, lixo, lixo! Não há mais o que fazer. Parte de mim morreu. Talvez a melhor. O que restou é apenas lixo. Hoje espalho lixo por aí. O guri que escreveu por noites a fio neste blog não existe mais. Este texto porcamente editado é o último resquício, o último suspiro, o último batimento de um coração que um dia lutou por amor -- e hoje sua tarefa é executada automaticamente: bombear o lixo que resta.



.

0 comentários:

Postar um comentário